Tele.Síntese Analise – 223


MVNO é a estratégia da Anatel para tornar mais atraente a banda H ao novo investidor A parentemente pode parecer contraditório a Anatel lançar, ao mesmo tempo, as consultas públicas para a venda da banda H (última frequênciaque resta na faixa de 1,9/2,1 GHz) a um novo investidor e o regulamento do operador móvel virtual …

MVNO é a estratégia da Anatel para tornar mais atraente a banda H ao novo investidor

A parentemente pode parecer contraditório a Anatel lançar, ao mesmo tempo, as consultas públicas para a venda da banda H (última frequência
que resta na faixa de 1,9/2,1 GHz) a um novo investidor e o regulamento do operador móvel virtual (MVNO), documentos aprovados ontem pelo conselho diretor
e que ficarão de 60 a 90 dias para a avaliação da sociedade.Parece contraditório porque, com a liberação do MVNO, poderiam
diminuir as chances de um novo grupo (leia-se Nextel,que disputou com garra o último leilão da 3G; ou a Vivendi,que acabou de comprar a GVT) querer gastar montanhas
de dinheiro para se credenciar a ser a quinta empresa de telefonia celular enquanto poderia gastar bem menos como operador virtual.
Mas a Anatel avalia que a aprovação do MVNO vai acabar tornando mais interessante a venda da banda H. Isso porque o novo investidor poderá concentrar
seus investimentos apenas na rede a ser montada e deixar para o parceiro virtual os altos gastos com a venda de serviços, como
publicidade e comissão. Ou seja, dois grandes grupos poderiam se aliar em uma única licença,o que tornaria bastante atraente a aquisição
dessa frequência.Para essas fontes, o fato de o Brasil já ter quase 90% de taxa de penetração (o que induz ao raciocínio
de que o novo entrante só iria disputar 10% do mercado ainda não atendido) não deve ser visto como um problema (veja a página 2). Isso porque, assinalam, a penetração do celular,
que já alcança mais de 100% em diferentes países chegará em um futuro próximo a 200% porque será essa tecnologia a fazer a comunicação homem/máquina e mesmo máquina/máquina.
“Há muito mercado a ser conquistado”, afirma a fonte.Dois tipos de operadores Embora o regulamento não torne compulsória, para as
empresas que estão no mercado (Claro, Oi, Tim e Vivo), a venda de capacidade para os operadores virtuais, a Anatel acredita que, além do novo investidor ter claras vantagens na
pareceria com o operador virtual, as empresas dominantes também vão querer contar com esses novos “sócios”, visto que poderão vender capacidades onde hoje suas frequências
estão pouco ocupadas. “Pode ser um jogo de ganha-ganha”, acredita técnico da Anatel.
A proposta do regulamento prevê dois tipos de operadores virtuais. O credenciado, que pode ser qualquer pessoa jurídica que se qualificará na Anatel para tal; e o operador
de SMP. No primeiro caso, todas as responsabilidades junto ao fisco ou à Anatel continuam com a operadora dominante.Deverão atuar como credenciados, por exemplo, grandes
cadeias de supermercado, como Pão de Açúcar; lojas de departamento, como C&A; ou mesmo bancos. Esses MVNOs não querem operar as redes, mas vender minutos de celular
com sua marca e estratégia atacadista. Além de operar a rede, a empresa dominante terá de recolher os impostos e destinar a sua própria numeração
para o seu parceiro, etc.Outra situação é a da outorga de licença de SMP para o operador virtual. A empresa que quiser essa licença atuará como se fosse
um legítimo operador de celular, mas não terá direito à frequência própria e poderá ter menos obrigações de atendimento. Poderá, por
exemplo, ficar dispensada de cumprir um ou dois quesitos das metas de qualidade.

Banda H

O edital da banda H não terá preço, mas a Anatel pondera que este não poderá ser muito inferior ao valor arrecadado no último leilão, em 2007, que alcançou ágio de mais de
150%. Na proposta a ser lançada em 22 de dezembro, as obrigações de cobertura do novo entrante serão praticamente iguais às das atuais celulares, à exceção da obrigatoriedade
de ter presença em todos os municípios brasileiros, visto que não haverá rede de segunda geração para esse novo grupo.Apesar de toda a estratégia montada, a agência deixará uma
brecha para, caso não apareça um novo comprador, que a banda seja arrematada pelos atuais players.

