Setor de software deve encerrar 2010 com crescimento acima de 20%


A indústria brasileira de software deve encerrar 2010 com um crescimento acima de 20% sobre o faturamento de 2009, puxado pelo mercado interno. A previsão é do presidente da Abes, Gerson Schmitt, que estima um faturamento de US$ 18 bilhões, somente no mercado interno (em 2009, as receitas com vendas internas foram de US$ 15 bilhões). “Em exportações não estamos esperando um aumento significativo devido ao impacto do custo Brasil e custo da mão-de-obra no setor”, disse ao Tele.Síntese o presidente da Abes. Fora isso, destaca Schimitt, há uma demanda de 70 mil vagas e falta pessoal qualificado, especialmente no nível mais elevado.

No ano passado, as exportações do setor totalizaram US$ 3 bilhões e a expectativa da Abes é de que no longo prazo as importações cresçam mais que as exportações no setor. “Nosso custo é mais alto do que o asiático, não só em mão-de-obra mas também em tributos, o que tira nossa competitividade”, comentou. Mesmo na região, o Brasil perde em competividade para os países vizinhos. “Esta semana recebi um convite para visitar a Zona Franca de Produção de Software do Uruguai”, contou o presidente da Abes, observando que, a despeito do bom desempenho do mercado interno, os países vizinhos trabalham com condições de custo mais vantajosas e querem “pegar carona no bom momento do Brasil”.

Encargos e reivindicações
Em agosto, as entidades do setor (Abes, Assespro, Brasscom, Fenainfo, Softex e Sucesu) iniciaram em conjunto um movimento para pedir ao governo uma mudança na legislação trabalhista para permitir a troca de cobrança de encargos sobre a folha de pagamentos pela cobrança de um tributo sobre o faturamento das empresas. O documento, elaborado na época e encaminhado para os candidatos que participavam da campanha presidencial, mostrava que os encargos sobre a folha de pagamentos são de 36% e que a mão-de-obra é o insumo dessas empresas. Fora isso, o segmento de software e serviços de TI mudou seu perfil: antes era considerado uma atividade meio e, agora, passou a ser um segmento da economia – em 2009, só o setor de TI participou com 3,5% do PIB.

O setor é predominantemente formado por micro e pequenas empresas (94%), com apenas 5% classificadas como médias e 1% grandes empresas. Uma das reivindicações das entidades é que o governo desonere em 20% os encargos (os 8% de recolhimento do FGTS, incluídos nos 36% permanecem) e ao invés de arrecadar com o recolhimento de encargos, passe a arrecadar com um imposto sobre o faturamento das empresas, entre 2% e 4%. De acordo com o presidente da Abes, as entidades continuam empenhadas em reivindicar as mudanças, mantendo conversas com setores do governo. “A ideia não tem sido rejeitada e esperamos que entre na pauta do novo governo”, afirmou Schimitt.

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