Tarifa da telefonia rural será até 356% mais cara que a urbana


O usuário do serviço de telefonia rural, estabelecida pelo regulamento aprovado ontem (8) pela Anatel, vai pagar, por minuto, até 356% a mais que o cobrado na telefonia local urbana. Será o caso de um habitante de uma localidade distante 30 km da área de tarifação básica do estado de São Paulo. No plano pré-pago, o minuto ficará por R$ 0,34, enquanto na cidade, o minuto custa R$ 0,07 na telefonia fixa. Os valores foram calculados sem a adição de impostos.

No plano pós-pago, a alta é um pouco menor, de 336%, com minuto a R$ 0,32. Mas o usuário terá que pagar um compromisso mensal de R$ 32,61, que dá direito a 100 minutos grátis. Adicionando os impostos, a tarifa deve ultrapassar a R$ 0,50 por minuto.

A tarifa do plano pré-pago equivale ao valor cobrado pelo minuto na zona urbana, acrescido de 20% e mais o Valor de Uso de Meios Adicionais (VMA), com preço máximo definido pela agência de R$ 0,25134 no edital de licitação das faixas de 2,5 GHz e 450 MHz. No plano pós-pago, não é cobrado o adicional de 20%.

O VMA não é tarifa e seu reajuste deve ser proposto pelas próprias operadoras, enquanto o minuto é tarifado e, todos os anos, tem apresentado altas menores do que a inflação por causa do redutor – fator X – que compartilha os ganhos de produtividade das operadoras com os usuários. A preocupação dos conselheiros da Anatel é com a evolução do VMA, que pode elevar sobremaneira o custo da telefonia rural nos próximos anos.

Uma ideia aprovada ontem foi a de limitar a alta do VMA, atrelando seu percentual na tarifa no mesmo nível do atual, de mais de 75%. Essa limitação deve entrar no texto do regulamento.  A tarifa do orelhão na zona rural será igual a da área de tarifação básica, sem o acréscimo do VMA.

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