TV em diferentes mídias obriga mais investimento em segurança


Com o aumento das possibilidades alternativas de visualização do conteúdo da TV paga, as empresas oferecem serviços cada vez mais sofisticados de proteção deste conteúdo. “O mais importante é proteger o conteúdo com melhor qualidade, que é justamente o da TV, e não dos serviços de internet”, afirma Nicolas Choquart, vice-presidente regional da NDS. A estratégia da empresa, que desenvolve o middleware da Sky no Brasil, combina uma tecnologia baseada em algoritmos, diferente da maioria dos sistemas de segurança que usam códigos que são de mais fácil acesso para hackers, segundo o executivo. A companhia também conta com um chip de design próprio para set top boxes que permite esconder melhor o código de segurança, além de fornecer serviços do monitoramento para ajudar as autoridades a encontrarem criminosos.

Já a Nagra, companhia suíça que desenvolve o middleware para empresas como Net, TVA, OiTV e ViaEmbratel, aposta no desenvolvimento de contramedidas para atualizar seu software sempre que uma ameaça for detectada, o que permite a resecuritização dos sistemas da operadora sem que esta precise arcar com custos adicionais como com a troca de equipamentos. “Se a operadora se dá bem, nós nos damos bem”, afirmou Tierry Martin, diretor da América Latina da Nagra que tem mais de metade de seus faturamento de US$128 milhões nas Américas vindo do mercado brasileiro.Segundo o executivo, a TV paga ainda tem um grande poder competitivo, diferentemente de Hollywood, que viu uma queda significativa nas vendas de filmes em DVD e Blu-Ray.

Na visão das operadoras, a grande ameaça são os serviços over-the-top, como o Netflix, mercado no qual tentam entrar com ofertas como o Muu, parceria entre a NET e a Globosat para oferecer seu conteúdo exclusivamente para assinantes da operadora. Para Nicolas Choquart, vice-presidente regional da NDS, no entanto, o Netflix não deveria ser considerado um concorrente perigoso, uma vez que seu modelo de negócios ainda não está consolidado. Segundo o executivo, o serviço de streaming enfrenta uma barreira no preço de suas licenças de conteúdo junto aos estúdios, que pode chegar próximo de sua receita anual em 2012.

Segundo os executivos, no entanto, os serviços de gravação e on demand não trazem receita para operadora. “Para o operador, video on demand (VOD) não é negócio, é marketing”, disse Martin. Choquart concorda, afirmando que, nos Estados Unidos, serviços de personal video recorder (PVR) aumentaram a receita média de operadoras por usuário em apenas 5%. A vantagem vem do crescimento registrado em visualizações de comerciais, que segundo ele, não são ignorados em gravações e chegam a ser vistos mais de uma vez. Já a oferta de VOD gratuito atrai mais assinantes para a TV paga.

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