Sem mais frequência, quais são as opções da Oi?


Muitos são os argumentos da Oi para a sua ausência no leilão de 700 MHz:  está se preparando para outras oportunidades; tem o refarming de suas frequências; pode usar sua frequência de 1,8 GHz para oferecer 4G; não precisa colocar uma montanha de dinheiro em uma frequência que só poderá ser ocupada em 2019; há uma proposta de consolidação que afetará também o espectro radioelétrico; ou ainda quer participar do jogo da concentração do mercado como protagonista.

Os argumentos da Oi podem até ter sentido, mas raramente acontece no mundo uma operadora de telefonia móvel desistir de antemão de uma venda de espectro. Frequência, sabem todos os que estão no mercado do celular,  é essencial, é vital, é fundamental. Além da Oi, duas outras operadoras que atuam no mercado brasileiro também não se interessaram pelo leilão: a Nextel, cuja holding está em concordata; e a Sercomtel, estatal que enfrenta sérios problemas administrativos e econômicos, devido a excessivos desmandos da prefeitura.

Das quatro grandes empresas que aqui prestam o serviço móvel, a Oi é a que menos frequência tem. Como quarta entrante no mercado de celular, a Oi só arrematou a banda de 1,8 GHz. Não tem nenhum pedacinho da faixa nobre de 850 MHz (vendidas com a privatização da Telebras e no leilão da banda B) em mercados relevantes. Para não falar que não tem nada, a Oi comprou a Amazônia Celular (que estava na banda A de 850 MHz) e ficou com um pedaço deste espectro na “populosíssima”floresta amazônica. A Oi tem também alguns pedaços da faixa de 900 MHz.

No leilão da 2,5 GHz, a Oi comprou apenas 10 MHz, igual a TIM. Os dois outros grandes grupos – Claro, da América Móvil e Vivo, da Telefónica – arremataram os outros 20 MHz cada. Agora, com a desistência da Oi do leilão de 700 MHz, as três empresas poderão comprar a fatia da Oi, aumentando ainda mais a distância entre as empresas com espectro e as sem espectro.

Transmissão de bits, de imagem, de vídeo, de movimento, de emoção precisa de muita frequência. Banda larga precisa de banda. A Oi terá dificuldades no futuro de competir com as outras empresas que têm muito mais banda. Ninguém queria o leilão. Mas as que compareceram – mesmo reclamando de se custo altíssimo, de R$ 3 bi para cada empresa – sabem que não tinham saída. Era comprar ou comprar. A Oi diz que tem saída. Quais são elas?

O caminho , na aposta do mercado, é a aquisição de  empresas. Além da TIM, o mercado já especula que a Oi poderia comprar a Nextel. Esta operadora tem porte bem menor (não exigindo tanto desembolso como uma TIM), e tem uma coisa que a Oi vai precisar: frequência barata. A Anatel está prestes a autorizar (a consulta pública já foi lançada) a Nextel  a migrar para o SMP (serviço móvel pessoal) sem precisar pagar nada por suas frequências. Uma proposta certamente vantajosa para a Oi, que não precisaria se endividar tanto mais para crescer no mercado de telefonia móvel, onde amarga o quarto lugar no ranking brasileiro, e assimilar os clientes Nextel em seu market share.

Neste emaranhado de especulações tudo é permitido: por que não o fatiamento da própria Oi? Até técnicos da Anatel já levantaram esta hipótese. A fusão com a TIM , negada pela italiana, mas não descartada pela brasileira, também continua no cardápio, e nas justificativas para a ausência da Oi no leilão. A compra da TIM fatiada pela Oi também continua a ser citada.

Na avaliação de alguns analistas, a iniciativa do banco BTG para a compra da TIM deve ser entendida como um movimento do banco para vender sua posição, que já se desvalorizou muito desde a última captação no mercado.  Com o aumento de capital de R$ 8 bilhões, o BTG se tornou um dos maiores acionistas individuais da concessionária brasileira (a PT é maior acionista, mas quem tem as ações da Oi são seus controladores individualmente). Diferentes interlocutores entendem que o banco quer mesmo é sair da Oi, levando consigo os demais sócios privados brasileiros, como a AG e o La Fonte.

E se a consolidação for brecada? Não der certo? É mesmo irreversível, depois que a Telefônica comprou a GVT? Sob qualquer hipótese, a posição da Oi, de não comprar mais frequênica, é muito arriscada.

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1 Comment

  1. Marques
    26 de setembro de 2014

    À Oi apenas resta a saída da consolidação: com a Claro, Vivo ou TIM. Como a dívida da Oi é tão grande apenas lhe resta ser comprada ou associada sem prevalência de voto. O facto da Oi não ter concorrido a uma licença reforça a ideia que o “casamento” terá que acontecer com uma das 3 que obterão licença: Claro, TIM ou Vivo. Vivo não será, o regulador brasileiro não permitiria; Claro, tenho dúvidas que o regulador permitisse, pela concentração que tal facto envolveria, sem remédios; resta a TIM. Neste casamento a Oi será a noiva e não o noivo. Não se esqueçam por aí, que quem comprar os 900m€ que a PT injectou na Rioforte (BES) e fizer uma oferta pela PT de 1,7mM€ passa a ter 36,5% da Oi, com decisão maioritária na Oi, visto se tornar o accionista maioritário e tudo pode mudar. Imaginem que era a Telecom Itália (dona da TIM) responsável por tal oferta? Abraço para o Brasil.