Telemar: a competitividade passa pela consolidação


{mosimage}A consolidação é fundamental para a Telemar poder disputar espaço com a Telefônica e a Telmex. Como está convencido de que esse é o caminho, Luiz Eduardo Falco, presidente da operadora, diz que o país não pode perder a oportunidade de ter uma poderosa empresa nacional de telecomunicações. E que o jogo tem que ser rápido.

Maior operadora brasileira de telecomunicações em receita líquida e número de acesso fixos em operação, mas não em rentabilidade, a Telemar sabe que se não ganhar musculatura para competir com a Telefônica e a Telmex, que têm escala pelo menos regional, vai enfrentar problemas no médio prazo. Por isso, mesmo tendo frustrada sua expectativa de pulverização das ações e, assim, buscar recursos no mercado de capitais para se expandir, ela não abandonou a estratégia de crescer via consolidação, por meio da compra de ativos. As coisas ficaram mais complicadas, porque a expansão está limitada à capacidade do caixa da empresa. Mas Luiz Eduardo Falco, presidente da Telemar, continua focado no mesmo objetivo. Quer construir, através da compra da Brasil Telecom e de outros ativos, como Telemig e Amazônia Celular e mesmo a TIM, uma empresa poderosa, capaz de enfrentar ombro a ombro os competidores e, espaço conquistado, se aventurar em outros países da região.

Nesta entrevista ao Tele.Síntese, Falco diz que, no seu entendimento, a fusão da Telemar com a Brasil Telecom não depende de mudança na legislação – basta um decreto presidencial. Para que isso vire realidade, insiste em que as autoridades precisam traçar as política públicas pensando no médio e longo prazo e que, se a oportunidade for perdida, não haverá outra.

Enquanto busca apoio político à sua tese, Falco concentra energia e recursos no desenvolvimento de pacotes multisserviços ou multiplataformas, para oferecer a seu cliente a possibilidade de comprar diferentes serviços num só pacote ou de usar o mesmo serviço, o crédito de voz do celular, por exemplo, a partir de plataformas distintas. No caminho para a convergência, o que falta à Telemar é a distribuição de vídeo, que entrará em seu cardápio tão logo consiga que o regulador dê anuência à compra da operadora de cabo Way Brasil, adquirida em leilão no ano passado. Dos R$ 2,4 bilhões que a empresa vai investir este ano, R$ 400 milhões são para a distribuição de vídeo. “É um investimento modesto, mas queremos ir com cautela na prestação desse novo serviço”, diz ele.

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Tele Síntese  Passado o episódio do fracasso da tentativa  de pulverização de ações da Telemar, qual é a estratégia a partir de agora? Você vão fazer nova tentativa de ir ao mercado ou vão abandonar esse caminho?

Falco – Esse caminho está abandonado. Não vamos fazer nenhuma tentativa de ir ao mercado para tentar a repetir a operação, não a curto prazo. O que nós queríamos criar era um veículo que pudesse gerar uma empresa nacional de telecomunicações forte. Quando você pulveriza emissões de ações, e emissões de ações são uma moeda interessante, você atrai muito investidores para financiar a expansão da empresa através do mercado de capitais, que está muito líquido hoje. O fato de não termos conseguido fazer a operação, não muda nada os planos estratégicos da companhia. Do lado operacional, nós vamos continuar fazendo convergência fixo-móvel, banda larga, etc., vamos continuar brigando pelos nossos direitos de entrar na distribuição de conteúdo com a compra de uma operação de TV a cabo – estamos esperando a decisão do regulador – e com IPTV. Afinal de contas, nós temos uma rede e o mercado demanda conteúdo.

Do ponto de vista estratégico, vamos tentar continuar a participar do jogo de consolidação. Só que agora nós vamos ter que estar mais dependentes do caixa que a empresa gera. Na proposta anterior da pulverização das ações, estaríamos independentes do nosso caixa.

O fato de a proposta não ter sido aprovada, na minha visão, só gerou perdedores. Mesmo aqueles acionistas que votaram contra, perderam muito dinheiro com a queda das ações depois que a proposta foi derrotada. Se tivesse sido vitoriosa, mesmo com a diluição, todos ganhariam porque as ações iam subir. Mas não adianta chorar o leite derramado. Temos que ir em frente, e nós vamos usar o caixa da companhia para fazer as inversões necessárias para tentar criar uma empresa competitiva. Se não fizermos isso, estou convencido de que, dentro de alguns anos, não teremos escala e, sem escala, ficaremos muito prejudicados nesse jogo. Estamos falando de um jogo importante, global, que já tem dois players muito fortes, o mexicano e o espanhol.

