Sem políticas práticas, mercado banda larga pode estagnar.


A pesquisa Barômetro Cisco de Banda Larga, realizada pela consultoria IDC Brasil, aponta que o Brasil atingiu, em 2006, 5,7 milhões de usuários banda larga, registrando um crescimento de 40,1% em relação ao ano de 2005. Segundo Pedro Ripper, presidente da Cisco Brasil, essa expansão de acesso banda larga pode se repetir em 2007. “Mas …

A pesquisa Barômetro Cisco de Banda Larga, realizada pela consultoria IDC Brasil, aponta que o Brasil atingiu, em 2006, 5,7 milhões de usuários banda larga, registrando um crescimento de 40,1% em relação ao ano de 2005. Segundo Pedro Ripper, presidente da Cisco Brasil, essa expansão de acesso banda larga pode se repetir em 2007. “Mas de 2008 em diante, continuar crescendo neste ritmo, pode não ser possível”, afirma Ripper.

Para o presidente da Cisco, alguns gargalos podem emperrar a evolução do acesso à banda larga no País. Infra-estrutura é um deles. “A falta de um modelo pragmático de expansão para locais fora dos centros mais populosos, pode impedir o aumento do volume de usuários do serviço”, analisa Ripper, que aponta que atualmente, apenas 600 municípios, dentro do universo de mais das 5 mil cidades brasileiras, têm o serviço disponível. “Diante disso, as operadoras podem se deparar com a saturação da base de usuários”.

A questão preço, também é indicada por Ripper como uma barreira. “A queda no valor das ofertas, que também advém do aumento no volume de consumo e da ampliação para mercados remotos, precisa se adequar as necessidades das classes mais baixas”. O aumento na competição entre as operadoras deu sinais de que é possível provocar queda nos preços. No ano passado, o valor das ofertas registrou um decréscimo de 8%, segundo o estudo. “Mas no contexto de inclusão digital, em que o serviço banda larga compete no orçamento do brasileiro com os itens alimentação e educação, os preços precisam diminuir sensivelmente”, avalia.

Para ampliar a competição e a penetração do serviço, Ripper sinaliza que seria viável o estabelecimento de políticas para unbundling e a definição imediata, por exemplo, da licitação de novas freqüências de transmissão, como a para WiMAX. Sobre a lentidão de um posicionamento por parte do governo, o presidente da Cisco afirma que é importante uma avaliação cuidadosa, como vem sendo feita, principalmente para estabelecer uma política que beneficie a inclusão digital. "Mas postergar indefinidamente isso é um risco para o mercado. É preciso haver mais pragmatismo".

Ripper também aponta a flexibilização da carga tributária — uma das mais altas do mundo — e a criação de novos modelos de negócio, como maneiras para se alcançar mercados ainda não atendidos.

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