Telecom Itália: nova oferta é recebida com cautela pelo mercado brasileiro.


O mercado brasileiro aguarda mais informações sobre a negociação entre a norte-americana AT&T e a mexicana América Móvil para a compra de dois terços da Olímpia – holding que controla 18% da Telecom Italia. O grupo Pirelli detém 80% da holding, e o grupo Sintonia, da família Benneton, 20%. A transação exclusiva, anunciada ontem, 1º …

O mercado brasileiro aguarda mais informações sobre a negociação entre a norte-americana AT&T e a mexicana América Móvil para a compra de dois terços da Olímpia – holding que controla 18% da Telecom Italia. O grupo Pirelli detém 80% da holding, e o grupo Sintonia, da família Benneton, 20%. A transação exclusiva, anunciada ontem, 1º de abril, envolveria uma oferta conjunta de 2,6 bilhões de euros.

Para Luis Minoru, diretor-geral do Yankee Group para América Latina, é precipitado fazer qualquer avaliação da oferta neste momento. Até porque, destaca Minoru, ainda faltam dados de como a transação se daria. “Com base nos comunicados não fica nem claro se as negociações se dão somente sobre a parte do grupo Pirelli ou se envolve também a parte da Sintonia”, afirma.

Mas, observa ele, já é possível fazer alguma previsão para o mercado interno. A Telecom Itália detém o controle da TIM e participação na Brasil Telecom e, caso o negócio seja fechado, para Minoru, fica óbvio que haveria uma fusão da operação da TIM e da Claro. A América Móvil já havia manifestado a intenção de adquirir a operadora celular da holding italiana. “Só o que causa uma certa dúvida é a afirmação (que circula na imprensa norte-americana) da porta-voz da América Móvil, Patrícia Ramirez, de que a oferta não implicaria a venda de ativos.”

Já Felipe Cunha, analista de mercado da Brascan, vai mais longe. Ele avalia que, caso esta negociação se concretize, a longo prazo, os efeitos serão positivos para mercado brasileiro, aumentando a rentabilidade do setor. Isso porque um competidor seria praticamente eliminado — já que haveria conflito de licenças de operação entre Claro e TIM. "Uma das duas teria que abrir mão da operação no país", arrisca. Cunha acredita que o modelo com três competidores faz mais sentido levando-se em consideração o poder aquisitivo do brasileiro, e cita que o mercado norte-americano, que tem um número menor de competidores do que o Brasil. 

Aval dos governos 

Até que esse cenário traçado por Cunha seja real, Minoru afirma que será necessária a aprovação dessa operação pelos organismos reguladores brasileiros. “A Anatel e o Cade, e possivelmente o Minicom, devem se pronunciar quando o acordo, que deve ser fechado nos próximos dias, for oficial.” Mas antes disso, o negócio precisa ser validado na Itália. Ao que tudo indica, o governo italiano não vai impedir o avanço das negociações. Em Roma, segundo informações do noticiário internacional, o ministro das comunicações italiano, Paolo Gentiloni, afirmou que o governo não vai intervir diretamente. "A preocupação existe, no entanto, porque a empresa é um ativo muito importante para o Estado", avaliou o ministro, diante de jornalistas, reforçando que "o mercado é livre mas o interesse coletivo será levado em consideração." Inicialmente, o governo italiano colocou restrições à venda da companhia para empresas ou fundos não-italianos, e posteriormente, para não-europeus.  

Oferta da Telefónica

Minoru destaca que a oferta da AT&T e da América Móvil na Olimpia é bastante delicada, independente das questões de regulamentação e concorrência. “O acordo entre duas empresas já é difícil; ajustar o interesse de mais do que três empresas é muito complexo.” De qualquer forma, a evolução dessa negociação poderia diminuir, e muito, as expectativas da Telefónica. A operadora espanhola anunciou, no mês passado, que tentava adquirir participação minoritária da Olimpia.

* Com noticiário internacional 

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