Receitas da indústria eletroeletrônica caem 3% em 2014


O setor eletroeletrônico sentiu o baque do desaquecimento dos mercados interno e externo. A Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) divulgou hoje (4), em São Paulo, um balanço para o ano e projeções para 2015. Em 2014, as receitas do setor devem encolher 3%, já descontando-se a inflação de ao menos 6%. Em valores, significam R$ 159,4 bilhões. Sem descontar o aumento de preços, o resultado é de crescimento de 2% sobre 2013.

As vendas de produtos em cinco das oito áreas cobertas pelo levantamento (como componentes, equipamentos industriais, geração, transmissão e distribuição de energia elétrica etc.) caíram entre 3% e 13%. A área das telecomunicações apresentou crescimento de 9%.

Enquanto os fornecedores de infraestrutura para telecomunicações venderam 5% a menos que no ano anterior, jogando a média para baixo, os de smartphones surfaram com a alta procura. Os telefones inteligentes venderam 27% mais que em 2013. Ao fim do ano serão 52 milhões de unidades vendidas. Somando-se feature phones, serão 69,6 milhões de aparelhos. Ano passado, o total foi de 68,4 milhões de unidades vendidas. Os dados foram fornecidos pela consultoria IDC.

O mercado de PCs e tablets foi um dos que mais encolheram: 8%. A retração aconteceu pela baixa demanda por notebooks e desktops, que venderam 8% e 13% menos neste ano, respectivamente. Em compensação, os tablets tiveram crescimento de 157% nas vendas, o que compensou parcialmente a perda de receita com os outros itens de informática. Com isso, os tablets passam a ser, hoje, o produto de informática com maior fatia de mercado (37,6%, ante 36,7% dos notebooks e 25,7% dos desktops).

Balança
A Abinee espera que o ano termine com redução de 9% nas exportações brasileiras de eletroeletrônicos. O de telecomunicações será o que mais reduziu vendas no exterior, em 38%, seguido do de informática, que deve acabar dezembro vendendo 25% a menos na comparação anual.

O principal comprador dos produtos nacionais continuou sendo a América Latina, que negociou 20% menos que em 2013 (US$ 3 bilhões); O segundo principal foram os Estados Unidos, que aumentaram o peso das aquisições em 6% (US$ 1,3 bilhões). De acordo com a Abinee, este será o terceiro ano seguido em que as exportações perdem importância no faturamento do setor, representando 9,8%.

O saldo só não foi pior, de acordo com a Associação, porque a indústria que vendeu menos também comprou menos. As importações devem encerrar o ano com diminuição de 4% sobre o número de 2013, ou, US$ 41,9 bilhões. Os produtos mais importados foram os componentes para telecomunicações, que tiveram aumento de 7%. A maior parte das importações vem da Ásia (US$ 27,7 bilhões), seguida de EUA (US$ 4,9 bilhões) e Aladi (US$ 1,33 bilhão).

O saldo da balança comercial do setor terminará 2014 negativo em US$ 35,2 bilhões. O desempenho piorado também afetou a oferta de empregos, que caiu para 175 mil empregados. Eram 177,9 mil um ano antes.

Previsões para 2015
Segundo a Abinee, o ano que vem deve ser parecido com este. A indústria eletroeletrônica projeta crescimento de 2%. O setor de informática deve ficar estável, enquanto o de telecomunicações vai crescer 4% devido a investimentos previstos pelo governo em infraestrutura. A busca por celulares inteligentes deve continuar alta, mas a tendência de queda nos preços deve fazer com que as receitas com este tipo de dispositivo caiam 3%.

O faturamento nominal do setor deve ser de R$ 163 bilhões, 2% maior que em 2014. Na conversão em moeda estrangeira, deve ficar 7% abaixo do registrado este ano, ou, US$ 63,28 bilhões. As importações devem cair 1%, e as importações ficarão estáveis. A Abinee prevê novamente um saldo negativo em US$ 35 bilhões. Os investimentos devem aumentar cerca de 2,5%, ficando em R$ 4,04 bilhões.

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