Tele.Síntese Análise – 189


 Ebitda da NET pode cair até 20% sem o ponto extra  A decisão da Anatel pela não cobrança por pontos adicionais no serviço de TV por assinatura pode levar a um encolhimento nas receitas do setor nesteano de R$ 600 milhões, dependendo das medidas paliativas que serão, ou não,adotadas pelas operadoras de TV por assinatura …

 Ebitda da NET pode cair até 20% sem o ponto extra

 A decisão da Anatel pela não cobrança por pontos adicionais no serviço de TV por assinatura pode levar a um encolhimento nas receitas do setor nesteano de R$ 600 milhões, dependendo das medidas paliativas que serão, ou não,adotadas pelas operadoras de TV por assinatura para compensar essa perda de receita. O faturamento do setor, no ano passado, com operação somou R$ 8,5bilhões (incluindo receitas publicitárias o faturamento chegou a R$ 9,3bilhões).

 Maior operadora em número de clientes, com 3,1 milhões de usuários,exatamente a metade do total de assinantes do país, 6,2 milhões, a NET Serviços já trabalha com um impacto de 4% a 5 % em sua receita bruta (que foi de R$ 4,85 bilhões em 2008) e de 15% a 20% no seu Ebitda (o consolidado  do ano passado foi de R$ 982 milhões, com margem Ebitda de 27%).

 "O impacto é de apenas 4% na receita, mas de 14% no Ebitda, porque é uma receita que não tem custo relacionado e, portanto, impacta mais na margem", comenta a analista do Fator, Jacqueline Lison. A analista ressalta, porém, que esse impacto nos resultados pode ser revertido com outras ações da
 operadora para compensar a perda de receita e acredita que a NET já foi "penalizada" no dia em que a Anatel anunciou a decisão e suas ações caíram 7%. "Esse cenário vale se a NET não puder cobrar pelo ponto extra e não adotar nenhuma medida paliativa para compensar as perdas. Neste caso, deve
 ter queda de 4% na receita e de 14% no Ebtida para 2009, e o preço alvo cairia dos atuais R$ 19,66 por ação para R$ 18,10, menos de 8%", ressalta Lison.

 Já a corretora Brascan avalia que o fim da cobrança deve provocar uma queda de 5% sobre a receita da NET e de 20% sobre o Ebitda da operadora, percentual esse confirmado pela NET Serviços.

 As empresas do setor passaram a tarde de ontem em reunião na ABTA (Associação Brasileira de TV por Assinatura) discutindo a resolução 528 da Anatel, publicada esta semana, que proíbe a cobrança do ponto extra. A entidade quer traçar com seus associados as estratégias para tentar reverter a decisão da Anatel. Na associação, há quem diga que embora apenas a NET tenha feito estimativa das perdas com o fim da cobrança do ponto extra, as operadoras menores terão maior impacto em seus receitas.

 Alerta à SEC

 No relatório anual enviado à comissão de valores mobiliários dos Estados Unidos nesta semana, a NET Serviços alerta para as perdas que poderá ter em suas receitas sem a cobrança do ponto extra. Explica que a associação representativa da classe está buscando medidas para reverter a decisão e conclui: "Dependendo do resultado do processo administrativo arquivado pela ABTA, a associação poderá ainda exigir que o tribunal federal nos permita continuar a cobrar por pontos múltiplos em uma mesma residência. No entanto, não há nenhuma garantia que teremos a permissão para cobrar os clientes por pontos múltiplos até que essas apelações administrativas e legais estejam definitivamente resolvidas ou que essas alegações tenham êxito finalmente. Isso poderia ter um efeito negativo relevante sobre nossos negócios, fluxos de caixa e resultados das operações", diz a NET em seu relatório anual.

 "Como a NET é a maior operadora, o resultado que ela divulga vale medianamente para o setor", diz fonte, segundo a qual os valores com as perdas mencionados no mercado são da ordem de R$ 600 milhões. "Vai depender das medidas paliativas de cada empresa e algumas já estão tomando medidas, oferecendo, por exemplo, um bônus que inclui o ponto extra", destaca a fonte. Net e Sky já fazem essa oferta em determinados pacotes. Há quem cogite também embutir o custo do ponto extra, em torno de R$ 25,00, no
 pacote de assinatura. Segundo a corretora Brascan, para atenuar o efeito da medida, a NET deve reajustar os preços dos pacotes ou aumentar os valores de instalação e manutenção.


 Licitações da Oi e Telefônica animam o mercado

 A indústria de telecomunicações se animou com duas consultas ao mercado que podem movimentar o setor em época de crise. Uma das sondagens é do Grupo Telefônica, que lançou uma RFI (Request For Information) para serviços de gerenciamento e manutenção da rede IP das operadoras em todos os países da América do Sul, nos quais presta serviços. A outra, já em fase mais  avançada, é da Oi, que busca sinergia nas operações entre sua área e a da  Brasil Telecom, e está em processo de licitação para contratar serviços de  operação, manutenção e gerenciamento de sua rede.