PNAD revela taxa de penetração do celular no país bem inferior à da Anatel

Há uma grande disparidade entre os dados da Anatel relativos à penetração do celular no Brasil e aqueles apontados pela Pesquisa
Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD),do IBGE, em levantamento relativo ao último trimestre de 2008. Enquanto os dados da Anatel indicam uma penetração
de 87,68% (considerando-se a população estimada para 2008 com mais de dez anos, ou seja, 160,561 milhões),a taxa apurada pela PNAD, seguindo os mesmo
critérios, é de 53,8%.A distância entre os dois números decorre do fato de a Anatel utilizar a base de celulares existentes no país e informada
pelas operadoras ao passo que a PNAD apurou o número de brasileiros que possuiam telefone celular no momento da pesquisa. Ou seja, a base de celulares existentes no país em
setembro de 2008, época em que foram colhidos os dados da PNAD, era de 140,788 milhões. Mas pela pesquisa do IBGE só 86,432 milhões de brasileiros afirmavam ter um telefone
de uso pessoal. Ou seja, a média de celulares por cidadãos que declararam ter telefone de uso pessoal é de 1,63.
Há vários fatores que podem explicar essa disparidade. Sem dúvida, o mais relevante é o fato, identificado pela própria
pesquisa, de que vários brasileiros têm mais de um telefone, na classe A, e um grande contingente, das classes B, C e mesmo D,
têm um aparelho e vários chips, de diferentes operadoras. Reportagens feitas por diferentes veículos por ocasião da divulgação dos dados da PNAD relativos ao uso
de celulares e da internet no Brasil, nesta última semana, revelaram como o brasileiro, especialmente o de renda mais baixa, usa a promoção das operadoras celulares em seu
benefício trocando de chip. Fora os que têm um chip para falar com a família distante, também cliente da mesma operadora,
e um segundo e mesmo terceiro para outros usos.Jarbas Valente, superintendente de serviços privados da Anatel e futuro conselheiro, credita principalmente a esse
fato a divergência entre os dados. “Internacionalmente se usa o critério de divisão da base pela população para se chegar à taxa de penetração de um determinado serviço.
Mas é certo que muitos usuários têm mais de um celular ou mais de um chip. Se o chip está ativo, ele é computado na base da Anatel”, observa.
A esse fenômeno se soma o fato de a pesquisa da PNAD não contar os celulares de uso corporativo, em nome de  empresas, que somam um volume perto de 6% da base, ou
seja, 8,447 milhões em setembro de 2008. Também pode ter contribuido para inflar a base total de celulares no país números de operadoras que carregassem em sua base
usuários já inativos. Por fim, o respondente da pesquisa da PNAD pode ter respondido que não tinha telefone de uso pessoal na situação onde o celular, único telefone da casa,
fosse usado por toda a família.Embora não disponham de pesquisas que possam identificar claramente as divergências, técnicos da Anatel
informam que há um certo consenso entre as equipes da operadoras de que 10% da base é de usuários inativos ainda não identificados – os que não compram crédito mas usam o
celular para receber – e que outros 10% são de usuários que têm dois chips, com dois ou um aparelho celular. Se essas estimativas forem corretas, a base de celulares registrada
na Anatel, em setembro 2008, cairia para 118,263 milhões,com a eliminação dos telefones corporativos (não necessariamente contados na PNAD),
e dos inativos. O que significaria uma taxa de penetração de 73,65%, mesmo assim 20 p.p.acima da apurada pela PNAD. E uma relação
de 1,36 celular por cada cidadão que diz ter um telefone de uso pessoal.

Crescimento equilibrado

Se há discrepância entre as taxas de penetração pelos motivos apresentados, o índice de crescimento da base de celulares da Anatel e dos brasileiros que
têm celular, entre 2005 e 2008, mantém uma relação de equilíbrio. No período a base de celulares aumentou 76%,enquanto o número de brasileiros que têm telefone pessoal
cresceu 54%. A maior distância entre os dois indicadores está justamente nas regiões mais ricas do país, Sudeste e Sul, o que é mais do que natural: aí estão os brasileiros mais
ricos e as grandes concentrações urbanas, nas periferias das grandes cidades, onde vivem os cidadãos que têm que ter mais de um chip para acompanhar as promoções e falar
mais pagando menos.Os dados da PNAD mostram que nas regiões metropolitanas das oito maiores capitais do país, mais de 60%
dos moradores têm celular. Na liderança, empatadas em primeiro lugar, região metropolitana de Porto Alegre e Distrito Federal, com 75,6%.