Tele.SíntesePara estar no jogo da competição, em que prazo tem que ocorrer a consolidação por meio da compra de outras operadoras?
 
Falco – Acho que não pode passar de quatro anos. Tudo vai depender das possibilidades, da disposição de venda dos ativos que estão no mercado, da alavancagem do nosso caixa, mas o movimento tem que ser rápido, se possível neste ano. Esse processo está acontecendo e a gente não pode retardar esse movimento.

Tele.SínteseO que é mais estratégico para a Telemar, a compra da TIM, que está à venda, ou da Brasil Telecom, que quer participar da compra da TIM?

Falco – São ativos diferentes, que trazem um custo-beneficio diferente. A TIM, hoje, está à venda; a Brasil Telecom hoje não fala sobre isso, até que tenha seu problema regulatório resolvido. Para a criação dessa plataforma que estou defendendo, se pudéssemos sonhar com todos esses ativos juntos parece que faz mais sentido. Mas a combinação de dois a dois também é muito boa, Seria melhor ainda se conseguissemos as três juntas, mas isso depende de muitas vontades, muitas negociações e, obviamente, do concorrente. Tem gente correndo atrás e tentando comprar esses ativos também, não estamos no mercado sozinhos.

Tele.SínteseVocê não vê barreira regulatória na possível compra da Brasil Telecom pela Telemar ou na fusão das empresas?

Falco – Estamos convencido de que para a Telemar poder comprar a Brasil Telecom, para haver uma fusão, basta um simples decreto presidencial. É uma questão só de vontade política e de as pessoas adquirirem consciência de que, a médio e longo prazo, essa operação é muito boa para o Brasil, porque vai gerar uma empresa brasileira competitiva. Nós temos o mercado e o expertise, mas não podemos perder a oportunidade. Se perdermos a oportunidade não haverá outra; depois, não adiantará se arrepender a não ser que você fique brincando de Hugo Chaves, e estatize as empresas. Mas não é por aí que o país deve caminhar. Agora, temos uma chance na mesa.

Tele.Síntese Quando você fala em criar uma empresa nacional forte, com capacidade para enfrentar a Telefônica e a Telmex no mercado interno e com possibilidades de disputar mercado fora do país. Acredita que ainda há espaço na América Latina, para além desses dois competidores?

Falco – Se conseguirmos disputar espaço dentro do Brasil, vamos ter condições de disputar fora do Brasil. Se abrirmos mão de disputar dentro do Brasil, aí, com certeza, não haverá espaço fora. O Brasil, por si só, tem peso suficiente para dar escala  para uma companhia que queira ter realizações expansionistas. Conseguimos fazer isso com outros segmentos da indústria. No setor especifico de telecom, não se considerou, na privatização, que fosse importante ter uma empresa nacional que pudesse se expandir para a região. No processo, acabamos criando empresas nacionais, com clientes, expertise, e, agora, temos a chance de criar essa empresa poderosa, forte, que possa competir de igual para igual com esses grupos estrangeiros. Eles são competidores muitos bons, sofisticados e com uma escala muito grande.

Tele.SínteseQuando você fala sobre a necessidade de consolidação para poder poder disputar o mercado, sem ser engolido, quantos competidores imagina que vão sobreviver?
 
Falco – Vejo no horizonte de curto prazo, no máximo três plataformas competindo. Quando falo de plataforma, falo em móvel, fixo, internet, distribuição de vídeo. Com certeza, o grupo mexicano é um que está bem posicionado aqui e na América Latina; outro é o grupo espanhol, bem posicionado na América Latina e um pouquinho na Europa e na Ásia. Ele veio para ficar. E o terceiro grupo seria esse grupo brasileiro com junção de Brasil Telecom e Telemar, eventualmente com outros ativos, como Telemig e Amazônia Celular e TIM, se for possível criar essa outra plataforma. Acho que tem espaço para essas três plataformas. Na maioria dos países da região existem duas plataformas, mas o mercado brasileiro é muito forte. Se a plataforma nacional conseguir competir bem aqui dentro, tem chances de ir para fora e tentar disputar alguns mercados marcantes, por exemplo, a Argentina que nós conhecemos mais do que os outros.

