Setor de TV paga prevê crescimento próximo de zero no ano


O setor de TV paga prevê estagnação, ou um cenário próximo disso, em 2015. Segundo Oscar Simões, presidente-executivo da Associação Brasileira de Televisão por Assinatura (ABTA), que reúne as maiores operadoras do segmento, as vendas estão crescendo, mas acabam contrabalançadas pelos desligamentos resultantes de um aumento da inadimplência.

“Nossa expectativa de crescimento do setor neste ano é zero. Se houver algum crescimento, será muito pequeno”, afirmou hoje, 28, em evento à imprensa, em São Paulo. O executivo, no entanto, diz que o mercado de TV paga no Brasil não sofre com saturação. “Quando as condições da economia melhorarem, a gente deve retomar o crescimento”, frisou, depois de ressaltar que a inadimplência superou a média histórica para o segmento. Ele não citou, porém, índices que demonstrem o aumento dos devedores.

Nos últimos 15 anos, a TV paga no país passou de 3,5 milhões de assinantes para 19,72 milhões. O ritmo de crescimento começou a cair em 2011. Naquele ano, o setor ainda viu sua base aumentar 30%. Nos anos subsequentes, o crescimento foi de 27% (2012), 11% (2013), 9% (2014). No primeiro trimestre deste ano, o crescimento registrado em relação ao mesmo período do ano anterior foi de 6,7%. O segundo trimestre deve terminar com encolhimento. Em maio e abril houve retração da base em diversas empresas devido ao aumento de desligamentos.

A receita operacional bruta do setor de TV por assinatura no primeiro trimestre do ano foi de R$ 7,7 bilhões, um aumento de 8% em relação aos mesmos meses de 2014. Simões destaca que o segmento ultrapassou o rádio em penetração. O crescimento composto (CAGR) da TV paga foi de 13% nos últimos cinco anos. Atualmente, 50,2% das dizem ter acesso a TV por assinatura, enquanto 46,8% afirmam ouvir rádio. Já 93,6% consome TV aberta e 68,2% acessa a internet. Com isso, o tempo média de horas consumidas nos canais pagos saltou de 2h28min em 2013 para 3H07min em 2014.

Piratas
Simões alertou para a competição com os piratas. Segundo ele, a quantidade de usuários que contratam serviços ilegais de conteúdo pago fica entre 4 milhões e 5 milhões. Número parecido com o levantamento apresentado em 2014, quando a entidade calculava a existência de 4,19  milhões de conexões clandestinas. Mais detalhes sobre o perfil dos usuários com acesso irregular serão divulgados na próxima semana, durante evento do setor que acontece na capital paulista.

Ele adianta, no entanto, cálculo sobre a sonegação em impostos resultante das ligações clandestinas. “O impacto tributário é de R$ 1 bilhão por ano. Esse seria o dinheiro que as empresas do setor pagariam se os clandestinos migrassem para os serviços legais”, resume.

Simões não vê, também, impacto dos serviços de streaming de vídeo, OTT, sobre a estagnação neste ano. “Até agora, o setor não sentiu o impacto dessa concorrência. Mas, no cenário internacional, as operadoras estão criando serviços próprios para competir com isso. As respostas estão vindo”, diz. 

Banda Larga
A ABTA considera o crescimento da banda larga por cabo excepcional para o período. “Tivemos um crescimento de 13% no primeiro trimestre, em relação ao mesmo período de 2014. Do nosso ponto de vista, é um número expressivo, mostra a demanda aquecida e a importância da banda larga para as pessoas. Não tenho dúvida que a modalidade deve crescer mais”, diz Simões. Entre 2001 e 2014, o Brasil passou de cerca de 100 mil usuários da banda larga para 7,6 milhões, com crescimento sempre de dois dígitos.

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