Startup BiPTT quer ocupar vácuo deixado pela Nextel no rádio


Projetado pelo Freepik
Projetado pelo Freepik

Embora a Nextel tenha agendado para março deste ano o desligamento completo de sua rede iDEN, o mercado do rádio push-to-talk não deve morrer. Há expectativa de que sobreviva como nicho. E que seja rentável. Essa é a expectativa dentro de uma startup brasileira lançada em dezembro e que levou o rádio PTT para nuvem a fim de encontrar seu diferencial.

A BiPTT é um spin off da Target, empresa do setor de telecomunicações especializada no fornecimento de soluções OSS e BSS. Nos últimos quatro anos, alguns dos desenvolvedores se debruçaram sobre o desenvolvimento de uma plataforma de rádio totalmente em nuvem.

Criaram um serviço IP que funciona com qualquer banda larga – o único requisito é uma conexão à internet de 12 Kbps. Mimetiza um rádio, mas tem criptografia, registra as conversas trocadas, coleta dados de itinerário, permite a comunicação para apenas um integrante dentro da equipe cadastrada no canal, ou a criação de um canal com 1 mil usuários simultâneos. Tudo podendo ser administrado remotamente, através de uma central de controle em nuvem.

Competição

O foco é todo em B2B. “Tem muitas indústrias que dependem de rádio e que vão migrar para uma comunicação mais completa, por dados”, diz Edgar Crespo, co-fundado a BiPTT. Os principais mercados estão em segurança, transporte e logística, energia e construção. Como vinha sendo criado dentro de outra empresa, da qual acaba de se separar, a BiPTT já tem cerca de 80 clientes, e mil usuários ativos.

Concorrência já não falta. A Nextel desligará a rede iDEN por conta do custo de manter infraestrutura de rádio dedicada, mas oferece serviço próprio IP, que também funciona por meio de um app. “A diferença é que, no caso deles, é preciso ser assinante dos planos de telefonia móvel, enquanto nossa plataforma funciona com qualquer operadora, inclusive com pessoas em redes diferentes ou sem rede móvel, apenas com WiFi”, afirma Crespo. Claro, a BiPTT também cobra uma assinatura variável conforme a quantidade de usuários. O preço inicial é de R$ 15.

Também haverá concorrência especializada. A Motorola Solutions vem fazendo investimentos no segmento IP, e no mundo, há serviços globais como Zello e Voxer, cujas estimativas apontam cerca de 70 milhões de usuários cadastrados. A diferença é que os estrangeiros se vendem como aplicativos de walkie-talkie para o consumidor final. Até o final deste ano, Crespo calcula que terá 10 mil usuários ativos no Brasil, e iniciado operação em outros países da América Latina.

Anterior Anatel autoriza o satélite SES-14 a mudar de posição orbital
Próximos Apple corta preço de bateria nova para iPhone após polêmica