Tele.Síntese Ao falar em plataformas e competidores, você frisou que só sobreviverão empresas com plataformas multisserviços, que incluam a distribuição de conteúdo. Como você vê a questão do conteúdo no novo cenário das telecomunicações?
 

Falco – Há, claramente, no que se refere ao conteúdo, dois segmentos. Um que produz conteúdo, e que, no Brasil, conta com boas empresas, como a Rede Globo, e o segundo que distribui conteúdo em plataforma multiacesso. O nosso segmento é o da distribuição de conteúdo via celular, banda larga ,TV a cabo, etc. Não vamos entrar na produção de conteúdo, não é o nosso segmento de atuação. Vamos, eventualmente, estimular o segmento da produção, permitindo ter outros produtores independentes. O país é bom nessa área, tem gente muito criativa. O que temos que garantir é o multiacesso. A internet já mostrou que se você tem um acesso com menos limitação que os atuais, você permite que a criatividade se manifeste e gere riquezas.

A gente vê, na internet, grandes sacadas, grandes riquezas, porque a distribuição é muito fácil, o que leva a um crescimento explosivo dos sites, por exemplo. Com diversas plataformas, fenômeno semelhante vai se dar. Obviamente vai continuar o consumo de jornalismo, de novelas, esportes, mas pode, eventualmente, haver outros consumos, outros novos nichos bastante interessantes, como jogos, coisas culturais, religiosas e outras novidades que as pessoas inventam e que serão distribuídas por essas plataformas multiacesso.

Tele.Síntese Hoje, vocês já têm algumas iniciativas nessa área, como rádio na internet, conteúdo no celular. Essa linha de negócios já tem algum peso na receita?

Falco – Como tudo que é novo, a receita é marginal, mas as reações de mercado são positivas e o crescimento de alguns serviços é explosivo. É só olhar o banco no celular. Há outros exemplos. Serviços de música, de games também são muito bem aceitos pela nova geração. Se colocarmos mais imagens, vamos chegar nos esportes, nas notícias, no fundo um grande conteúdo de entretenimento em grandes plataformas de distribuição, para atingir vários segmentos.

Tele.Síntese
Qual a importância, para a Telemar, da compra da WayTV, que ainda depende da anuência da Anatel?

Falco – Nós temos rádio, internet, mas não temos TV, então nós precisamos entrar no mercado de distribuição de vídeo porque o consumidor assim o quer. Essa aquisição foi através de uma licitação pública, e estamos absolutamente dentro do que diz a legislação. Estamos só aguardando a manifestação prévia do regulador, que já está demorando um pouco e começa causar problema para a própria operadora de cabo. Entrar no mercado de distribuição de vídeo é extremamente importante. E queremos entrar não só através dessa operação de TV a cabo, mais com nossas bandas largas. Acho que vamos conseguir levar conteúdo de TV para outras áreas não cobertas por TV a cabo, atingir mais não só a classe B, mas também a C. É bom para a Telemar, mas será muito bom para quem produz conteúdo.

Tele.SínteseAlguns dirigentes da Anatel defendem a tese de que as concessionárias, para prestarem outros serviços , como o de vídeo, teriam que dar contrapartidas. Entre elas, fala-se na desagregação da rede, ou seja, separar o serviço de infra-estrutura de rede da prestação dos serviços. Como você vê esse movimento?
 
Falco – A desagregação de rede foi feita na Inglaterra. Mas, às vezes, o que é bom para a Inglaterra pode não ser bom para o Brasil naquela hora. Do ponto de vista legal, a  desagregação de rede não está prevista nos contratos de concessão. Então, temos um problema legal. De outro lado, é importante entender qual é o mercado que nós temos. Nosso mercado relevante é diferente do mercado inglês. Como as concessionárias têm uma parte de implantação muito grande, elas podem levar serviços mais rápido do que qualquer outra empresa com a rede agregada ou desagregada.

