Sócios brasileiros descartam suspensão da fusão Oi/PT


Desde que a Oi anunciou a disposição de vender a operadora Portugal Telecom, começaram as pressões contra a operação, capitaneadas pela empresária angolana Isabel dos Santos, que é sócia indireta da PT SGPS por meio do Banco Português de Investimento (BPI). Consumada a venda para a francesa Altice, por 7,4 bilhões de euros (mais um prêmio de 500 milhões de euros dependendo do desempenho da operadora), as pressões cresceram já que a operação tem de ser aprovada pela assembleia da PT SGPS que estava marcada para ontem (12) e foi adiada para o dia 22 deste mês.

Isabel dos Santos continua seu movimento contra a venda da operadora PT. Depois de tentar uma OPA para comprar a maioria das ações da PT SGPS, da qual desistiu recentemente, ela voltou à cena na semana passada por meio de Fernando Ulrich. O presidente do BPI, do qual Isabel é a maior acionista, defendeu no dia 7, em entrevista à agência de notícias Reuters, a reversão da fusão com Oi. A alegação é de que a baixa das ações da holding portuguesa é motivada pela associação com a tele brasileira.

A ela se somou, também na semana passada, o Sindicato dos Trabalhadores do Grupo Portugal Telecom, um dos que pediu a suspensão da assembleia. Para seus dirigentes, a venda da Portugal Telecom em nenhum momento foi explicitada na fusão da Oi com a PT. “Colocado isso em causa, terá que ser analisada novamente a decisão da fusão”, disse Jorge Félix, presidente da entidade, em entrevista ao Broadcast no dia 9.

Para os sócios brasileiros da Oi, tanto privados quanto públicos, não há nenhuma chance legal de a operação ser desfeita. No entanto, reconhecem que os problemas envolvendo o sócio português, desde que vieram a público as operações de compra de papeis podres da Rio Forte, no Grupo Espírito Santo, vêm afetando o desempenho da Oi. O calote foi de 897 milhões de euros, e levou à revisão da participação dos sócios da PT SGPS na Oi, que caiu de 37,4% para 25,6%.

Adiamento
O adiamento da assembleia para a aprovação da venda da operadora já era previsto, pois até a PT SGPS divulgou nota, no dia 7, reiterando posição de que este movimento “representará o abandono do objetivo de existência de um operador de telecomunicações líder, cobrindo uma área geográfica de 260 milhões de habitantes e cerca de 100 milhões de clientes.”

O adiamento, aprovado por 92% dos acionistas, é prova de um cenário dividido e confuso. A venda das ações da PT chegou a ser suspensa na semana passada pela CMVM – elas voltaram a ser comercializadas, hoje, 13 –, que recebeu no dia 7 o relatório da auditoria contratada pela PT SGPS para avaliar as operações com a Rio Forte. Os resultados da auditoria, que não aponta responsáveis, não atenderam totalmente a expectativa da CMVM.

Mesmo com tantos problemas, os sócios brasileiros da Oi mantém-se otimistas em relação à aprovação da venda da PT para a Altice. Mas se a fusão da Oi/PT é difícil de ser anulada, a venda da Portugal Telecom vai enfrentar uma dura queda de braços entre acionistas, trabalhadores e mesmo de representantes do governo português. Não será tarefa fácil convencer a maioria.

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