SES vai a Berzoini defender satélite no Banda Larga para Todos


A operadora de satélites SES se encontrará com o ministro das Comunicações, Ricardo Berzoini, nas próximas semanas para, entre outras coisas, defender o uso de conexões por satélite no programa Banda Larga para Todos. Também participam do encontro representantes do SindiSat, que representa as empresas do setor. O programa Banda Larga para Todos prevê aumentar a velocidade média da banda larga, inclusive em regiões remotas do país, e deve usar predominantemente a fibra óptica.

Segundo Jurandir Pitsch, vice-presidente comercial para América Latina Sul, o objetivo da conversa também é “manter o satélite relevante [nos programas de comunicação e inclusão do governo] e inseri-lo nas isenções tributárias”. A América Latina representa cerca de 10% do faturamento global da SES, que cobre 99% da população mundial. Dessa fração latino-americana, o Brasil responde por 60% da receita.

O executivo conta que a valorização do dólar, um fenômeno mundial, não altera as decisões estratégicas de longo prazo. Ele acredita que a necessidade de obedecer a compromissos estabelecidos pelas operadoras nos leilões de frequência de 2,5 GHz manterá a receita em alta. “Elas devem levar conexão 3G às escolas. Estamos falando em centenas de milhares de escolas pelo país. Esse compromisso tem gerado demanda grande”, ressalta.

Apenas a Vivo deverá usar o satélite para conectar seu backhaul e levar conexão 3G a 7 mil escolas. “As empresas ainda têm o compromisso de ofertar velocidade mais alta a cada ano. Quando muda de 1 Mbps pra 5 Mbps, multiplica-se por cinco a necessidade de mais satélites ou mais capacidade deles”, lembra.

Uma alternativa mais extremada caso a situação econômica local seja desfavorável seria reposicionar os satélites e focar outros mercados na região. “Os contratos no Peru e na Colômbia estão crescendo. Se a valorização e desaquecimento da economia brasileira continuar por muito tempo, o jeito vai ser vender a capacidade fora. Mas nosso otimismo é grande. As demandas em função dos compromissos do leilão e por DTH são bastante inelásticas”, observa. Segundo ele, a presença em diversos países, sejam mercados maduros ou em desenvolvimento, oferece uma boa proteção contra os problemas macroeconômicos.

Novos satélites

Na segunda metade de  2016 a SES vai colocar em órbita o SES-10, satélite que vai cobrir Brasil, região andina, América Central e Caribe com banda Ku. Recentemente, deslocou para a posição orbital 48º oeste o NSS-806, que trabalha nas badas Ka, Ku e C, cobrindo a América Latina. Em 2017, este satélite será substituído pelo SES-14, que atenderá Américas e Atlântico Norte, também com bandas Ka e Ku. No mundo, a empresa deve lançar ainda o SES-15 e o SES-16/GovSat, todos em 2017, e outros três satélites. De toda essa capacidade, 75% será destinada a mercados emergentes.

A grande novidade destes equipamentos será a propulsão elétrica. Segundo Markus Payer, vicre presidente de comunicações da operadora, o SES-14 já terá propulsão elétrica. O executivo considera esta tecnologia uma revolução, pois permite ao objeto reduzir o peso, barateando o lançamento. “Atualmente, um satélite é lançado com cerca de 3 toneladas de combustível. O foguete precisa ter propulsão para colocar isso em órbita, o que encarece o processo”, diz.

Payer ressalta que o setor passa por uma transformação que recolocou o satélite entre os serviços mais práticos de conectividade. Cita Elon Musk, um dos idealizadores da propulsão elétrica e CEO da empresa de lançamento de satélites SpaceX. “Ele conseguiu reduzir o preço de lançamento a US$ 60 milhões”, diz. Além da economia de custos, importante em um setor de capital intensivo, Payer frisa que a evolução tecnológica garante novos usos e possibilidades. “Temos a oportunidade de pensar em satélites de diferentes tamanhos, posicionados em diferentes altitudes, para diferentes usos”, resume.

Atualmente, a SES tem 54 satélites em órbita, 800 clientes em vídeo e dados. Transmite 6,5 mil canais de TV, dos quais, 1,8 mil são em HD. Por DTH, alcança 312 milhões de casas. E se prepara para os próximos anos, em que o OTT deve ganhar corpo. Segundo Jurandir Pitsch, a empresa vem pesquisando a tecnologia Sat>IP, que dá ao satélite a capacidade de transmissão de dados em protocolo IP.

Mesmo que não fosse por esse caminho, a companhia aposta no crescimento do broadcast tradicional. A previsão dos executivos é que a SES fature ao menos US$ 1 bilhão a mais em 2022 apenas com serviços de dados, US$ 5 bilhões com serviços de banda larga ao consumidor. Esperam ver um aumento de 10x no tráfego para veículos como aviões e navios. O DTH continuará a crescer, chegando aos 100 milhões de assinantes até 2018. Em 2025, preveem, a SES transmitirá 1 mil canais Ultra HD e outros 9 mil HD.

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