SES planeja multiplicar capacidade satelital na América Latina


Teleporto em Hortolândia, em São Paulo, será o centro de comando de constelação de satélites de órbita média dedicados à banda larga. Em 2021, SES lançará um satélite geoestacionário que vai operar apenas com banda Ka e cobrirá o Brasil.

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A operadora de satélites SES pretende multiplicar os serviços e a quantidade de naves que mantém em órbita para atender a região latino americana nos próximos anos.

Ainda neste trimestre, a companhia vai lançar quatro satélites de órbita média (MEO, na sigla em inglês). No primeiro semestre de 2019, outros quatro se juntam à constelação, que ficará completa em 2021, com o lançamento de mais sete satélites de alta capacidade.

Essa rede de órbita média, que já tem 12 satélites, tem como foco a comercialização de banda larga. Segundo a empresa, os links poderão alcançar velocidade de 1 Gbps, com baixa latência. O modelo de negócios será B2B: a SES venderá a capacidade para operadores revenderem a banda larga. A capacidade poderá ser usada, ainda, no mercado de aviação ou marítimo.

Além dos satélites MEO, a companhia vai dedicar capacidade de um satélite geoestacionário para a entrega de banda larga em todo o Brasil. O SES-17, com previsão de lançamento em 2021, usará apenas banda Ka, com 200 feixes direcionais, de altíssima capacidade (HTS).

A posição orbital a ser ocupada ainda é segredo, segundo Jurandir Pitsch, vice-presidente de vendas para a América e o Caribe da SES Video. Mas ele espera que a novidade tenha forte impacto no custo da banda larga via satélite. “Os próximos satélites custam duas vezes mais, mas a capacidade deles é 50 vezes maior”, explica.

Nova estrutura

Desde o ano passado, a SES redefiniu sua estrutura para se adequar à entrega que fará com os novos satélites. A empresa passou a operar como duas: uma dedicada a vídeo, SES Video, outra a banda larga, SES Networks. O comando desta para o Cone Sul está nas mãos de Sandro Barros, que era da O3B, empresa comprada pela SES e deu origem à constelação de órbita média.

Os novos satélites também marcam a mudança de estratégia da SES na forma como vende seus serviços. “Cada vez mais, com a entrada em operação da constelação MEO e dos satélites geoestacionários híbridos, nós vamos oferecer uma consultoria e a solução adequada ao desejo do cliente, e menos a simples venda de capacidade em um satélite”, conta Barros.

Na esteira de modificações, a SES passará a vender serviços em Terra. O SES-14, lançado na última semana, por exemplo, vai distribuir conteúdo às antenas dos clientes. Mas também será possível captar o sinal através do teleporto da SES construído em Hortolândia, no interior de São Paulo. Ali também será a operação da constelação MEO na América Latina.

 

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