Para Santanna, apenas ações regulatórias não conseguem massificar banda larga.


A Telebrás tem um papel fundamental para garantir o acesso de banda larga a milhares de pequenas empresas em todo o Brasil. É o que defende  Rogério Santana, presidente da estatal, durante o seminário III Telcomp, realizado em São Paulo nesta terça-feira, dia 28.

Santana  está convicto da tese de que apenas ações reguladoras não conseguem garantir a universalização da banda larga. “A intervenção do governo se fez necessária, por exemplo, em países como Reino Unido e Austrália. Neste último país, uma única operadora detinha 95% do mercado e se baseava em práticas nefastas”, exemplificou. Para o executivo, a ação do governo é crítica para enfrentar monopólios naturais. E argumenta: “no Brasil, 95% dos acessos são feitos por apenas 5 redes. Quem não possui rede está fora desse mercado de banda larga”.

“Desconexão eterna”

O executivo citou uma pesquisa da NET que atesta que apenas em 184 cidades do Brasil – onde estão 83 milhões de pessoas – há competição na banda larga. Nas demais cidades, ou há o monopólio, ou simplesmente não há o serviço.  “Para elas, se dependermos das principais operadoras, haverá a desconexão eterna”, declarou.

Na avaliação de Santana, a Telebrás oferece ao mercado privado uma rede neutra para que pequenos ou grandes empreendedores possam se beneficiar de uma infraestrutura de 21 mil quilômetros de fibras já instaladas. “Isso fará o preço do mercado de banda larga baixar”, garantiu. De acordo com o presidente da estatal da banda larga, os preços cobrados hoje no Brasil, descontados os impostos, ainda são duas vezes mais caros do que os cobrados na maioria dos demais países. “Vamos levar o serviço onde ninguém mais atua, gastando menos do que gastou a Austrália em seu plano de universalização da banda larga.”

Para o presidente da Telebrás, não haverá restrição ao investimento privado na oferta da estatal. A empresa atuará como um catalisador de oportunidades para a iniciativa privada locais e regionais, principalmente com pequenos provedores e médias empresas, que passarão a competir para fornecer banda larga. Segundo ele, existem hoje 2.179 pedidos de licenças de SCM na Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), que representam apenas 5% do mercado. “Essas empresas não tiveram condições de efetivamente competirem no mercado. Agora, terão como participar”, garante. Para ele, quanto maior o número de parceiros da Telebrás, melhor. Na opinião do executivo, infraestrutura não é o negócio do futuro. “O verdadeiro negócio é o que vem depois dela, ou seja, a exploração da infraestrutura por serviços diversos e serviços de conteúdo”, conclui.

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