Teles fixas se movimentam para entrar no mercado de conteúdo


16/09/2005 –  A Telemar concluiu, depois de quatro meses de trabalho, o teste-piloto de distribuição de sinais de TV sobre sua rede telefônica, usando uma plataforma IP. Agora, a operadora elabora um modelo de negócio para a oferta de conteúdo. Embora não descarte, em princípio, acordo com as TVs por assinatura que já atuam no …

16/09/2005 –  A Telemar concluiu, depois de quatro meses de trabalho, o teste-piloto de distribuição de sinais de TV sobre sua rede telefônica, usando uma plataforma IP. Agora, a operadora elabora um modelo de negócio para a oferta de conteúdo. Embora não descarte, em princípio, acordo com as TVs por assinatura que já atuam no mercado, Ronaldo Iabrudi, presidente da empresa, diz que também há a hipótese de a operadora entrar nesse segmento com as próprias pernas, por meio da compra de licenças. Um pouco mais cautelosa, a Telefônica se diz interessada em examinar parcerias com as operadoras de TV por assinatura e já vem desenvolvendo negociações nesse sentido. Mas seus executivos deixam claro que não querem apenas prestar serviço de transporte para o conteúdo do parceiro. “Queremos também falar com o assinante, que já é nosso cliente em outros serviços”, comenta Márcio Fabbris, diretor de desenvolvimento de negócios residenciais. Já a Brasil Telecom, que saiu na frente ao realizar, há dois anos, um piloto de distribuição de conteúdo em parceria com operadoras de TV a cabo, hoje oferece video-on-demand em sua rede IP, para assinantes dos provedores IG, IBest e BrTurbo, os quais controla.

Entrar no mercado de venda, direta ou indireta, de conteúdo é, neste momento, um movimento de defesa das teles fixas, que vêm perdendo, ano a ano, tráfego de voz para as redes móveis e para os prestadores de serviço de voz sobre IP. Com a digitalização das plataformas de TV e rádio, o tradicional setor de radiodifusão aberta pode se tornar um novo competidor das operadoras. Não só na oferta de serviços de VoIP — mercado que começa a ser atacado pelas empresas de TV por assinatura — mas também no de comunicação de dados. Para enfrentar esse novo cenário, têm que fomentar a demanda por serviços mais avançados.

De olho no movimento dos competidores e no que ocorre nos países desenvolvidos, as teles fixas avaliam o melhor caminho a seguir. Na Telemar, a hipótese de prover ela mesmo o serviço de distribuição de conteúdo, não só para internet mas para TV, é avaliada com carinho. “Há licenças de TV por assinatura disponíveis na maioria das capitais da nossa área”, comenta Iabrudi. E, do ponto de vista regulatório, não há impedimento para a compra dessas licenças. Tanto que a Telmex, controladora da Embratel, é sócia da NET Serviços.

Desregulação x controle

A distribuição de conteúdo pelas diversas redes estará entre os temas polêmicos que vão integrar a pauta de discussões do grupo de trabalho interministerial (GTI) e do Conselho Consultivo, que reunirá representantes da sociedade civil. Os dois grupos foram criados, por portaria publicada ontem, para elaborar o projeto da Lei de Comunicação Eletrônica de Massa. Nesses dois plenários – e, em especial, no Conselho Consultivo, que será coordenado por André Barbosa, assessor especial da Casa Civil –, os embates prometem ser duros. As empresas de radiodifusão aberta já iniciaram a queda-de-braços com as operadoras, na defesa de seu monopólio na distribuição de conteúdo. Nesse movimento, contam com a simpatia do ministro das Comunicações, Hélio Costa, favorável à regulamentação da distribuição de conteúdo pelas operadoras, por meio da taxação.

Mas há, dentro do governo, quem prefira o caminho que vem sendo percorrido pela Comunidade Européia. A comunidade encerra, em 5 de setembro, a fase de consultas para a definição das regras para o conteúdo audiovisual que vão substituir a Diretiva da TV sem Fronteiras, de 1989. De acordo com Viviane Reding, comissária da UE responsável pela sociedade da informação e mídia, “as novas regras devem criar oportunidade para o conteúdo multimídia explodir no mundo, com aumento da competição e das possibilidades de escolha do consumidor”.

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