Telefônica Brasil busca sócio para construção de rede neutra


Nova empresa será responsável pela expansão da rede FTTH em cidades médias e terá 5 milhões de HPs até 2024. Negócio será fechado ainda este ano, com transferência de 1,1 milhão de residências para a carteira desta nova empresa.

Além de anunciar retração nos lucros no segundo trimestre, a Telefônica Brasil avisou nesta manhã, 29, que iniciou buscas por um sócio para criar uma empresa dedicada à construção e exploração comercial de uma rede fixa neutra.

“Acompanhando uma estratégia global do setor, e, visando expandir sua presença com rede FTTH no País, a Telefônica Brasil está avaliando a possibilidade de constituição de um veículo para construção e oferta de rede de fibra óptica neutra e independente para atacado”, diz a empresa, em comunicado.

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A informação havia sido antecipada no começo do ano, por executivos do grupo controlador na Espanha. Á época, explicou-se que a intenção é encontrar um fundo de capital disposto a financiar a construção de rede óptica FTTH em cidades médias.

“Este veículo, que poderá contar ainda com a participação de parceiros e investidores em seu capital social, terá como objetivo a aceleração da expansão da rede para novas localidades, através de um modelo de menor investimento para a Telefônica Brasil, e que captura valor pela penetração de terceiros”, explicou hoje a companhia brasileira, no comunicado ao mercado.

Metas

A nova empresa será criada e estará operacional já em 2021. A meta é que tenha 5 milhões de homes passed (residências aptas a assinar serviços de fibra) em quatro anos. A Vivo seria responsável pelo relacionamento com o cliente, e pagaria à nova entidade pelo uso da rede de fibra. Além disso, haveria o “carve-out” de 1,1 milhão de HPs para a nova empresa.

Estes clientes são de fora de São Paulo e não são clientes herdados da GVT. Serão mais de 200 cidades espalhadas pelo Brasil. A operadora continuará focada em rede própria no estado de São Paulo.

Segundo o CEO da Telefônica Brasil, Christian Gebara, a operadora seguirá investindo na expansão de rede própria FTTH. Ele confirmou, durante a conferência de resultados desta manhã, que os aportes do novo veículo serão focados em cidades médias. E disse que este ano a Vivo terminará o ano com 12,9 milhões de HPs, terá 17,8 milhões ao final de 2022, e 19 milhões em 2024.

Tendência

Vale lembrar que a empresa tem outras iniciativas que buscam reduzir o capex sobre a construção de redes. A companhia tem parceria com a American Towers para construção da rede de acesso em cidades de Minas Gerais. E adotou ainda o modelo de franquias, pelo qual ISPs constroem e operam a rede de banda larga FTTH, usando marca da operadora.

O movimento não é único no mercado. A TIM anunciou interesse igual, em buscar investidor para construção de rede fixa neutra. E o plano da Oi é criar uma unidade dedicada ao atacado que vai justamente atender todas as prestadoras de serviço, e cujo controle será vendido. O movimento das empresas é explicado pela necessidade de racionalizar o Capex e explorar as oportunidades de retorno que o setor de infraestrutura vem oferecendo.

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