Serpro vai antecipar migração de sites sensíveis para o IPv6


O Serpro vai antecipar a migração dos sites mais sensíveis do governo sob sua administração para a nova geração de Protocolo da Internet,  IPv6, até o final deste ano. A informação foi prestada nesta terça-feira (28), pelo presidente do órgão, Marcos Mazoni. Ele disse que a medida vai dar mais segurança aos portais da Presidência da República e da Receita Federal, por exemplo, que têm sido alvos de ataques desde a semana passada.

Segundo Mazoni, o pico dos ataques ocorreu na madrugada da quarta-feira passada e chegou a causar a instabilidade nos dois sites, com a tentativa de dois bilhões de acessos simultâneos, volume 10 vezes maior do que o normal. “O site da Presidência da República foi tirado do ar por cerca de uma hora, mas não houve invasão às bases de dados”, afirmou. Ele disse que os ataques continuam em menor volume (o dobro do normal) e, por isso, estendeu as medidas de segurança para toda a infovia que serve aos órgãos públicos, aumentando a segurança nos sites do governo, mesmo aqueles não administrados pelo Serpro.

Mazoni disse que de quarta-feira passada até hoje, pelo menos 200 sites públicos foram alvos dos crackers, sendo 20 deles de órgãos do governo federal. Mas disse que as ações têm se caracterizado como ataques de cargas e de tentativa de pichação e que não foram registradas tentativas de acessos indevidos às bases de dados dos portais. “Os dados que foram publicados na internet não foram extraídos dos sites, eles estão disponíveis na rede de alguma forma”, sustentou.

A migração dos sites para o IPv6 estava prevista para ser concluída em 2013, prazo dado para todos os países. O uso da nova versão do protocolo obrigará a identificação de todos os IPs de acesso, o que não está sendo possível na versão atual, em função do esgotamento dos endereços, obrigando ao uso de IPs provisórios (dinâmicos).

Os ataques da quarta-feira, por exemplo, usaram IPs dinâmicos disponíveis em servidores instalados na Itália. Mas não foi possível ainda identificar os autores. “Isso está sendo investigado pela Polícia Federal e pela Abin”, disse Mazoni. Ele não acredita que tenha qualquer relação com a decisão do Brasil em negar a extradição do italiano Cesare Battisti, que foi contestada pelo governo daquele país.

Crime

Para Mazoni, os ataques estão sendo considerados crimes já que causaram prejuízos ao governo, especialmente pelo reforço necessário à equipe de segurança da rede. “Tivemos que dobrar nosso pessoal de vigilância aos sistemas, o que acarretará mais gastos ao erário público”, disse.

Mazoni descartou qualquer fragilidade no sistema do Serpro e afirmou que o órgão tem feito investimentos constantes em segurança. “Este ano, por exemplo, estamos pretendendo investir entre R$ 15 milhões a R$ 20 milhões nessa área”, disse, admitindo que o Serpro administra sistemas muito críticos e que necessitam de atualização constante de mecanismos de segurança.

O presidente do Serpro deixou claro que não é contra a ação de hackers, quando buscam maior transparência dos atos do governo. “Nós apoiamos a ação do grupo Transparência Hackers na vigilância constante do Estado brasileiro. Eles fazem um trabalho bom, de fortalecimento da democracia, que não pode ser comparado aos ataques promovidos pelos crackers, que servem apenas para criar desconfiança no uso da internet”, disse.

Anterior MiniCom quer implantar rede 4G até junho de 2013
Próximos TV via satélite já tem quase metade dos clientes de TV paga brasileira