Telefónica acompanha de perto movimentos da Telecom Itália/GVT


Fontes ligadas à operadora espanhola Telefónica dizem que a empresa acompanha de perto os movimentos da operadora italiana e não quer perder a segunda chance de comprar a GVT — a Telecom Italia fez oferta de uma proposta à Vivendi de fundir as operações da TIM Brasil com a GVT, operadoras suas controladas que atuam no mercado brasileiro. Tudo indica que, se for o caso, a operadora espanhola poderá aumentar a oferta que fez para a compra da GVT no valor de 6,7 bilhões de euros (Ou R$ 20,1 bilhões). Neste final de semana, a imprensa internacional divulgou que a Telecom Italia estaria preparando uma oferta de 7 bilhões de euros (ou R$ 21 bilhões).

De acordo com analistas, mais importante do que o valor da oferta é a sua qualidade. “Com o que a Telecom Italia vai pagar? Só com papeis? E que papeis? Qual é o risco?”, perguntam. De acordo com esses analistas, o risco de papeis da própria Telecom Italia é alto, pois a empresa está muito endividada.

Ainda de acordo com esta avaliação, as chances da Telefônica são maiores já que sua oferta envolve dinheiro, ações da Vivo e, se for opção da Vivendi, parte em ações que detém na Telecom Italia. Segundo as mesmas fontes, a Telefônica garante que não fez uma oferta hostil. Antes, teriam ocorrido conversações entre as duas empresas.

A oferta, válida até 3 de setembro, consiste em 60% em dinheiro e os 40% restantes em ações da Vivo, a marca da Telefónica no Brasil. Caso a Vivendi aceite a oferta, também terá a possibilidade de adquirir 8,1% da Telecom Italia, referente à quantidade de ações que a Telefônica detém na operadora italiana.

Histórico

O clima é de tensão, pois a operadora espanhola perdeu a GVT para a Vivendi em 2009, num negócio que acabou questionado na CVM. Esta abriu um processo contra a operadora GVT que comprovou que a controladora (Vivendi) não agiu conforme as regras do mercado brasileiro de capitais, tanto que o acordo firmado pela GVT, no valor de R$ 150 milhões para por fim ao processo, foi um dos maiores até hoje cobrado pela autarquia.

Em 2009, a Telefônica havia feito uma oferta pública de ações pela GVT. A Vivendi resolveu também adquirir a operadora-espelho brasileira e, em novembro, anunciou a aquisição de 37,9% da GVT, pagando R$ 56,00 por ação. A questão, contudo, é que a Telefônica, embora tivesse feito uma oferta inferior, teria fôlego e disposição para cobrir a oferta.

Só que a Vivendi, quando adquiriu esta participação minoritária, anunciou ao mercado brasileiro que tinha ainda uma opção de compra incondicional de outros 19,6% de ações da GVT, o que a faria deter 57,5% da GVT, tirando, assim, a Telefônica da jogada. Mas, na verdade, a francesa não tinha essas ações, que só foram adquiridas depois, conforme comprovado pela CVM brasileira.

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