 Segundo fonte do mercado, a RFI da Telefónica ainda está em nível  embrionário, mas está atraindo a atenção dos grandes fornecedores internacionais, por se tratar de um contrato regional. A licitação da Oi já
 está numa fase mais avançada e prevê a contratação de serviços tanto para a rede interna quanto para a rede externa. "Essas duas consultas mostram a  tendência de uma terceirização da operação e manutenção da rede mais  forte", diz fonte do setor, lembrando que esse movimento começou com a
 terceirização da operação da rede da Brasil Telecom (quem ganhou a licitação na época foi a  Alcatel-Lucent), agora chega a Oi e, tudo indica, à Telefônica. O contrato, por cinco anos, é estimado em R$ 6 bilhões.

Desaceleração econômica não estará presente nos balanços das operadoras impacta

A divulgação dos resultados operacionais das empresas de telecomunicações que atuam na América Latina – que começou ontem e irá até 14 de maio – referente ao primeiro trimestre de 2009, primeiro período a retratar integralmente a crise econômica global, deverá confirmar as otimistas previsões dos executivos brasileiros, de que o setor ainda não foi afetado pela desaceleração econômica.

O primeiro resultado conhecido, o da GVT, confirmou esta expectativa. A espelho brasileira acabou surpreendendo positivamente o mercado, ao reportar um resultado  melhor do que se esperava (lucro de R$ 26 milhões e receita operacional de R$ 376 milhões).

Na avaliação dos analistas, as empresas que têm forte atuação no mercado mexicano são as que mais sofrerão com a desaceleração daquela economia, exemplo dos resultados da Nextel, que reduziu a previsão de ingresso de novos clientes.

A Net Serviços, uma das estrelas da bolsa brasileira, embora tenha sofrido com a queda no valor das ações na semana passada, devido ao anúncio antecipado (que está sendo investigado pela CVM, a pedido da Anatel) do fim da cobrança do ponto extra, deverá apresentar bons resultados. Para o banco Fator, a operadora irá registrar uma receita operacional líquida de R$ 1,060 bilhão e EBITDA de R$ 281,9 milhões. Já para a Merril Lynch a receita será um pouco maior, de R$ 1,099 bilhão e EBITDA de R$ 288 milhões. Mas os dois bancos concordam que neste trimestre a operadora irá reverter os prejuízos reportados no último período de 2008 (de R$ 95 milhões) para um lucro líquido que poderá variar entre R$ 56 milhões (Fator) a R$ 78 milhões (Merril Lynch).

A Vivo, na avaliação da Merril Lynch, é outra que deverá surpreender positivamente. Embora inicialmente o mercado projetasse uma significativa queda na margem EBIDTA, para 27% (contra 32,7% do 4T08) devido ao aumento de custos gerados pelo início das operações da Vivo no Nordeste do país, e também pela redução das margens, por causa do aumento da competição no mercado paulista, é possível que o desempenho da empresa fique melhor, com margem de 29%. As receitas líquidas deverão ser 11% superiores a igual período do ano passado, atingindo R$ 4,074 bilhões. O lucro líquido, porém, deverá ser sensivelmente menor do que o 1T08 ou mesmo que o 4T08, de R$ 32 milhões, contra R$ 256 milhões ou R$ 216 milhões, respectivamente.

A TIM deverá vir, novamente, com um fraco desempenho operacional. A previsão dos analistas é de que a operadora volte a apresentar prejuízos, depois de ter registrado no trimestre passado, pela primeira vez em sua história, grande lucro operacional. Para o Fator, o prejuízo da TIM chegará a R$ 86 milhões, bem maior do que o esperado pela Merril Lynch, que prevê perdas de R$ 74 milhões. A receita operacional líquida deverá ter uma queda de 4% frente a 1T08, chegando a R$ 3,102 bilhões.

A Telefônica,que tradicionalmente apresenta um primeiro trimestre mais fraco em relação aos demais períodos do ano, não deverá surpreender, pois continua a manter  mesmas características defensivas de cash flow estável, farta distribuição de dividendos e baixo endividamento. O Fator faz uma avaliação mais positiva sobre o desempenho da operadora do que a Merril Lynch. As projeções apontam para receita operacional líquida entre R$ 4,023 bilhões a R$ 3,955 bilhões; EBITDA de R$ 1,581 bilhão a R$ 1,701 bilhão;e lucro líquido de R$ 566 milhões a R$ 319 milhões.

Já a Oi, cujo balanço irá, pela primeira vez, incorporar os resultados da Brasil Telecom, deverá apresentar uma queda no lucro líquido de até 57% frente ao mesmo período do ano passado, atingindo R$ 319milhões. Mesmo assim é um resultado superior,aos R$ 194 milhões do último trimestre do ano passado. A receita operacional líquida deve ser de R$ 7,577 bilhões e o EBITDA, R$ 2,153 bilhões.

América Móvel, holding que congrega a Claro, deverá sofrer mais, devido a sua forte presença no México, quando se espera uma redução de 8% no ARPU (conta média) daquele país e queda de 25% (comparação ano/ano) no número de adições líquidas, que deverão se restringir a 4,2 milhões de novos clientes em todos os mercados latino-americanos onde a operadora atua. Mesmo assim, a expectativa é de que a holding apresente lucro líquido de US$ 1,148 bilhão.

Já a Embratel, responsável por 75% do resultado da holding Telmex Internacional deverá registrar receitas 13% maiores (chegando a US$ 1,45 bilhão) a igual período do ano passado.

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