Teles esperam um 2016 menos difícil


Todas as operadoras se prepararam para um 2015 difícil, mas a conjuntura revelou-se mais adversa do que esperavam. “Sabíamos que a conjuntura macroeconômica seria adversa, mas o cenário acabou mais complicado do que as projeções”, comenta Rodrigo Abreu, presidente da TIM. Em relação a 2016, a posição dos executivos de operadoras é de cautela. Mas da mesma forma que a crise avançou mais rápido do que se esperava, Jason Inácio, diretor de Escritório de Transformação da Oi, acha que é possível que o país também saia mais depressa da crise. De qualquer forma, trabalham com um cenário econômico de dificuldades para 2016, mas um pouco mais ameno do que o de 2015. Tanto TIM como Vivo já anunciaram que vão manter os investimentos programados. No caso da TIM, R$ 14 bilhões no triênio 2015/2017; no da Vivo, R$ 25 bilhões no mesmo período 2015/2017

Na avaliação de Rodrigo Abreu, o que mais impacta negativamente o setor é a inflação, ao redor de 10% no ano, porque tanto afeta os custos quanto as receitas, com a redução do consumo. Entre os custos diretamente afetados, está o de pessoal, já que os reajustes salariais sempre compensam a inflação e costumam embutir algum ganho. Enquanto a TIM preferiu não mexer em pessoal, Vivo e Oi fizeram ao longo deste ano enxugamento de suas estruturas. As demissões foram de cerca de 2,4 mil empregados na Vivo e mais de 1, 2 mil na Oi.

“Já há um certo consenso entre analistas e economistas que a inflação em 2016 vai refluir”, diz Abreu, ao explicar porque acredita que no ano que vem será difícil, mas um pouco menos do que este ano. As outras variáveis – crescimento e apreciação do dólar – tem menos impacto no setor. O crescimento do PIB (que será negativo) influi menos, segundo Abreu, porque comunicação se tornou um bem essencial. “Se é para cortar no consumo, as pessoas preferem deixar de ir ao cinema do que cortar o celular. Podem gastar menos, mas não cortam”, diz.

A elevação do dólar tem impacto, pois parte dos equipamentos de rede e os aparelhos são importados. Mas o movimento de produção local, estimulado por políticas governamentais dos últimos anos, de certa forma protegeu um pouco a indústria. E o aumento dos aparelhos é repassado para o consumidor. “No nosso caso esse item significa 2% da receita”, diz Alberto Horcajo, vice-presidente financeiro da Vivo. “O impacto não é relevante”.  Nas despesas operacionais como um todo, o impacto do câmbio foi de 7%.

A escalada dos juros também não tem tanto impacto quanto a inflação. Boa parte das dívidas das operadoras é em moeda forte e está bem protegida, alegam os executivos. “O impacto é sobre a parte da dívida contratada no Brasil, pois comparados com os juros daqui alguns juros da Europa são miseráveis”, compra Inácio, da Oi. Já a TIM é uma das que está melhor posicionada em relação ao endividamento, na faixa de 0,5 do Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, amortizações e depreciações). “Do ponto de vista da gestão da dívida hoje temos alguma flexibilidade, o que nos permitiu fazer uma proteção em dólar”, relata Rodrigo Abreu, presidente da companhia.

Controle de custos

A explosão do preço da energia pesou muito nos custos das operadoras. Horcajo revela que, do final de 2014 até setembro deste ano, a elevação foi de 54%. Para enfrentar o aumento, a companhia adotou medidas de substituição de infraestrutura de rede tanto fixa como móvel para conseguir maior eficiência energética, e otimizou o uso de recursos de rádio onde tem menos atividade durante a madrugada. “Tivemos economia, mas nada que compense o peso dos aumentos”, informa.

Também na Oi o consumo de energia mereceu uma política especial de economia dentro das atividades do chamado Escritório de Transformação. Do desligamento do ar condicionado e luzes nos escritórios, a partir das 19 horas, à revisão dos processos de relação com as companhias elétricas, passando por um conjunto de esforços, como o desligamento de 150 servidores que tinham baixa utilização. “Conseguimos reduzir em 10% o consumo”, revela Inácio. Já a TIM recorreu, entre outras medidas, aos biosites – a antena é instada dentro de um poste –, que consomem menos energia, além de exigir um espaço de implantação muito menor (economia de aluguel do terreno). Os biosites já estão instalados em 19 cidades. Foram desenvolvidos para reforçar a cobertura de rede, mas acabaram ajudando a economizar energia.

Na Oi, as medidas de redução dos custos de energia não são isoladas. Fazem parte de um processo iniciado em setembro do ano passado de revisão de todos os processos da empresa para a companhia conseguir maior produtividade e eficiência operacional. “O Escritório tem uma atuação forte na linha dos custos. Fazemos uma reunião semanal com representantes de todas as áreas onde analisamos as despesas propostas, avaliamos o que faz sentido, o resultado que vai ter. Vamos sair da crise com a empresa mais preparada para o futuro”, diz Inácio. O Escritório começou com 130 atividades e hoje já são 400.

Também na TIM a decisão de revisitar todos os processos da companhia, avaliar os serviços prestados por terceiros e o que merecia continuar fora ou deveria ser desenvolvido pela própria companhia, começou bem antes da crise.  Dessa revisão fazem parte também as políticas relacionadas à tecnologia da informação. Há três anos, por exemplo, a companhia começou o processo de virtualização do data center. “Hoje 70% dos nossos servidores são virtualizados”, conta Abreu.

Inadimplência

Tanto a Oi como a TIM registraram um pequeno aumento da inadimplência, mas segundo seus executivos o impacto foi pequeno. “As receitas com assinantes continuaram crescendo, mas a receita global foi impactada pela redução da taxa de interconexão, o que já era previsto”, diz Abreu, da TIM. Inácio, da Oi, também comenta que o efeito da inadimplência foi marginal das receitas da companhia, que procurou se proteger focando em clientes de maior valor.

Já na Vivo, nos dois primeiros trimestres, a inadimplência teve impacto mais expressivo, de acordo com Alberto Horcajo. Historicamente em 2% das receitas, a inadimplência subiu para quase 2,5%. Para trazer a inadimplência para o patamar anterior, a empresa adotou medidas mais restritivas de crédito e também decidiu focar mais em clientes de maior valor do que no aumento da base. A expectativa de Horcajo é que os resultados já comecem a aparecer nos números do terceiro trimestre, ainda não divulgados.

Para 2016, Horcajo diz que a empresa planeja uma série de medidas de simplificação, unificação e melhoria de processos internos para avançar nos ganhos de eficiência e produtividade. Sua expectativa é de que a base cresça, no ano que vem, a metade da taxa de expansão que vem registrando, “mas com aumento do resultado”.

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1 Comment

  1. Lucas Mosca
    19 de outubro de 2015

    Com a oscilação do custo de energia no País, medidas como às adotadas pela Oi requerem bastante atenção – afinal, em alguns casos, ela pode responder por quase todo o total de consumo das fontes de demanda de energia de TI. Por isso, torna-se cada vez mais imprescindível um amplo destaque à eficiência energética, sobretudo, na implementação de data centers – como mostra este paper recente: http://bit.ly/1K1yFls.

    Lucas Mosca, comentando em nome de IDG Brasil e Schneider Electric