Sindisat propõe política de espectro regional e municipal para atender a ISPs


O Sindicato Nacional das Empresas de Telecomunicações por Satélite (Sindisat) defendeu a inserção dos satélites na estratégia para 5G. “A tecnologia de satélites será essencial nesse novo cenário e vital para várias áreas de conectividade humana, tais como, mobilidade, distribuição de vídeo, backhaul de celular e muitas outras”, diz.

A entidade cobra a preservação do espectro usado pelas empresas do segmento e ressalta que em 2020 entrarão em uso comercial satélites capazes de transmitir dados à velocidade de 1 Tbps. Ao mesmo tempo, ressalta, satélites de baixa órbita vão reduzir a latência dos artefatos espaciais, e novos equipamentos transmitindo em banda Ka, Q/V vão derrubar o custo do Gbps.

O sindicato se alinha aos interesses dos provedores regionais, reunidos na Abrint, ao defender uma forma de disponibilização de lotes regionais de espectro. Ressalta que o satélite será usado por ISPs para o fornecimento da 5G em áreas remotas. “Propomos que a Estratégia Brasileira de Redes de Quinta Geração (5G) incorpore o conceito de mini e micro operadores 5G em seus 5 eixos temáticos, além de adicionar iniciativas de implantação de redes de transporte via satélite na contextualização da estratégia”, defende.

Para tanto, defende uma política que considere que viabilize “mini e micro operadores e, por conseguinte, de uma política de espectro não apenas nacional, mas regional e municipal”.

Mudança de banda pode onerar segmento satelital

O secretário geral da Fórum Global VSAT (GVF), David Meltzer, apontou dificuldades e ônus se o segmento tiver de migrar da banda C em razão de interferências a serem provocadas para a conexão da tecnologia 5G. A manifestação da entidade, que representa operadoras de satélite, foi apresentada na Consulta Pública sobre redes 5G feita em julho pelo Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovações e Telecomunicações (MCTIC).

O leilão de espectro para nova tecnologia de redes móveis estava previsto para março de 2020, mas foi adiado pela Anatel, sem previsão de nova data.

“Se esta faixa de frequências [banda C] for aberta para fins terrestres 5G, seria muito difícil e oneroso para as estações terrenas de satélite mudar para outras bandas, ou encontrar meios alternativos de entrega para os serviços que estão sendo fornecidos”, avalia o secretário geral da entidade, depois de citar interferências a serem causadas na recepção de equipamentos, a exemplo das antenas parabólicas, que distribuem conteúdos de audiovisual e internet de banda larga.

Defende “a expansão dos tipos de sistemas de satélites que suportarão serviços terrestres 5G”, diferentemente do que afirmaram Ericsson e Abinee. Meltzer destaca que os satélites desempenham um papel fundamental no desenvolvimento do ecossistema 5G, inclusive com o atendimento de domicílios em regiões remotas onde são o único canal de conexão à internet e TV aberta, além de auxiliar na prestação de serviços públicos.

“Os clientes que se beneficiam desses serviços estão localizados em áreas urbanas, suburbanas e remotas, muitas das quais são mal atendidas ou não atendidas por outras tecnologias e que, de outra forma, não seriam conectadas. Em algumas áreas, a banda larga via satélite é o único meio de conectividade”, aponta o secretário da GVF. (Colaborou: Rafael Bucco)

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