Telemar: o full billing terá resultado neutro a longo prazo.


Se a remuneração pelo uso da rede móvel cresceu substancialmente, em função do full billing, os custos associados à mudança também aumentaram significativamente. Por isso, o resultado da medida é basicamente neutro, à longo prazo. “O Ebitda é o mesmo, com acréscimo de receitas e despesas", disse José Luiz Salazar, diretor de finanças e relações …

Se a remuneração pelo uso da rede móvel cresceu substancialmente, em função do full billing, os custos associados à mudança também aumentaram significativamente. Por isso, o resultado da medida é basicamente neutro, à longo prazo. “O Ebitda é o mesmo, com acréscimo de receitas e despesas", disse José Luiz Salazar, diretor de finanças e relações com investidores da Telemar, em teleconferência com a imprensa hoje, 26 de outubro.

No terceiro trimestre, a remuneração do uso da rede móvel foi de R$ 223,5 milhões, versus R$ 61,6 milhões no trimestre imediatamente anterior, e R$ 68,1 milhões no 3T2005. Já os custos e despesas (ex-depreciação e amortização) no trimestre encerrado em 30 de setembro subiram 10,3% sobre  o anterior e 11% em comparação com idêntico período do ano passado. Nessas rubricas, o principal aumento foi na interconexão (R$ 794 milhões, 35% a mais no trimestre, 32% no ano), em função do full billing, em vigor desde 14 de julho deste ano.

Com a mudança, explicou Salazar, a Oi teve que programar a desativação de alguns serviços corporativos antes atrativos, como o by pass nas ligações fixas para móveis. “Como esse cancelamento leva tempo para ser concluído, num primeiro momento, temos despesas, ou seja, custos adicionais,” comentou o executivo. Em relação ao prejuízo da operação móvel (R$ 45 milhões no 3T06), com conseqüente margem negativa (4,6%), também resultou do cancelamento (right off) de estoques de aparelhos obsoletos.

Perdas e ganhos

Em relação à “leve” queda no lucro líquido da Telemar (R$ 269,6 milhões no 3T06, R$ 282,6 milhões no anterior e R$ 301 milhões no 3T05), seu diretor financeiro atribuiu à aquisição da licença da Way TV (mesmo que a negociação ainda não tenha sido concluída), além de despesas regulatórias, entre as quais R$ 160 milhões anualizados referentes ao aluguel da licença do prestador do STFC (cerca de 1% da receita da operação fixa, durante os 20 anos de vigência do novo contrato de concessão), além do custo da própria renovação (R$ 400 milhões anualizados).

Esses gastos, contudo, foram compensados, entre outros fatores, pelo Velox (serviço de banda larga da operadora), além de redução de custos da empresa no período. Salazar ainda mencionou o fato de que em julho, a indústria fixa, pela primeira vez, teve reajuste tarifário negativo. “Esses elementos, porém, não vão perdurar”, observou ele. Quanto à queda na margem Ebitda, o executivo explica que foi conseqüência dos mesmos fatores, acrescido da redução da TU-RL (tarifa da longa distância) em 40%.

Reestruturação

Salazar considera que o resultado da próxima assembléia da Telemar que vai aprovar (ou não) a reestruturação acionária é imprevisível. Hoje, três acionistas minoritários dos EUA já se manifestaram contra. E, no caso de desaprovação da proposta, a companhia ficará como é hoje. Sobre uma hipotética aquisição da Brasil Telecom, apesar de ser uma “boa idéia”, agora está fora de cogitação. Porque a legislação vigente não permite o negócio e porque o foco da Telemar, no momento, é a reorganização acionária.

A Telemar, na avaliação de seu diretor financeiro, está otimista em relação à aprovação da compra da Way TV pela autoridade regulatória e tem expectativa da manifestação da Anatel em um a dois meses. “A aquisição seria positiva para o mercado, para evitar o monopólio do triple play que a NET defende”, argumentou.

Comentando o boato que corre no mercado segundo o qual a Telefônica estaria adquirindo a TVA, Salazar lembrou que a parceira da Telemar com a operadora é para transporte e, caso se efetive a aquisição, há um acordo a ser cumprido. Sobre o VoIP, disse que se trata de um produto “de defesa”, que só será expandido se necessário. O executivo apontou, ainda, que o encolhimento da rede fixa vem diminuindo trimestre a trimestre, graças às facilidades de entrada de novos clientes proporcionadas pelas ofertas da empresa, como planos econômicos e alternativos, possíveis de implementação, inclusive, em função do baixíssimo nível de PDD (provisão para devedores duvidosos) – que representou 1,5% da receita bruta no terceiro trimestre (R$ 94 milhões), em comparação com participação de 2,3% no trimestre anterior, e 2,1% no 3T05.

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