Indústria planeja investimentos para evitar a falta de fibra no mercado a partir de 20
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O ano de 2009 não foi dos melhores para o setor de fibras ópticas e cabos metálicos, que viu as encomendas se reduzirem já no final de 2008,
com a crise econômica global, e um mercado interno fraco no primeiro semestre. A Oi praticamente não fez compras em razão da consolidação com a Brasil Telecom e a
Telefônica reviu suas encomendas e renegociou preço com os fornecedores. “2009 foi um ano difícil, com redução dos volumes e das receitas em relação a 2008”, atesta Sergio
Ragusa, diretor-presidente da Telcon. A despeito da queda no volume de vendas e no faturamento, na comparação com os resultados de 2008, os empresas instaladas no país estão
otimistas com os negócios em 2010 e planejam investimentos para aumentar a capacidade de produção de fibras ópticas e evitar a falta do produto, que já começa a ficar escasso no
mercado internacional.“No Brasil ainda não está faltando fibra,mas o problema pode ocorrer”, diz Foad Shaikhzadeh, presidente da Furukawa. Por
isso, antecipa, a SPF, joint venture formada pela Furukawa e pela Prysmian, já programa investimentos para a expansão da capacidade
da fábrica de fibras instalada em Sorocaba,no interior de São Paulo. “Para 2010, a produção de fibra, que é de cerca de 1,4 milhão
de quilômetros, é suficiente para atender a demanda interna, estimada em 1,1 milhão de quilômetros de fibra. O problema pode ocorrer a partir de 2011/2012”,
avalia Shaikhzadeh.Ragusa também antecipa que as empresas do grupo realizarão investimentos em 2010. Juntas, Telcon (produz
todos os tipos de cabos) e Draktel (fibras ópticas) vão investir cerca de US$ 6 milhões para aumentar a capacidade de produção. “Temos condições de suprir, em volume e em qualidade, o mercado interno, mas continuaremos investindo
para atender a demanda que tende a crescer a partir de 2011”, explica Ragusa.No mercado mundial, a escassez de fibra óptica é ocasionada
pela pressão vinda principalmente da China. A Prysmian,que tem fábrica também na China, confirma a alta demanda por fibra naquele país, mas assegura que, no Brasil, sua unidade
instalada em Sorocaba tem capacidade para atender o mercado interno. No Brasil, o segmento de fibras e cabos deve fechar 2009 com queda de uns 20% em relação ao faturamento
de 2008, que foi de R$ 1,3 bilhão. O resultado não foi pior graças às exportações. A Prysmian, por exemplo, aumentou em 25% o volume de vendas para os países da América do
Sul. “Em exportação foi um ano bom porque aqueles países estão montando seus backbones e isso compensou em parte a queda no volume da demanda local de cabos ópticos”, conta
Marcelo Andrade, diretor de telecom da Prysmian.Outro fator positivo, aponta o executivo, foi a mudança de estratégia das operadoras móveis. Ao invés de só alugar
redes de suas parceiras na telefonia fixa, elas começaram a investir em redes próprias. Com isso, a queda no setor de fibra não foi tão acentuada quanto no de cobre, que depende
mais das operadoras fixas.O mesmo cenário foi vivido pela Furukawa, que também fecha o ano com queda nas receitas, e pelas
demais empresas do setor. A Telcon deve registrar queda de 15% em relação ao ano passado. A Draktel também reduz faturamento,
embora tenha se beneficiado do aumento nas exportações.

Demanda
 
Para que o mercado volte a crescer em 2010, a indústria conta com a concretização do Plano Nacional de Banda Larga, a ampliação da capacidade
de banda na telefonia móvel, demanda por tráfego de vídeo (serviços triple play) tanto na rede fixa quanto na móvel, e aumento na demanda corporativa, que começa a
aderir ao cloud computing – por este conceito, a empresa não tem todo o sistema “dentro de casa”, mas dentro da rede, ou seja, usa a capacidade de processamento dentro da
nuvem internet e em diferentes locais. E para que o sistema funcione bem é fundamental ter uma rede confiável e banda suficiente. “Esses fatores vão fazer com que a demanda por
fibra cresça”, avalia o presidente da Furukawa.“Nossa expectativa é que, com os anúncios de incentivo e expansão da banda larga, os negócios sejam promissores em
2010/ 2011”, completa Ragusa. Já a Prysmian estima para 2010 crescimento de 5% no segmento de cabos de cobre e
de 10% no de fibras e cabos ópticos.

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