Se você olhar o modelo inglês, a desagregação foi feita quando a longa distância não existia mais, a migração da voz para o celular já tinha acontecido muito mais fortemente e, na verdade, tinha-se uma rede muito ociosa. Ou seja, a desagregação visou trazer uma remuneração mínima sobre aquela rede quase que no atacado. Tanto que houve uma participação importante da British Telecom, a incumbent e dona da rede, nessa desagregação, do ponto de vista do modelo de negócio.

O Brasil está numa fase muito diferente. Apesar da migração da voz para o celular, do sucesso do celular, o serviço ainda tem uma cobertura muito inferior à da rede fixa. Pelo fato de não estarmos no mesmo estágio, a desagregação, neste momento, coloca uma confusão a mais no sistema. Ela pode fazer sentido daqui alguns anos, mas hoje não faz o menor sentido. Temos que usar a capacidade de implantação das concessionárias para expandir os serviços que estão aí disponíveis e gerar mais riqueza, muito mais rápido.

Tele.SínteseA preocupação de vocês, em relação à desagregação da rede, é com o aumento da competição?

Falco – Não, não estou preocupado com a competição porque ninguém quer competir em Piri Piri, todo mundo quer competir no Leblon, onde a competição já existe. Basta ver que, na banda larga, a Net tem metade do market share em bairros nobres do Rio de Janeiro, como o Leblon. Se se fizer a desagregação da rede, em Piri Piri não vai acontecer nada, porque ninguém quer ir para mercados onde não há retorno econômico, onde a concessionária está presente em função das metas de universalização, por obrigação contratual. Por isso, não faz sentido a desagregação de rede agora. Como disse, temos que aproveitar essa capacidade de mobilização das concessionárias para desenvolver vários serviços. Eu acho que tem uma confusão em relação ao que é desagregar a rede e por que. As concessionárias, de uma maneira geral, vão querer entender o que elas ganham com esse tipo de desagregação, não prevista no contrato. Vincular a permissão de prestação de novos serviços pelas concessionárias à adoção da desagregação, criar esse tipo de condicionante, não é bom para o desenvolvimento do mercado.

Tele.Síntese
E em relação às novas redes? O Roberto Lima, presidente da Vivo, vem defendendo que, em função dos elevados investimentos necessários e da baixa rentabilidade das celulares, seria importante que, na construção de novas redes, principalmente em mercados de médio e baixo retorno, o empreendimento fosse coletivo e compartilhado entre as operadoras…

Falco – É preciso ver quem vai bancar o investimento. É bom lembrar que quando o investimento faz sentido econômico, não são necessárias regras. As empresas vão e fazem, competem, etc. Quando não faz sentido econômico, normalmente tem que vir via dinheiro público. E, nessa situação, não acho que funcione colocar um sem número de implantadores, porque gera confusão. A melhor implantadora construída até agora é a concessionária: que investiu muito, mas não fez tudo sozinha pois herdou uma infra-estrutura na privatização. Por isso, se o governo for construir uma rede de banda larga para universalizar o acesso, acho que faz muito mais sentido para o país usar as concessionárias, que são uma máquina de implantar. Elas vão complementar a rede onde não está instalada e onde não faz sentido econômico. Repito que, onde faz sentido econômico, não temos uma ou duas, mas quatro, cinco redes. As concessionárias são as grandes implantadoras de políticas públicas.

Tele.Síntese Quais são os investimentos prioritários da Telemar para 2007? Em termos de serviço, onde vão se concentrar os esforços?

Falco – Vamos continuar trabalhando na integração dos serviços, onde já estamos bastante adiantados. Hoje, um usuário da Telemar já compra mil minutos e fala em qualquer  plataforma que quiser. Vamos continuar nessa direção, e vamos tentar entrar fortemente na distribuição de conteúdo TV, que é o que falta integrar em nossos produtos.

Tele.Síntese
Isso inclui outras aquisições?.

Falco – Eventualmente outras aquisições, eventualmente entrar no mercado de IPTV, embora ache que o país deva esperar um pouco mais.

Tele.SíntesePor que?

