Telefônica Vivo tem queda de 14% no lucro líquido


A Telefônica Brasil, que opera sob a marca Vivo no país, divulgou nesta manhã, 6, o resultado financeiro do primeiro trimestre do ano. Em relação ao mesmo período de 2019, a companhia apurou queda de 14,1% no lucro líquido, que somou R$ 1,15 bilhão. As receitas do grupo diminuíram 1,4%, para R$ 10,82 bilhões.

Conforme o relatório dos resultados,  a diminuição do lucro se deu em função da maior despesa de impostos no trimestre e maiores gastos com depreciação. Isso foi parcialmente compensado por redução de custos. A empresa registrou queda de 4,5% nos custos operacionais e, com isso, garantiu crescimento de 3,4% no EBITDA (o lucro antes de impostos, depreciações e amortizações).

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Quanto aos investimentos, a Telefônica realizou aportes de 1,64 bilhão (ex-IFRS) no período, 2,8% menos em relação aos mesmos meses de 2019. O montante investido foi, em sua maioria, destinado à expansão do footprint e adoção de FTTH e IPTV e ao reforço de capacidade nas tecnologias 4G e 4.5G, além dos investimentos em manutenção e conservação da rede.

Resultado Móvel

A empresa apresentou melhor desempenho no segmento móvel do que no fixo no começo do ano. Ainda assim, líder no segmento pós-pago, perdeu market share no período. Passou de 40,5% no primeiro trimestre de 2019, para 39 agora. No pré-pago, a participação cresceu, passando de 25,7% para 27,1%.

A Telefônica Vivo terminou o trimestre com 74,74 milhões de acessos móveis, dos quais 43,72 milhões eram pós-pagos (incluindo aí 10,4 milhões M2M), e 31,02 eram pré-pagos. A quantidade de chips ativados no pós subiu 6,6%, e no pré, caiu 4,6%. No M2M, o aumento foi de 19,8% na comparação ano a ano.

A receita média por usuário móvel caiu 5 centavos, para R$ 29, como reflexo da queda nas receitas. Houve redução na ARPU do pós-pago humano, enquanto no M2M e no pré, cresceu. A rotatividade (churn) mensal de clientes foi de 3,1%, menor 0,1 ponto percentual e caiu no pós. Ou seja, ficou mais difícil o cliente da Vivo nesta modalidade migrar de operadora.

Resultado fixo

Os números da Telefônica Vivo no segmento fixo tiveram retração acima da registrada no móvel. O total de acessos fixos caiu 14,6%, para 6,74 milhões. Na banda larga, saíram assinantes que usavam tecnologia aDSL, ainda maioria, o que levou a um encolhimento de 8,7% da base. A empresa teve grande crescimento na quantidade de clientes FTTH (30,%), que chegaram a 2,65 milhões.

Na TV paga houve o mesmo movimento. Clientes DTH, tecnologia a qual a companhia está abandonando, seguem sendo desligados. Com isso, houve queda de 15,7% na base do segmento, para 1,28 milhão de acessos. A IPTV, tecnologia baseada na fibra óptica (FTTH), cresceu 22%, e somou 753 mil clientes.

Na voz fixa, a empresa registrou retração de 17,9% no número de linhas ativas, para 10,30 milhões.

O resultado dessas variações foi uma queda no market share de banda larga fixa, TV paga, e voz.

Período / Segmento Mkt Share 1T20 Mkt Share 1T19 Variação a.a.
Banda Larga Fixa 20,80% 23,60% – 2,8 p.p.
FTTH 23,70% 31,20% -7,6 p.p.
TV por Assinatura 8,30% 8,80% -0,5 p.p.
Voz 31,30% 33,90% -2,6 p.p.

Quanto à receita líquida fixa, a companhia apresentou queda de 3,6%, para R$ 3,75 bilhões. Houve aumento de 6,6% da receita com banda larga, uma vez que clientes FTTH, onde cresceu, têm ARPU mais alto. Queda de 10,3% na receita de TV paga e de 18,8% em voz.

A companhia segmenta FTTH, IPTV, dados corporativos e serviços de TIC como “negócios que crescem”, enquanto aDSL, DTH e voz fixa são considerados “legados”. A separação mostra que há evolução de 8 p.p. na participação dos negócios que crescem nos resultados da empresa, enquanto os legados encolheram em proporção idêntica.

Covid-19

Assim como aconteceu com as concorrentes, a Vivo registrou, como impacto principal da pandemia de Covid-19 no primeiro trimestre, um tombo nas vendas de aparelhos. Na quinzena final de março as lojas foram fechadas temporariamente em muitas cidades em função das recomendações de isolamento social.

O resultado foi diminuição de 16,8% nas vendas de produtos. A inadimplência, por enquanto, não foi detectada. A Provisão para Créditos de Liquidação Duvidosa registrada no trimestre foi de R$ 455 milhões, crescimento em relação ao mesmo período de 2019 de apenas 0,3 p.p.

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