Telecom Itália sofre derrota da Vivendi em assembleia de hoje


A operadora francesa Vivendi, que trava uma acirrada disputa com alguns acionistas e com a diretoria da operadora italiana Telecom Italia fez barba, cabelo e bigode na assembleia de hoje,15. Bloqueou os planos de conversão das ações da italiana e incluiu mais quatro integrantes seus no conselho de administração da TI com o aumento, de 13 para 17 membros.

Os impactos desse resultado para a TIM Brasil, controlada pela Telecom Italia, ainda não estão muito claros, mas há algum tempo a imprensa estrangeira aposta que a operadora francesa quer também se desfazer da subsidiária brasileira, poi pretende se concentrar na produção de distribuição de seus conteúdos audiovisuais.

A Vivendi vendeu a GVT para a Telefónica, e com essa operação ganhou o controle da holding que mandava na Telecom Italia. Na assembleia de hoje, 15, com 55,7% dos acionistas representados, embora a maioria tivesse votado a favor da conversão de 6 bilhões de ações (na verdade, 62,5% dos presentes deram sim ao projeto) em ações ordinárias, este quórum não foi suficiente para se conseguir os 2/3 necessários para essa operação. A Vivendi já tinha anunciado que iria se abster de votar e 36,5% dos acionistas realmente não votaram.

Conforme a agência Reuters, o  presidente-executivo da Vivendi, Arnaud de Puyfontaine, disse na assembleia que enquanto sua companhia apoia o plano de conversão, quer mais discussão sobre seus termos dado o efeito de diluição que teria na fatia de 20,5% da Vivendi, que cairia para pouco mais de 16%

A derrota da conversão de ações pode ser encarada como um voto de “não confiança” na atual diretoria e Conselho da Telecom Italia, e inevitavelmente levantará questões sobre quanto tempo poderão sobreviver, mesmo que seu mandato seja até abril de 2017, disseram fontes à agência.

O Conselho da Telecom Italia aprovou a proposta de conversão de ações no mês passado, em uma iniciativa que ajudaria a empresa a levantar recursos. Mas também diluiria em cerca de um terço a fatia da Vivendi, assim como de Xavier Niel, fundador da operadora de baixo custo Iliad, que recentemente comprou opções de ações equivalentes a 15,1 por cento do capital da Telecom Italia.

Aumento de participação 

Conforme o comunicado ao mercado da TI, a  Vivendi conseguiu também aumentar o número de integrantes do conselho de administração, de 13 para 17, e incluir mais quatro nomes indicados por ela. Passarão a fazer parte do conselho  Arnaud Roy de Puyfontaine, Stéphane Roussel, Hervé Philippe and Félicité Herzog.

Defendendo a intenção de obter assentos no conselho em uma companhia onde o grupo francês investiu mais de 3 bilhões de euros, Puyfontaine chamou a Telecom Italia de “navio sem leme”, enquanto seu conselho não reflete a atual base acionária.

A vitória desse pleito da Vivendi pegou diferentes analistas de surpresa, tendo em vista que  fundos de investimento (que chegavam a representar 65% dos votos) se diziam contrários a essa proposta.

Por fim, a assembleia não concedeu a dispensa pleiteada pelos novos diretores de seguirem o Código Civil italiano no que se refere ao tratado de não competição.

 

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