Teles e TV: para além de bits e bytes.


A digitalização é a grande estrela dos mercados de telecomunicações, TV e conteúdo. Se tudo passa a ser transmissão de bits e bytes, unindo os três segmentos, separa-os entendimentos conflitantes sobre serviços. Na verdade, resume Alexandre Annenberg, diretor executivo da ABTA, o x da questão está na prestação de serviços e nos modelos de negócios. …

A digitalização é a grande estrela dos mercados de telecomunicações, TV e conteúdo. Se tudo passa a ser transmissão de bits e bytes, unindo os três segmentos, separa-os entendimentos conflitantes sobre serviços. Na verdade, resume Alexandre Annenberg, diretor executivo da ABTA, o x da questão está na prestação de serviços e nos modelos de negócios. “Triple play, qualquer um oferece. Os obstáculos são mercadológicos”, afirmou ele na abertura da ABTA 2006, hoje, 1º de agosto, em São Paulo. A seu ver, as teles querem oferecer conteúdo audiovisual, mas não conhecem o perfil do usuário que o consome; a TV aberta quer interagir com os espectadores, mas não dispõe de sistemas endereçáveis; a TV paga quer prover telefonia universal, mas não tem plano de numeração.

Para Annenberg, as teles, por lei, não podem fazer TV a cabo; a TV aberta não pode explorar canal de retorno para interatividade com o espectador; o que diferencia a TV por assinatura é a excelência de seu relacionamento com o cliente. “Como remover essas pedras?”, indaga o diretor da associação. Responde: com a revisão da regulamentação, dentro de um “cronograma aceitável para a mudança”. Mas, emenda, o mercado não pode esperar. E aponta caminho alternativo para o triple play: parcerias entre os radiodifusores (conteúdo), teles (capilaridade da rede), TV paga (entrega de conteúdo). “Vamos partir para a sinergia e complementaridade, ao invés de competição sangrenta. Uma saída realista, com novos ganhos para todos. Por isso, saudamos as teles”, acrescentou Annenberg.

Ao prefeito Gilberto Kassab, de São Paulo, o diretor executivo da ABTA pediu apoio à reforma tributária para tirar dos ombros das empresas de TV o peso do ICMS (25% ou mais), substituindo-o pelo ISS (0,5% em cidades como a paulista Barueri, ou até 5% na cidade de São Paulo). Kassab, de seu lado, anunciou que está sendo montado um grupo na PMSP, reunindo provedores de TV paga e operadoras de telecomunicações para estudar um suporte à cidade.

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