Sem O2, grupo Telefónica registra alta de 162% nos lucros


Companhia aponta procura acelerada por 4G, com base crescendo mais de cinco vezes em relação a um ano antes. A receita aumentou acima do guidance. O capex também foi 21,5% maior que no mesmo período do ano anterior.

O grupo espanhol Telefónica, que no Brasil controla a Telefônica Vivo, divulgou na manhã de hoje (14) o balanço financeiro do primeiro trimestre de 2015. A companhia registrou aumento de 12,6% em receita (11,5 bilhões de euros) e de 162% nos lucros (1,8 bilhão de euros). A empresa não divulga lucro antes de juros e amortizações. No lugar, apresenta a receita antes de juros e amortizações (OIBDA), que no caso, cresceu 7,7%, ficando em 3,6 bilhões de euros. O capex também cresceu, 21,5% sobre o mesmo período do ano anterior, assim como o endividamento, que aumentou para 45,62 bilhões de euros – maior 3,8%.

Na divulgação, a companhia ressalta que vai atender ao guidance para 2015, no qual estima crescimento de receita acima de 7%, redução da margem OIBDA de no máximo 1 ponto percentual, capex de 17% e relação dívida OIBDA menor que 2,35x. No primeiro trimestre, a previsão era de crescimento de receita de 8,8% (registrou-se alta 12,6%), erosão de 1 ponto na margem (registrou-se 1,4 p.p.), e capex maior em 13,3 (registrou-se 25,8%). A relação de endividamento ficou na meta para o período, em 2,13x.

A multiplicação do lucro se deve ao desconto em despesas da O2, operação de telefonia móvel no Reino Unido vendida recentemente à Hutchison Whampoa por £10,5 bilhões. Embora a venda ainda não tenha sido concluída, os resultados financeiros da empresa já foram segregados e devem passar à Hutchison ao final do negócio.

O aumento dos gastos com investimentos (capex) se concentrou em redes de fibra, para entrega de ultra banda larga, e 4G. No período, na Espanha, principal operação do grupo, o crescimento de acessos banda larga por fibra foi de 111%, e o de conexões LTE subiu mais de 400%. No mercado de TV paga, também melhorou: a alta nos acessos foi de 53%.

O braço latino-americano também teve boa performance. A Telefónica Hispanoamérica  teve aumento de receita de 19,6%, em média, e de OIBDA de 23,5%. O México se destacou, com ganho de receita de 13,9% e de OIBDA de 82,4%. A Telefônica Brasil cresceu 4,3%. A Telefónica Alemanha também apresentou melhora no faturamento, que subiu 2,9%.

Segundo César Alierta, CEO do grupo, os resultados positivos vão se repetir pelos próximos trimestres. “No primeiro trimestre de 2015 a Telefónica iniciou um novo ciclo de crescimento”, afirma no comunicado. A expansão, alega, se deve a um conjunto de medidas, que permitem à empresa colher resultados em diferentes áreas. “O crescimento é baseado em serviços de maior valor, que impulsionam a receita por acesso, mas que exigem pesados investimentos em função da demanda gerada”, explica.

A grande transformação acontece no perfil do uso da rede. Voz perde importância, enquanto o tráfego de dados aumentou 39%, em média, nas empresas do grupo. O tráfego com vídeo cresceu 72% em relação a março de 2014. “O tráfego LTE já representa 11% do tráfego móvel, apesar de termos apenas 6% da base de usuários com este tipo de acesso”, explica. Ele afirmou que as operações de compra da GVT e da DTS (empresa de cabo espanhola por 295 milhões de euros) devem ser finalizadas ainda neste trimestre.

No mundo, a companhia é responsável por 319,1 milhões de acessos – 252,8 milhões móveis e, destes, 91,4 milhões são por smartphones. São 17,7 milhões de usuários banda larga, 2,1 milhões de assinantes FTTH. Na TV paga, possui 5,5 milhões de clientes.

O resultado foi impactado positivamente por diferenças cambiais, especialmente nos mercados da América Latina. A dívida líquida era de 45,62 bilhões de euros em março, 540 milhões de euros maior que em dezembro, alta motivada por pagamentos de espectro e pagamento de equity. A previsão é de reduzir a dívida par 31,7 bilhões de euros após a conclusão da venda da O2.

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