Tecnologia pretende reduzir o número de set-top boxes usados na TV paga


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Ilustração exemplifica o streaming de conteúdo realizado a partir das conexões baseadas em DLNA. (Divulgação)

Uma nova solução de conectividade entre aparelhos, em desenvolvimento há cerca de quatro anos, mas que chega ao mercado até dezembro, promete reduzir a necessidade set-top boxes em uma casa onde se assina TV paga. Ainda sem nome comercial, o padrão CVP-2, criado pela Digital Living Network Alliance (DLNA), permitirá que televisores, computadores, tablets, smartphones, se conectem a um único decodificador de TV por assinatura para reproduzir os conteúdos dos canais, ao vivo, ou sob demanda.

Quem aposta na nova tecnologia são 240 empresas, entre as quais, DirecTV, Samsung, Intel e Broadcom. Em março, a DLNA anunciou o esboço do padrão, que nada mais é que uma camada de software sob os sistemas operacionais dos dispositivos. Em setembro, o grupo iniciará o programa de certificação, para que fabricantes possam aderir ao ecossistema. A expectativa é que em dezembro já existam no mercado norte-americano produtos compatíveis com a tecnologia.

Além de reduzir a quantidade de set-top boxes em uma casa, a ideia pode diminuir o cabeamento, já que os conteúdos trafegam pela rede IP. Se o ambiente tiver WiFi, basta que os aparelhos estejam a seu alcance para reproduzirem os canais assinados. O CVP-2 terá também recursos de autenticação do usuário, para restringir o acesso aos canais assinados, e ferramentas de edição para o operador inserir publicidade conforme o aparelho usado. Trará DRM e ferramentas para que as operadoras controlem o acesso a canais conforme o plano do usuário.

Segundo Scott Lofgren, presidente da DLNA, “o sistema também reconhece o aparelho, escalonando o uso da banda”, explica. Ou seja, telas maiores e com melhor resolução recebem imagens naturalmente com mais qualidade do que telas pequenas com poucos pixels. Lofgren esteve na Feira e Congresso ABTA 2014, que aconteceu nesta semana, em São Paulo.

Os fabricantes terão duas opções: atualizar o firmware dos aparelhos que já contam com o sistema DLNA de transmissão de conteúdos, ou esperar que o consumidor compre novos equipamentos. “O melhor é ser conservador e esperar que a estratégia mais comum será incentivar a compra de novos aparelhos”, diz.

No mundo existem hoje 2,93 bilhões de aparelhos com tecnologia DLNA (sem CVP-2). A previsão é de que sejam 7,32 bilhões em 2018. São mais de 20 mil produtos certificados para sair de fabrica com o sistema. Na lista constam os mencionados TV, celulares e notebooks, mas também há refrigeradores, projetores, impressoras, roteadores, gateways, entre outros. 

O usuário mal percebe que o DLNA existe. O recurso permite colocar uma música para tocar na TV a partir do player do computador, por exemplo, sem necessidade de cabos. Permite fazer um projetor exibir um filme acessado no tablet, apenas com um comando, desde que ambos os aparelhos tenham DLNA. O padrão de conectividade, que permite a diferentes equipamentos, às vezes com sistemas operacionais diferentes, conversarem entre sim para transmissão de vídeos ou músicas é o DLNA.

O CVP-2 acrescentará ao repositório de conteúdo de um usuário o acesso à programação da TV. “É positivo para o consumidor porque poderá receber o conteúdo que quiser no dispositivo que desejar. Para o fabricante é interessante porque não precisará fazer aparelhos diferentes para operadores diferentes. E para o operador, não será mais preciso ter um set-top box em cada cômodo, ao mesmo tempo em que se tem mais olhos sobre seu conteúdo, em diferentes telas”, acredita o executivo.

 

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