SET apresenta soluções para reduzir o loudness na TV


A Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão (SET) entregou carta ao Ministério das Comunicações e à Anatel com contribuições visando à diminuição da diferença de intensidade sonora entre programas e intervalos publicitários, conhecida como loudness. O objetivo do documento é colaborar para a normatização e padronização dos níveis de áudio executados por emissoras e canais de televisão no Brasil, que tem sido motivo de queixas e debates até no Congresso Nacional.

 As especificações técnicas recomendadas são resultado de dois anos e meio de pesquisas realizadas pelo Grupo de Trabalho de Loudness, criado pela SET e coordenado pelo engenheiro Alexandre Sano, para mensurar o problema e apresentar sugestões. As recomendações da entidade preveem uma série de mudanças no processo de produção, captação, controle e processamento do áudio. Pela necessidade de investimento em treinamento e aquisição de equipamentos, a SET sugere que as emissoras estejam adequadas às recomendações em um prazo de 24 meses, a partir da publicação do regulamento.

 No documento entregue em Brasília, o Grupo de Trabalho recomenda a adoção de especificações técnicas para padronização do volume de áudio e uma metodologia de medição com fins de fiscalização. A entidade destaca que a percepção subjetiva decorrente das diferenças de intensidade sonora entre programas e intervalos comerciais (loudness) tornou-se objeto de estudos obrigatórios por especialistas em todo o mundo. Esta situação foi agravada com a digitalização dos sistemas de produção e distribuição, que possibilita a transmissão dos sons de forma mais fiel, fazendo chegar ao telespectador todas as variações dinâmicas de áudio dentro de um mesmo programa e ampliando a oferta da gama de frequências, desde os sons mais graves até os mais agudos.

 Legislação

Segundo a SET, desde 2001 e já como reflexo do desconforto causado ao telespectador pelas variações de áudio, foi sancionada no Brasil a lei n° 10.222, que pretendia padronizar os níveis de sinais de áudio na radiodifusão. Porém, a falta de subsídios técnicos, tanto no Brasil como no exterior, não permitiu sua normatização.

 Em 2006, a União Internacional de Telecomunicações publicou a primeira recomendação internacional sobre o tema (UIT-R BS.1770), especificando um algoritmo para a medição do Loudness de programas de televisão, que serviu como ponto de partida para uma recomendação técnica americana em 2009 (ATSC A/85) e outra, européia, em 2010 (EBU R-128).

Os Estados Unidos já possuem uma lei para resolver o problema de Loudness. O país considera a metodologia de medição da UIT, mas utiliza um processo de controle que a SET não considera adequado às necessidades brasileiras. Na Europa, diversos países implementaram a recomendação da UIT/EBU, mas cada um deles adotou um critério diferente. A Inglaterra já tem utilizado as recomendações há alguns anos e a Alemanha já está com o status bastante avançado no processo de regulamentação. O Japão deve adotar a recomendação da UIT com algumas adaptações.

Especificações

As especificações técnicas recomendadas pela SET visam a padronização considerando as práticas internacionais. São elas:

– Padrão de Medição: de acordo com a Recomendação EBU R-128;
– Loudness Médio (Lk): -23 LUFS (podendo variar +/- 3LU);
– Loudness Range (LRA): 15 LU (máximo).

A recomendação EBU R 128, que trata da normalização de Loudness (percepção subjetiva de intensidade sonora) e níveis máximos permitidos para sinais de áudio, considera o algoritmo para medição de Loudness definido na recomendação ITU-R BS.1770 e inclui um conjunto de especificações para medidores de Loudness, que devem ser adotadas para a medição especificada nesta recomendação.

Os valores acima recomendados para os parâmetros Loudness Médio (Programme Loudness) e Faixa de Loudness (Loudness Range) consideram a medição do componente principal de áudio transmitido no formato estéreo, nas janelas de tempo especificadas na metodologia de medição descrita a seguir.

Metodologia de Medição

A SET recomenda também a fiscalização a partir da:
– capturar e/ou medir amostras do áudio transmitido ou amostras do Transport Stream transmitido de 02 horas de duração cada, coincidindo com as horas inteiras pares (00:00h às 02:00h, 02:00h às 04:00h, 22:00h às 00:00h);
– submeter as amostras para análise através de software específico ou através de medidores de Loudness que sigam as recomendações EBU R-128;
– consolidar os resultados da análise;
– considera-se que esta recomendação não foi atendida quando duas ou mais amostras, medidas com intervalo mínimo de 24 horas e máximo de 48 horas, não estejam de acordo com as especificações técnicas recomendadas.

Entre duas verificações completas de Loudness de uma estação, pela Anatel, deve ser dado o intervalo mínimo de 30 dias.

Prazo de implementação

De acordo com a SET, a adoção desta recomendação implica investimento para a aquisição e instalação de processadores e medidores de Loudness em toda a cadeia de produção e distribuição, bem como no treinamento de todos os profissionais envolvidos, para que os radiodifusores possam se adaptar às exigências aqui previstas sem prejudicar a qualidade técnica dos seus conteúdos. Por isso, propõe o estabelecimento de um prazo de 24 meses, a contar da data de publicação da recomendação, para que emissoras e Anatel implementem os sistemas necessários e tenha início a fiscalização do loudness.

Além da SET, compôs o grupo de trabalho engenheiros especializados das principais redes de televisão aberta como Band, Cultura, Gazeta, Globo, Mix TV, MTV, Record, Rede TV e SBT e também com a participação de representantes da Anatel, do Ministério das Comunicações e de algumas operadoras de TV por assinatura.(Da redação, com assessoria de imprensa)

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