Sócio indireto da PT SGPS quer parar fusão com a Oi


O presidente executivo do Banco Português de Investimento (BPI), Fernando Ulrich, defendeu hoje (7) em entrevista à agência de notícias Reuters a reversão da fusão com Oi. Ele afirmou que a baixa das ações da holding portuguesa é motivada pela associação com a tele brasileira.

O BPI é acionista do Fundo de Resolução, a quem pertence o Novo Banco, que reúne os ativos “saudáveis” do Banco Espírito Santo. O Novo Banco é o maior acionista individual da PT SGPS, com 12,6% das ações. É bom lembrar que a maior acionista do BPI é a empresária angolana Isabel dos Santos, que manteve uma OPA pela PT SGPS por 90 dias, tendo desistido dela há pouco mais de uma semana.

“É urgente agir pois é a queda nas ações da Oi é que está arrastando a queda nas ações da PT SGPS. Isto é uma monstruosidade, é um casamento trágico e choca-me, enquanto cidadão, ver esta tragédia para os acionistas da PT SGPS”, teria dito o executivo à agência.

Ele ressaltou ainda que a fusão não está concretizada, sendo possível travá-la. Também disse acreditar que a união não faz mais sentido já que a Oi abandonou o projeto de criar uma grande operadora de telecomunicações de língua portuguesa.

Ações e assembleia
Ontem, a polícia judiciária e representantes do Ministério Público de Portugal vasculharam a sede da PT SGPS em busca de documentos sobre as relações comerciais entre a empresa e a Rioforte, holding do Grupo Espírito Santo em processo falimentar.

As ações da PT apresentaram queda acentuada, que continuou ao longo do dia de hoje, terminando em baixa de 19,48%. Para esfriar os ânimos do mercado, a CMVM, comissão de valores mobiliários de Portugual, proibiu a venda a descoberto de papeis da PT SGPS no pregão de amanhã (8).

Também foram feitas buscas na sede da consultoria PriceWaterhouseCoopers, contratada para fazer uma auditoria independente sobre a gestão na PT SGPS desde 2001 até a descoberta da contratação de dívida da Rioforte, no valor de 897 milhões de euros, pela PT. A operação culminou com a saída de Henrique Granadeiro da PT e de Zeinal Bava da Oi.

A PT entregou hoje à CMVM o relatório. Segundo o site de notícias Público, de Portugal, o relatório indica a existência de outros financiamento da PT à Rioforte, com taxas de juros abaixo das praticadas no mercado. Afirmaria também que Granadeiro e Bava teriam confabulado para evitar que as operações passassem pela comissão de auditoria da empresa. Bava teria acordado com Granadeiro e Ricardo Salgado, então presidente do BES, a compra dos papeis da Rioforte que terminaram em default.

Apesar da semana conturbada, o conselho de administração da PT SGPS decidiu manter para a próxima segunda-feira (12) a assembleia geral de acionistas, em que vai decidir o futuro da operadora Portugal Telecom. A Oi fechou a venda da operadora à francesa Altice, negócio que depende do aval da PT. (Com agências internacionais)

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