Serviços, um mercado concorrido e de margens apertadas


11/11/2005 –  A terceirização de serviços continua avançando, seja por necessidade de redução de custos, ou para melhorar o atendimento aos clientes. E tanto no mundo das comunicações – telecomunicações fixas e móveis e operadoras de TV por assinatura (sobretudo via cabo) – como na esfera corporativa. A concorrência é intensa, seja entre fornecedores e …

11/11/2005 –  A terceirização de serviços continua avançando, seja por necessidade de redução de custos, ou para melhorar o atendimento aos clientes. E tanto no mundo das comunicações – telecomunicações fixas e móveis e operadoras de TV por assinatura (sobretudo via cabo) – como na esfera corporativa. A concorrência é intensa, seja entre fornecedores e provedores independentes, ou entre os primeiros e as próprias empresas de telefonia.

Em um ponto, porém, os diversos atores concordam: o mercado de serviços está se afunilando em benefício dos provedores de maior porte e fôlego financeiro, dos quais os clientes exigem cada vez mais qualidade e multiplicidade de serviços, sem que isso se traduza em maiores investimentos. Ou seja, as margens sempre mais apertadas implicam a necessidade de escala e ganhos de produtividade dos prestadores de serviços terceirizados. Quando não, até o financiamento ao cliente, em troca da aquisição de pacotes completos.

O volume anual de negócios na área de serviços prestados às empresas de telecomunicações tem se situado na casa dos R$ 3,8 bilhões, considerados os dispêndios das operadoras fixas e móveis. A estes valores somam-se R$ 260 milhões em serviços contratados pelas operadoras de TV por assinatura, de acordo com pesquisa 2005/2006 da Associação Brasileira de Empresas de Soluções de Telecomunicações e Informática – Abeprest. Dos investimentos das operadoras em terceirização de serviços, a maior parte (em torno de 60%) é das empresas de telefonia fixa.

Fornecedores tradicionais de equipamentos como Alcatel e Siemens provêem serviços terceirizados de produtos próprios ou não, concorrendo diretamente com prestadores independentes como a Relacom (ex-Flextronics). A Alcatel aufere 30% da receita com a prestação de serviços (cerca de US$ 95 milhões, em 2004). Hoje, diz Philippe Saint-Pierre, diretor de integração e serviços, todas as operadoras fixas terceirizaram 100% de suas redes internas e externas. “Nas plantas internas, a competição é entre prestadores de serviços de grande porte, enquanto as externas são disputadas por mais empresas, inclusive de menor porte”, analisa Saint-Pierre.

Ele afirma que a Alcatel é a número um na terceirização de serviços de rede interna, com participação de mercado de quase 30%.
O leque da Siemens é amplo. Além das tradicionais operação, manutenção e integração, instala equipamentos na casa do usuário final (por exemplo, modems para clientes Velox, no Rio), provê serviços de suporte e segurança, explica Claudia Cimarelli, diretora de serviços para operadoras. Há pouco, passou a oferecer serviços terceirizados de valor agregado na plataforma Push Services (mail push ou push&talk). A plataforma, que pode ficar hospedada na Siemens, foi contratada por uma operadora celular, que oferecerá serviço de localização a partir de 2006. Além disso, a Siemens assinou contrato com a TVA, para trocar os decodificadores analógicos por digitais em São Paulo e no Rio. E, depois, assumir a manutenção. A empresa gera cerca de 25% da receita total com serviços – algo como US$ 284 milhões, no ano passado, e o objetivo é expandir a participação de serviços 20% por ano.

Gerenciamento de segurança
Embora a participação do mercado corporativo na receita de serviços da Siemens seja menor do que a das operadoras, uma carteira de mais de 6 mil clientes é significativa. A empresa é forte no mercado enterprise, garante Nelsi Strelow, diretor de serviços para o mercado corporativo. Em 2005, os serviços para o mercado corporativo devem crescer 15% em relação a 2004, informa o executivo e, em 2006, no mínimo 20% em volume de sites contratados. Para isto, contribuirá o lançamento, no Brasil, em dezembro, do Security Operation Center (SOC), outsourcing de gerenciamento de segurança, com expertise da matriz alemã. Mesmo que VoIP seja ainda tímida no país, a Internet se tornou indispensável às empresas lembra Strelow. E quanto mais intensivo é o seu uso, maior a vulnerabilidade, portanto a necessidade de segurança, acrescenta o executivo.

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