Telefone para surdos cresce em vendas


A Lei de Cotas (nº 8.213/91) e outras leis que tratam de inclusão de deficientes de todos os tipos, e o aumento da conscientização da responsabilidade social das empresas, que buscam cada vez mais tratar igualmente todos os seus consumidores e clientes, podem impulsionar o mercado de produtos de telefonia específicos para este público. Segundo …

A Lei de Cotas (nº 8.213/91) e outras leis que tratam de inclusão de deficientes de todos os tipos, e o aumento da conscientização da responsabilidade social das empresas, que buscam cada vez mais tratar igualmente todos os seus consumidores e clientes, podem impulsionar o mercado de produtos de telefonia específicos para este público. Segundo o último censo do IBGE, de 2000, 14,5% da população brasileira possui algum tipo de deficiência, o que equivale a 24,6 milhões de pessoas. Um exemplo de mercado direcionado é a Koller, empresa especializada em tecnologia da comunicação para a comunidade surda e pessoas com deficiência auditiva.

Fundada há 11 anos, a empresa fabrica terminais de telefones públicos e comerciais/residenciais para portadores de deficiência auditiva. Chamados de TPS (Telefones Para Surdos), os terminais, que custam cerca de R$ 2 mil, possuem um teclado e visor acoplado, de modo que a comunicação telefônica possa se dar por meio de textos — que são lidos por uma operadora, no caso da ligação ser dirigida a alguém que escute, ou reproduzidos diretamente a outros terminais com a mesma tecnologia, para serem lidos. A empresa também fabrica orelhões com esta tecnologia, denominados TTS (Terminais Telefônicos para Surdos). Segundo Paulo Farah, gerente comercial da Koeller, a estimativa de vendas para 2007 é de 4 mil unidades de TTS e de 15 mil TPS. Ele avalia que o tamanho do mercado seja de 6 milhões de pessoas, de acordo com o IBGE, mas “a FNEIS (Federação Nacional de Estudo e Integração do surdo) acredita que este número pode chegar a mais de 10 milhões, pois muitas pessoas que perderam a audição ao longo da vida não entram no censo, pelo menos até o próximo censo ou outra medição mais específica”, diz.

Sem informar números, Farah afirma que a expectativa é aumentar o faturamento em 80% neste ano, em grande parte devido à venda de dispositivos como despertadores que vibram e centrais de atendimento aos surdos, chamadas de CAS. Este aparelho permite que o deficiente consiga se comunicar com centrais de atendimento ao consumidor das empresas que possuam o dispositivo, utilizando TTS ou um TPS. Mais de 50 centrais de atendimento ao consumidor de todo o país possuem o aparelho, cujo preço varia de R$ 75 mil até R$ 350 mil, dependendo do tamanho e necessidade da empresa. A pessoa que recebe as ligações recebe um treinamento sobre cultura, linguagem e gramática específicas para atendimento a deficientes. Como deficientes auditivos têm dificuldades em distinguir perfeitamente alguns fonemas, raramente são usados artigos e preposições, e, para evitar confusões, palavras como cheque sem fundo, são substituídas por “cheque sem dinheiro”.

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