Falco
– Porque as tecnologias de IPTV ainda estão sendo testadas , não tem nenhum grande operador… Como temos que dosar os investimentos, acho que avançar na TV a cabo, combinada com serviços de telecomunicações, é um bom caminho, vai permitir ampliar a penetração do serviço, sair da classe A e chegar na classe C, oferecendo um pacote mais barato e com menos canais. Hoje, a classe C não pode comprar o serviço porque é caro. E é caro porque não tem competição. Se tiver competição, vai cair o preço e o serviço poderá penetrar muito mais na sociedade. Por que? Da mesma maneira que a TV a cabo faz a telefonia ser barata, pois usa a sua rede para passar voz, a operadora de telefonia vai fazer a TV por assinatura ficar mais barata porque ela vai usar a rede de telefonia para passar TV. Com isso, nós vamos penetrar em classes que hoje não têm esse serviço.

Tele.SínteseVocê está falando de distribuição de TV sobre rede IP?

Falco – Sim. Mas antes de chegar à IPTV, você tem vários estágios. Pode ser uma réplica, em termos de serviço, da TV a cabo, ou pode ser um serviço mais sofiscado e interativo, que demanda investimentos muito maiores. Por isso, eu defendo começar pelo serviço mais simples. A rede já está aí, a tecnologia idem, o consumidor já está aí. Temos que resolver a questão da licença, a questão regulatória.
 
Tele.Síntese
Esse objetivo muda um pouco a distribuição do investimento previsto para 2007? De quanto é?

Falco – Nossa previsão de investimento é de R$ 2,4 bilhões,  mais ou menos o mesmo patamar dos últimos anos. O que você tem que entender é que uma rede como a daTelemar, com R$ 20 bilhões de ativos, demanda, anualmente, R$ 1,4 bilhão para ser mantida. É investimento vegetativo. Então, de verdade, a margem de manobra é muito para abaixo do valor total do investimento. Cai para R$ 1 bilhão, dos quais R$ 400 milhões em novos serviços onde entra a TV. É bastante modesto, mas a gente acha que tem que ir devagar nesse assunto.

Tele.Síntese Qual a sua receita para enfrentar a competição?
 
Falco – Estamos indo bem nos segmentos onde atuamos, mas se não tivermos rapidamente uma consolidação, não vamos ter escala para continuar enfrentando. Claramente no segmento de celular, por exemplo, o modelo de uma loja cada a cada quatro blocos, shows de rock na praia e subsídio pesado, é um modelo esgotado. Acho que ele foi bom na hora da penetração, para as pessoas terem acesso ao celular. Mas o cenário mudou, a coluna de penetração de celular diminuiu bastante, já existe um mercado muito grande de segunda mão de venda de celular, porque as cadeias de varejo passaram a distribuir os produtos. Esse é o caminho, são elas que têm de distribuir, não somos nós que temos que intermediar.

A  Oi foi a primeira operadora a sair da intermediação de aparelho. Foi um ato de coragem. Com isso, reduzi custos, o que me permitiu criar oportunidades para dar mais acessos para o cliente. Os R$ 4,00 ou R$5,00 que ele tem no cartão e não gastou, ele pode usar no telefone público, gastando 20 vezes menos por ligação. Temos que criar oportunidades de o cliente administrar os acessos. É óbvio que o celular é muito mais conveniente ao usuário do que o telefone público, mas um motorista de táxi, quando está no ponto, está ao lado de um telefone público. Esse exemplo é para mostrar que nós estamos competindo no serviço, muito menos no hardware e muito mais no software.

Tele.SínteseA manutenção da base, especialmente no celular, está muito ligada à qualidade do serviço, não é?

Falco – Sem dúvida. É cobertura, qualidade de serviço, precisão na conta. Há quase um ano, a Oi, entre as operadoras grandes, tem mantido muito boa posição no ranking da Anatel. Temos colocado bastante dinheiro nisso, tentando entender bastante o consumidor. A verdadeira competição está aí, e não no subsídio ao aparelho. Também na telefonia fixa, a Telemar melhorou muito sua posição na qualidade do serviço. Há alguns anos, ela tinha uma posição muito ruim e, hoje em dia, às vezes já disputa a liderança do ranking. O desafio é você conseguir manter esse desempenho, e melhorá-lo, com as modificações que vêm aí, como a transformação do pulso para minuto, bilhetagem  local. O consumidor vai passar por um período de transição para entender o que está acontecendo, e nós vamos ter que ter uma grande capacidade para explicar as mudanças, porque realmente elas não são simples.

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