SET e Abert contra-atacam


“Não acredito no DVB. Como é que vocês convocam a imprensa para negar todas as experiências que estamos fazendo desde 1994 em laboratórios? Minha pergunta é para os engenheiros: a demonstração que vocês fizeram é suficiente para combater nossa experiência de anos? Sua demonstração não comprova a viabilidade de o DVB cobrir uma cidade como …

“Não acredito no DVB. Como é que vocês convocam a imprensa para negar todas as experiências que estamos fazendo desde 1994 em laboratórios? Minha pergunta é para os engenheiros: a demonstração que vocês fizeram é suficiente para combater nossa experiência de anos? Sua demonstração não comprova a viabilidade de o DVB cobrir uma cidade como São Paulo. Como uma demonstração pode negar nossos testes de laboratório, com mais de mil medidas de campo? Nenhum país do mundo usa o padrão demonstrado”, afirmou Carlos Brito, funcionário da Globo e representante da SET-Abert, hoje, 8, na coletiva da Coalizão DVB Brasil. Ao seu lado, estava  Liliana Nakonechnyj, diretora da SET e também funcionária da Globo.

“Os engenheiros, hoje, já não são tão técnicos, têm uma visão mais holística, para não se deixar prender por armadilhas. A tendência,  hoje, aponta para um mundo convergente, e o DVB vai nessa direção”, respondeu o engenheiro Mario Baumgarten, diretor de tecnologia da Siemens. Ele disse que, em alguns pontos, o ISDB é efetivamente melhor, mas perguntou se, para transitar pelos buracos de São Paulo, o melhor seria um trator ou um carro. “Numa visão holística, o melhor é o carro, portanto o sistema tem que ser visto como um todo”.

Para o executivo da Siemens, o conteúdo não é uma exclusividade da TV aberta e gratuita, novos modelos de negócio podem ser adicionados aos existentes, sem acabar com eles. “A TV aberta vai continuar, mas conteúdos interativos também podem ser oferecidos aos usuários da barca Rio-Niterói, aos passageiros de ônibus, aos usuários de laptops”, argumentou Baumgarten.

“A decisão não é só de engenheiros”, reforçou o Cláudio Raupp, diretor geral da Nokia do Brasil, acrescentando que o grande laboratório do DVB são os países que adotaram o padrão na Europa, na Ásia, o que se contrapõe ao único país que adotou o laboratório, porque o ISDB não está em operação em mais do que três cidades. “A decisão sobre o padrão de TV digital tem que levar em conta o mercado, o consumidor, sem dar reserva de mercado para um único país, para um modelo 100% rejeitado”, afirmou Raupp.

Demonstração

Hoje, os integrantes da Coalizão convocaram a imprensa para demonstrar o funcionamento do sistema na modalidade de “flexibilidade máxima”, transmitindo em um mesmo canal, na faixa de 6 MHZ, em alta definição (HDTV), com televisores com telas de 42 e 21 polegadas, a 8 Mbits, com compressão MPEG4; na mesma faixa, no padrão digital standard (SDTV), a 4,8 Mbps, com MPEG2; também em 6 MHz, a 4,4 Mbps, em um a quatro PDAs (elemento mobilidade) e, a 1,52 Mbps, em dois terminais celulares. E, na modalidade de “definição máxima”, um mesmo canal, HDTV, em tela de 42 polegadas, compressão MPEG4, a 17 Mbps; em um PDA, a 1,5 Mbps, em um celular, a 0,7 Mbps.

Também participaram da demonstração Guido Lemos de Souza Filho, coordenador geral do Laboratório de Aplicações de Vídeo Digital da Universidade Federal da Paraíba, integrante de um dos consórcios que participaram do desenvolvimento do Sistema Brasileiro de TV Digital, encarregado do middleware do sistema, e que funciona tanto no ISDB como no DVB.

E Ricardo Henrique Teixeira, diretor do Centro de Convergência Digital da Fundação Certi – Centros de Referência em Tecnologias Inovadoras, que trabalhou no aspecto usabilidade do SBTVD. O Certi também está na finalização do Projeto Instinct, programa de cooperação internacional para o desenvolvimento de aplicações interativas que contou com recursos de 9,6 milhões de euros, envolveu 24 instituições de todo o mundo, das quais cinco brasileiras, encarregadas da adequação das aplicações ao país.

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