Sepin diz que críticas à política industrial revelam interesse externo no mercado brasileiro


O secretário de Política de Informática do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Virgílio de Almeida, rebateu, nesta terça-feira (8), as críticas das empresas estrangeiras sobre a política industrial e de compras públicas, que beneficiam os produtos fabricados no país. Segundo ele, não se trata de uma reserva de mercado, como afirmam os críticos, mas uma estratégia de governo que visa aumentar o conteúdo produzido aqui e as atividades inteligentes no processo industrial do país, gerando empregos de qualidade.

 

 

“Essa é uma política de governo que será perseguida e os órgãos ligados ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação têm procurado cada vez mais a importância dessa estratégia, que não é boa apenas para o Brasil, mas é boa também para os parceiros no exterior, em função da atratividade do mercado brasileiro”, disse Almeida. Ele lembrou que o país já é o terceiro mercado do mundo de microcomputadores, abaixo apenas da China e dos Estados Unidos; o quinto mercado de celulares e quarto ou quinto mercado de veículos, e que estão em crescimento, às vezes em contraposição às tendências globais.

 

 O titular da Sepin, que participou hoje do 4º Diálogo Brasil – União Europeia sobre sociedade da informação acredita que as críticas decorrem das previsões de crescimento dos mercados de TICs e telecomunicações, que junto já respondem por 6% do PIB e que, em seis anos, chegarão a 8%, o que representa um dos maiores setores da economia como um todo. “Nós não estamos fazendo reserva de mercado, empresas de todos os países podem concorrer, o que nós estamos dizendo é que quem produzir aqui terá incentivos”, disse.

 

 O diretor-geral adjunto para Sociedade da Informação e Mídia da União Europeia, Zoran Stancic, chefe da delegação da UE no Diálogo, discorda. Para ele, políticas discriminatórias que fazem parte de um pacote de estímulos no longo prazo se revertem em prática protecionista e coloca em perigo o crescimento global das TICs.

 

 Zoran disse que não cabe a EU ditar a política que o Brasil vai adotar, porém assegurou que a abordagem dos países europeus para essa questão é diferente. Ele assegurou que as empresas européias instaladas no país têm planos de investimentos fortes e revelou que só uma delas prevê aplicar 14 bilhões de euros nos próximos cinco anos, sem citar o nome da companhia.

 

 Almeida e Zoran afirmaram que a política de compras do governo não foi debatida no 4º Diálogo diretamente, mas sim por meio da discussão sobre um marco regulatório para o setor. “Cabe ao governo brasileiro decidir que regras vai seguir, mas nada impede que esse debate possa influenciar positivamente esta escolha”, disse.

 

 P&D

Almeida e Zoran anunciaram o lançamento de um segundo chamamento público para financiar pesquisadores e indústrias nas duas regiões em projetos conjuntos nas áreas como computação em nuvem para a ciência, tecnologias sustentáveis para as cidades inteligentes, plataformas inteligentes para uma sociedade mais inteligente e aplicações de transmissão híbrida de banda larga, TV e serviços. O edital deve ser lançado no segundo semestre de 2012 e repassará 10,5 milhões de euros para os trabalhos selecionados.

 

No chamamento anterior, em 2009, foram repassados os mesmos valores para cinco projetos selecionados entre os 42 apresentados nas áreas de microeletrônica e microssistemas, controle de rede, internet do futuro, ambiente de teste da internet do futuro e segurança da internet do futuro.

 

 Almeida destacou dois projetos em andamento, o que usa TICs para diagnóstico e tratamento da Doença de Chagas, e o de monitoramento de rede, que analisará e proporá economia e maior produtividade a uma montadora de veículos europeia instalada no Brasil.

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