Sem demanda efetiva e sem frequência, Brasil perde lugar no smart grid


O Brasil é o maior mercado potencial do mundo para o smart grid, com mais de 70 milhões de medidores de energia precisando ser substituídos. “! 90% dos medidores brasileiros ainda são eletromecânicos. E os outros 10% que fazem a medição eletrônica são autistas, mudos e surdos”, afirma Paulo Pimentel, da iAPTEL, que formulou um estudo de mercado para a ABDI. Mas até hoje, os projetos realizados são apenas de pesquisa e inovação, pequenos demais para criar uma demanda efetiva por novos produtos.

A Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) está produzindo um minucioso estudo sobre Redes Elétricas Inteligentes (REI) e quais são os gargalos para o país ampliar a digitalização da rede elétrica ao mesmo tempo em que fortalece a indústria nacional de software e equipamentos. Um dos principais problemas, aponta Paulo Roberto Pimentel, diretor de tecnologia da iAPTEL é que todos os projetos desenvolvidos até agora no país não têm escala para alavancar a indústria, pois ficaram restritos à pesquisa e desenvolvimento. “O maior projeto do país é o da Eletropaulo, que já gastou R$ 75 milhões em P&D, com 62 mil medidores”, afirmou o executivo em workshop promovido hoje, 7,  pela agência.

Outros projetos, como o de Búzios, no Rio de Janeiro, têm apenas 200 medidores inteligentes em campo. “Enquanto isso, 90% dos medidores brasileiros ainda são eletromecânicos. E os outros 10% que fazem a medição eletrônica são autistas, mudos e surdos”, afirmou Pimentel.

O Brasil é, hoje em dia, o maior mercado potencial do mundo, com uma demanda reprimida para a substituição de mais de 72 milhões desses medidores. Mas para isto faltam modelos de negócios, integração dos setores, mexer na regulação,  e o desenvolvimento de uma política industrial setorial.

Interoperabillidade

Falta inclusive a  definição de interoperabilidade e de padrões de segurança. Pode parecer bizarro, mas o INMETRO, por exemplo, está refazendo toda a norma técnica de certificação dos medidores inteligentes depois que uma empresa de energia elétrica foi “atacada” por um equipamento digital e acabou sofrendo um prejuízo de mais de R$ 80 mihões.

Espectro

O problema não é só interno ao setor elétrico. Há questões a serem resolvidas outros segmentos econômicos. Embora o setor de TIC  esteja cada vez mais interessado nesse mercado, as empresas de energia elétrica  não conseguem sequer reivindicar junto à Anatel uma fatia de espectro para a prestação desse serviço.

“Na maioria das vezes, as empresas preferem usar as frequências não licenciadas, que não estão imunes a interferências”, alerta Pimentel. Segundo ele, em um projeto no interior de São Paulo, a distribuidora teve que substituir os medidores porque eles passaram a sofrer interferência dos caixas eletrônicos de um banco da região por estarem usando as frequências  não licenciadas.

Com o diagnóstico do mercado feito, a ABDI pretender, até março/abril do próximo ano, concluir uma proposta de formulação de política industrial a ser endereçada aos diferentes ministérios responsáveis pela área, disse o coordenador do projeto, Carlos Frees.

 

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