Telefónica quer novo modelo regulatório na Europa


Se a Europa quiser voltar a ser competitiva frente aos Estados Unidos e países asiáticos, ela precisa de um novo modelo regulatório para o setor de telecomunicações, que com suas estradas de alta velocidade é motor da economia moderna. Esse novo modelo passa pela revisão das regras atuais, onde há uma forte intervenção do regulador …

Se a Europa quiser voltar a ser competitiva frente aos Estados Unidos e países asiáticos, ela precisa de um novo modelo regulatório para o setor de telecomunicações, que com suas estradas de alta velocidade é motor da economia moderna. Esse novo modelo passa pela revisão das regras atuais, onde há uma forte intervenção do regulador com imposição de várias obrigações às incumbents, para que os investimentos voltem a ser estimulados. Em suma, o caminho adotado pela Comunidade Econômica Européia de sugerir aos reguladores nacionais a adoção da desagregação de rede, com regulamentação pesada na atividade de acesso e competição só nos serviços, vai na contramão do incentivo aos investimentos tão necessários.

Esse foi o recado dado por Carlos López-Blanco, diretor da área internacional da Telefónica S.A., durante painel sobre o ambiente regulatório europeu, realizado hoje à tarde, no Broadband World Forum Europe, em Bruxelas, na Bélgica. López-Blanco fez sua intervenção logo após a conferência de Julio Linares Lopez, COO da empresa. Bateu na mesma tecla, mas num tom mais duro. Criticou abertamente a política de Viviane Reding, comissária européia para a Sociedade da Informação e Mídia. Segundo ele, no ritmo atual de investimento, a Europa levará 20 anos para alcançar a infra-estrutura atual de banda larga super rápida dos Estados Unidos. Para acelerar o processo, são necessários 250 bilhões de euros de investimentos, que não surgirão, diz ele, num ambiente de baixa atratividade para o investidor.

Crise é oportunidade

Ao conclamar os reguladores a uma reflexão, López-Blanco disse que o cenário de crise econômica mundial pode ser um momento especial para o setor de telecomunicações, pois como nunca sua infra-estrutura é vital para ajudar a dar competitividade à economia européia e a superar as graves turbulências.

Objetivamente, como já vem fazendo em outros fóruns, a Telefónica defendeu um modelo regulatório mais próximo ao dos Estados Unidos, onde a intervenção do Estado no mercado é menor. A empresa é absolutamente contra a desagregação de redes, que considera responsável pelo não aumento dos investimentos em telecomunicações na Europa. Quer a competição entre plataformas e o máximo que admite, em termos de compartilhamento nos mercados competitivos, são os acordos comerciais envolvendo a venda no atacado.

* A joranlista viajou a convite da Alcatel-Lucent 

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