SES lança serviço em banda Ku para atrair usuário da TV com parabólica


Enquanto os debates sobre que solução adotar para resolver a interferência causada pelo uso da frequência de 3,5 GHz com telefonia móvel na banda C avançam, já há quem se prepare para a possível mudança de canais de TV aberta por satélite atualmente em banda C para a banda Ku. É o caso da SES.

A operadora de satélites lançou nesta semana no Brasil o FTA Ku, um serviço de transmissão de sinal de TV aberta por satélite em banda Ku. O serviço funcionará a partir do satélite SES-10, que fica na posição 67º W.

Segundo Jurandir Pitsch, vice-presidente da SES na América Latina, o lançamento não tem relação com as discussões em torno do próximo leilão de frequências para 5G organizado pela Anatel. É motivado apenas pela observação das tendências de mercado.

“Como o volume de antenas produzidas em banda Ku é muito maior, o preço da Ku é menor. A tendência é que fabricantes parem de fazer antena doméstica para banda C, já que TVRO nessa frequência só existe no Brasil, enquanto em Ku é usada no mundo inteiro”, afirma.

Para o executivo, o produto deve atrair canais de TV que não conseguiram ser distribuídos por banda C. “É um produto para quem não consegue entrar na Banda C porque não tem espaço ou porque é muito caro. Canais religiosos, internacionais em língua estrangeira [são potenciais clientes]”, diz.

O FTA Ku já é vendido às emissoras de TV aberta da Europa e da África. O sucesso lá fora levou a operadora a trazer a oferta para o Brasil. Aqui, diz Pitsch, já existe uma base grande de usuários Ku que poderiam se beneficiar comprando um decodificador novo, por exemplo. Outra oportunidade, a seu ver, é complementar a sintonia de quem usa banda C.

“Usando uma chavinha diseqc, todos os decodificadores de banda C hoje no mercado conseguem escolher automaticamente entre o sinal Ku ou de banda C quando o usuário muda de canal”, exemplifica.

5G e interferências

A interferência do sinal 5G em 3,5 GHz levou a Anatel a fazer uma consulta com operadoras de satélite sobre sua capacidade em receber canais na banda Ku. A migração da TVRO em banda C para a Ku é a principal proposta dos radiodifusores, representados por Abert e Abratel, mas rechaçada pela Embratel.

Pitsch diz que a SES também foi consultada, mas ainda não enviou suas respostas. As perguntas buscam entender quanta capacidade em banda Ku existe hoje nos satélites que atendem o Brasil, sejam de posições orbitais nossas, sejam estrangeiras.

Para a solução FTA em Ku, a SES separou seis transponders do SES-10. Para deslocar a capacidade da TVRO brasileira hoje, estima-se o uso de 7 a 8 transponders, desde que haja conversão do sinal analógico para o digital e com compressão HVC. Mas essa transferência pura e simples para liberar a banda C não interessa também à SES.

“Como operadora de satélite de banda C, defendemos o espectro, principalmente para as aplicações mais profissionais: a distribuição para os cabos [distribuidoras de TV paga], para as cabeceiras de rede [emissoras de TV aberta], as DTHs [TV paga satelital]. Então é importante que esse mercado prevaleça”, diz.

Ainda assim, ele lembra que a migração para a banda Ku é tecnicamente possível, mesmo que a capacidade seja dividida entre múltiplos satélites. “Na Europa é comum o conceito de multifeed, em que a antena capta o sinal de múltiplos satélites. Isso é possível, desde que os satélites estejam próximos até 4,5º entre si”, diz.

Traduzindo: o principal satélite em banda C hoje é o Star One C2, que será substituído ano que vem pelo Star One D2 na posição 70ºW. O SES-10 está na posição 67ºW. Uma antena Ku é capaz de captar os sinais de ambos, uma vez que estão a uma distância de apenas 3º um do outro.

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