Teles querem apoiar educação com conexão e conteúdo


As operadoras têm um papel importante na resolução da equação de oferta de ensino com qualidade para mais pessoas, um dos problemas educacionais do Brasil, afirmou Françoise Trapernard, da Fundação Telefônica Vivo, durante painel na 15ª Futurecom, nesta terça-feira (22), no Rio de Janeiro. Ela defendeu que as teles aproveitem a obrigação de conectar 80 mil escolas públicas rurais para ofertar conteúdo de qualidade, de forma gratuita.

Na opinião de Otavio Azevedo, presidente da Andrade Gutierrez – uma das acionistas da Oi –, as operadoras têm que ser parceiras do governo, até mais fortemente do que vêm fazendo, na universalização da banda larga e no aumento das velocidades. Mas lembrou que é preciso se olhar a realidade do país e  que para atender os desejos dos estudantes, é preciso de um esforço social muito grande, que passa pela desoneração dos serviços de telecom e pela aplicação de recursos dos fundos setoriais, como o Fust.

Segundo Françoise, a Fundação Telefônica está testando três projetos diferentes, para idades diversas e que podem ajudar na formação de alunos. Um dos projetos é uma plataforma  para 5ª e 9ª séries, nas áreas de português e matemática, em implantação em dez escolas estaduais de São Paulo, vinculado ao currículo, que será avaliado este ano. A expectativa é de que seja replicado para mais escolas da rede estadual de ensino público.

O segundo projeto, que será implantado em 2014, em parceria com o Instituto Airton Senna, usa um game para 4ª e 7ª séries para acelerar a aprendizagem de português e matemática. “A terceira experiência, e que a Fundação apoiou muito, foi o Geekie Game, de preparação para o Enem atingindo quase 300 mil alunos”, disse Françoise. Ela informou que todos os projetos foram desenvolvidos para computador, mas que vão evoluir para smartphones, na medida em que haja penetração desses aparelhos.

A TIM, por meio de seu instituto, também está se voltando para contribuir para a melhoria do ensino, por meio de tecnologia. De acordo com o presidente do Instituto TIM, Manoel Horácio, uma das áreas de atuação é nos cursos do Pronatec (Programa Nacional de Ensino Técnico, do Ministério da Educação), com uma plataforma online para formação a distância. “Nós, da TIM, estamos preocupados (com a educação), pois somos atores dessa promoção social”, disse Horácio.

Para Divino Sebastião de Souza, da Algar Telecom, não só o ensino tradicional muda, como também o papel do professor, que será “mais um coordenador”. Ele apontou a interatividade como um caminho para o aprendizado e disse que a empresa se prepara para o novo cenário com 208 cursos de ensino a distância, realizados para seus funcionários e para os profissionais de seus fornecedores.

Novo paradigma

De modo geral, os representantes da indústria e de operadoras que participaram do painel, concordaram que é necessário ter conteúdo para que as tecnologias possam contribuir para a melhoria da educação no país. Foram unânimes em afirmar que a qualidade da educação no país precisa melhorar e que a tecnologia pode ser um fator importante nessa mudança.

 

“A escola vai se transformar e a tecnologia pode levar o conhecimento em qualquer lugar e a qualquer hora, permitindo que cada estudante aprenda no seu tempo e no seu ritmo”, disse Azevedo. “Mas, só o uso da tecnologia não é suficiente. Escolas, professores e gestores precisam estar preparados para usar a tecnologia”, ressaltou.

Na mesma tecla bateu Eduardo Ricotta, diretor da Ericsson, para quem o grande desafio da escola é combinar aprendizagem com o uso da tecnologia. Ricotta lembrou que o Brasil é o quarto país em nativos digitais (atrás da China, dos Estados Unidos e da Índia), com 20 milhões de pessoas nascidas a partir da consolidação do celular e da internet. “É a geração Millenium”, acrescentou Humberto Cagno, presidente da Unify Brasil. “Em 2020, metade da força de trabalho no país será formada por essa geração”, disse Cagno.  (Da redação)

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