Sem DVB, Siemens suspende investimentos.


Antecipando-se ao que considerava altamente provável – a adoção do padrão de TV digital DVB -, a subsidiária brasileira da Siemens investiu R$ 11 milhões na criação de centro de P&D em Manaus (com a criação de 70 postos de trabalho), associado à futura produção de setop boxes. O projeto, distribuído entre centros Siemens de …

Antecipando-se ao que considerava altamente provável – a adoção do padrão de TV digital DVB -, a subsidiária brasileira da Siemens investiu R$ 11 milhões na criação de centro de P&D em Manaus (com a criação de 70 postos de trabalho), associado à futura produção de setop boxes. O projeto, distribuído entre centros Siemens de vários países, segundo o diretor de tecnologia Mario Baumgarten, previa investimentos no Brasil de R$ 100 milhões, em dois a três anos (elevando para 100 os postos de trabalho) para produção local de setop boxes.

“Se a decisão não for favorável ao DVB, nem mais postos de trabalho, nem investimentos. Nós antecipamos a decisão de investir para que outros países não roubassem a iniciativa. Investimos baseados na lei das probabilidades, uma vez que apenas cinco entre 100 países não adotaram o padrão”, afirma o executivo.

Quanto ao Japão, Baumgarten repete o que os demais representantes da Coalizão DVB Brasil disseram ontem: o que há, hoje, além de intenções? Segundo o executivo, a indústria japonesa tem todas as condições de competir com DVB

Nokia não vai produzir terminais para ISDB

A manifestação da Siemens segue-se à da Nokia, ontem, pela voz de seu diretor geral, Claudio Raupp, que avisou que a indústria da Finlândia não vai produzir terminais com capacidade para transmitir TV digital no padrão japonês ISDB, pela simples razão de que não teria escala e, no Japão, não há GSM, o que encareceria ainda mais o aparelho.

“Lá, a renda é mais alta e o consumo é alto na faixa hiend, mas o objetivo da Nokia é massificar a produção”, argumentou o executivo na coletiva de imprensa convocada pela Coalizão no dia 8.

Também ontem, sobre a possibilidade de os japoneses investirem US$ 2 bilhões em planta de semicondutores no Brasil, Marcos Magalhães, presidente da Philips do Brasil, declarou: “Qualquer promessa é fantasiosa. Digo e assino embaixo”.

A seu ver, nesta área, o país já perdeu o bonde da história, e não há volta. Ele lembrou que, na década de 80, eram vários os projetos de fabricação local de circuitos integrados e a própria Philips chegou a montar uma unidade em Recife. “Mas, no início dos anos 90, a Secretaria Especial de Informática convidou Philips, Siemens, NEC, Motorola, Texas Instruments, entre outras, a se retirar do país. Nós saímos, demitindo dezenas de engenheiros”, afirmou Magalhães. A seu ver, hoje, o país tem de concentrar esforços no que é bom: software e conteúdo, ao invés de pensar que, em semicondutores, pode concorrer com a Ásia.

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