Teles querem prioridade para 5G e IoT na destinação da faixa de 2,3 GHz


A consulta pública da destinação da faixa 2,3 GHz para o Serviço Limitado Privado (SLP) em caráter primário e sem exclusividade e para o Serviço Móvel Pessoal (SMP), para o Serviço de Comunicação Multimídia (SCM) e para o Serviço Telefônico Fixo Comutado (STFC) foi encerrada na semana passada com restrições por parte das operadoras de telecomunicação. A Telefônica, por exemplo, afirma que a eventual destinação do para serviços de interesse restrito, em caráter primário, poderá reduzir a disponibilidade de radiofrequências para serviços de interesse coletivo, com impacto direto na oferta de conectividade a muitas aplicações.

Segundo a operadora, o espectro compreendido entre 2.300 MHz e 2.400 MHz terá fundamental importância como capacidade adicional para a demanda de 4G nos próximos anos e no desenvolvimento e massificação futura de novas tecnologias e serviços, notadamente relacionados a 5G e IoT. A tele propõe que serviços de interesse restrito, a exemplo do SLP, possam utilizar a faixa em caráter secundário. “Tal abordagem permite o provimento de serviços restritos de forma perene em áreas nas quais inexiste demanda coletiva a ser atendida pelo SMP, maximiza os benefícios sociais e econômicos derivados da exploração de espectro e cria as condições para democratizar o acesso a novas tecnologias.”, argumenta.

A Claro tem posição semelhante, por entender que uma vez que a faixa de 2.3 GHz é uma das poucas faixas abaixo de 6 GHz estudada, com possibilidades reais de uso móvel para ajudar a suprir esta crescente demanda de dados, e também considerada no futuro para o 5G, que a mesma deve ser focada para o uso de interesse coletivo (SMP, SCM e STFC) em detrimento do caráter restrito como o serviço SLP.

A TIM, por sua vez, sugere que a destinação da faixa de radiofrequências de 2.300 MHz a 2.400 MHz ao SLP ocorra somente após o mapeamento de possíveis interferências entre esse serviço e outras aplicações a partir da realização de testes técnicos teóricos e práticos. “Contudo, caso a agência opte pela manutenção da destinação da faixa em questão para o SLP, que o uso da mesma se dê em caráter secundário, sendo utilizada nos vindouros casos de uso da próximageração de tecnologia móvel, o 5G, e também em aplicações de IoT”, pontua.

Para a GSMA, a relevância das faixas de média capacidade (como o caso da faixa de 2,3 GHz) está no suporte a serviços de banda larga móvel (como o 4G hoje), e pode ser um importante complemento a faixa 3,4-3,6 GHz na futura oferta de serviços de 5G. “É importante, no entanto, que a oferta da faixa de 2,3 GHz não esteja condicionada à utilização de tecnologia específica”, ressalta.

Sobre a destinação ao Serviço Limitado Privado (SLP), a entidade diz que é importante que essa inclusão não imponha restrições ao uso da faixa pelo Serviço Móvel Pessoal (SMP) e pelo Serviço de Comunicação Multimídia (SCM). “Para tanto, seria mais adequado que este serviço fosse designado em caráter secundário na faixa”, sugere.

Indústria

A indústria também tem restrições à proposta da Anatel para a faixa de 2,3 GHz. A Qualcomm defende que o O foco da Anatel deve ser incentivar o investimento e a inovação, tanto em termos de apoio geral às tecnologias de comunicação sem fio como 4G e 5G, bem como na pesquisa de serviços e incentivos a indústria a incorporar melhorias baseadas em novas aplicações de Internet das Coias (IoT) e carro conectados, conforme apropriado. E recomenda que os blocos da faixa sejam divididos em 5 MHZ e não em 10 MHz, como traz a proposta.

Já a Intel entende que, apesar de os canais de 10 MHz apresentados na faixa de 2,3 GHz pela norma, ressalva a importância da possibilidade de sua agregação. “Recomenda-se algo na ordem de 80 MHz a 100 MHz por operadora na prestação de um serviço pleno em 5G”, disse. Para a fabricante de semicondutores, a combinação dos 100 MHz disponíveis no 2,3 GHz com espectro adicional em outras faixas se fará necessária, à exemplo do 3,5 GHz.

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