Sercomtel já avisou à Anatel que deseja migrar a concessão para autorização


Fachada da Sercomtel, em Londrina (Foto: Devanir Parra/Divulgação)

A operadora londrinense Sercomtel já manifestou à Anatel o desejo de migrar sua concessão para o regime de autorização. A adaptação, porém, ainda não é possível porque falta à agência regulamentar o procedimento. Por sua vez, a Anatel esperou até semana passada o decreto presidencial que deixou clara a possibilidade de renovação das licenças de espectro que vencem a partir deste ano, o que deve acelerar a publicação das regras pelo regulador.

A operadora regional passa por dificuldades financeiras, e por isso é alvo de processo de caducidade na Anatel. Para evitar a perda do direito de explorar os serviços de telecomunicações, a prefeitura estruturou ano passado um plano de privatização, que prevê o leilão do controle da empresa na B3, a bolsa de valores brasileira. O leilão foi realizado no começo do ano, mas ficou vazio, sem interessados. Desde então, a prefeitura de londrina se debruça sobre o edital, promovendo alterações para torná-lo mais atrativo.

Segundo o secretário de governo de Londrina, Juarez Tridapalli, seis interessados acessaram o data room em busca de mais informações a respeito da empresa. Ele não revela quem pediu informações, mas o Tele.Síntese apurou que entre os interessados há fundos de investimentos que vêm realizando aportes no mercado de provedores regionais de internet, e operadoras de atuação nacional.

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Novo edital

Tridapalli explica que o novo edital vai prever uma nova configuração da venda do controle. A grande diferença deve ficar por conta do valuation da operadora. No leilão que terminou vazio, o valor da ação foi calculado com base no patrimônio. Agora, deverá usar o método do fluxo de caixa descontado e considerar também múltiplos de mercado. O resultado deve ser uma fatia maior transferida ao comprador.

No primeiro edital, esperava-se aporte de R$ 130 milhões na empresa por fatia de cerca de 78%. Pelo novo método, o porcentual do capital social que vai mudar de mãos deve passar de 80%. A prefeitura, dona hoje de 55% das ações, e a Copel, com 45%, ficam com o restante, com direito de tag along caso o novo controlador venda a companhia no futuro.

“Estamos em vias de publicar o edital, o que deve acontecer em 15 dias. A intenção era publicar na segunda-feira [29], mas o responsável adoeceu de Covid, então deve ficar para outra semana. E o leilão deve acontecer até a segunda semana de agosto”, disse o secretário ao Tele.Síntese. Segundo ele, outros pontos do edital também foram alterados para torná-lo mais atraente aos investidores.

Alternativa

A prefeitura de Londrina não deixou todos os ovos na cesta do leilão, no entanto. No último dia 10 de junho, a câmara da cidade aprovou a tomada de empréstimo de R$ 30 milhões junto à Fomento Paraná, instituição financeira do governo do estado. O valor será acessado apenas caso o novo leilão não tenha sucesso, explicou Cláudio Tedeschi, presidente da Sercomtel, ao Tele.Síntese.

Caso não apareçam investidores, o que ele considera improvável, a companhia vai acessar o dinheiro e dar início a plano de reestruturação para sanear as contas da empresas e torná-la rentável para a prefeitura no médio prazo. Enquanto isso, a Sercomtel segue vendendo terrenos cuja negociação dispensa anuência da Anatel.

“Apesar das dificuldades, a Sercomtel sempre manteve a qualidade. Então acho que é um intangível importante, e toda a estrutura que possui desperta interesse. Tem uma rede fixa grande ainda, que só precisa ser substituída. Como a estrutura está montada, com investimento razoável, é possível recuperar”, ressalta o executivo.

Ele reconhece que a pandemia acrescenta uma pitada de instabilidade em um processo já que é difícil por si só. “O mercado já andava nervoso com a economia, ficou mais. Os dados de recuperação são mais difíceis de prever em médio e longo prazo, o que tornou planejamento mais complexo. Quando havia tendência de melhorar, com a aprovação da Lei 13879, aí vem a pandemia”, lembra. Segundo ele, o plano B de recuperação começaria a dar resultado em um ano.

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