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*Gustavo Silbert é Presidente da Embratel Star One

Por Gustavo Silbert*, Presidente da Embratel Star One

Ainda que não tenha percebido, você utiliza muitas vezes em seu dia a dia serviços de telecomunicações oferecidos a partir de satélites. Seja para assistir à TV, pagar uma conta, acessar um e-mail, fazer uma compra online, consultar a previsão do tempo ou descobrir o caminho mais rápido até o escritório, a infraestrutura satelital está presente em seu cotidiano. Tarefas aparentemente corriqueiras como essas somente são possíveis graças a essa tecnologia.

Estimativas indicam que o Brasil terá cerca de 400 milhões de dispositivos móveis em 2018, ou seja, quase dois aparelhos por habitante. Esse crescimento só será possível com a ajuda de satélites, que complementam as estruturas terrestres de telecomunicações para levar dados, voz, imagens, conhecimento e muitas emoções. Foi assim na Copa do Mundo de 1970, quando transmitimos a cores a conquista do tricampeonato a todos os brasileiros, e também nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016, o maior evento do mundo, transmitido para mais de 5 bilhões de pessoas por meio de satélites com cobertura para o território brasileiro.

Não com tanta emoção como nos esportes, mas com a mesma qualidade e rapidez, a infraestrutura satelital atua como a base de setores importantes da economia brasileira. Os satélites garantem atividades muito complexas, envolvendo bancos, redes corporativas de grandes empresas, provedores de Internet, Broadcasters, projetos militares, segurança pública e sistemas de pagamento no varejo. São capazes de emitir e receber sinais tão precisos quanto sua engrenagem. O envio constante de informações é feito em alta velocidade, ficando imperceptível para os consumidores que o sinal vem do espaço.

O Brasil é uma referência mundial nesse segmento graças a investimentos de bilhões de dólares feitos pela iniciativa privada para levar sinais de dados de empresas, voz, telefonia celular e televisão a qualquer localidade, por mais remota que seja. A título de referência, entre 2011 e 2016, o setor investiu US$ 3,4 bilhões, segundo o Sindisat – Sindicato Nacional das Empresas de Telecomunicações por Satélite.

A construção e lançamento de um satélite é um processo que envolve várias fases e demanda uma precisão cirúrgica. A fase de planejamento e construção geralmente demora cerca de três anos, período representativo uma vez que um satélite tem vida útil de apenas cerca de 15 anos. Parece muito, mas é, na prática, um alto investimento para uma duração relativamente curta.

Após o lançamento, o trabalho em terra depende de modernos centros de operações, equipados com tecnologia de ponta. A excelência entre os centros brasileiros é o Centro de Guaratiba (RJ), que é o maior e mais moderno da América Latina. Foi o primeiro local do mundo a receber a certificação ISO 9001:2000 pelo serviço de gerenciamento satelital, posicionando-se como um dos centros mais confiáveis do planeta.

Atualmente, temos no País cerca de 15 satélites geoestacionários em posições orbitais brasileiras e 35 satélites apontando para nosso território, mas ocupando posições orbitais de outros países. Essa estrutura apoia dezenas de milhões de estações terrenas que prestam serviços como os de banda larga e TV por Assinatura.

Além das aplicações empresariais, a tecnologia satelital é imprescindível também para os avanços na área da ciência. A SSPI – The Society of Satellite Professionals International produziu o prêmio “Como os Satélites fazem o Mundo Melhor” para destacar iniciativas nessa área. Um dos casos recentes foi a descoberta de água subterrânea em solo arenoso na Califórnia. O projeto desenvolvido por pesquisadores da Universidade de Stanford seria inviável sem os dados fornecidos pela alta tecnologia satelital que mediu, com precisão, as mudanças gravitacionais e indicou a diferença entre o que é terra e água na localidade.

Independente da complexidade para o desenvolvimento e controle, é fato que os satélites continuarão em destaque nos próximos anos para suportar as estruturas de telecomunicações que estão cada vez mais robustas e demandando maior volume de dados a cada ano. A estrutura satelital existente permite que o Brasil esteja no topo da lista dos países mais avançados do mundo. Com mais de um celular por habitante e com comunicação em praticamente toda a sua geografia, o Brasil está entre os mais avançados países do mundo em termos de infraestrutura satelital graças à iniciativa privada, tendo, portanto, condições de direcionar seus investimentos para outras áreas mais deficitárias. No que depender dos satélites, o avanço do Brasil será, sem dúvida, grande nos próximos anos.