O novo conversor a ser apresentado pela academia, e que conta com o apoio incondicional da empresa pública de TV, a EBC, vem com muito menos features, justamente para diminuir o preço, mas com o Ginga C incorporado, garantia da tecnologia nacional e dos programas de governo digital.

A caixinha ‘light”, como já foi batizada, não terá a porta HDMI, não terá o acesso à rede ethernet, mas sim ao WiFi e virá com memória menor, tudo para reduzir os custos em pelo menos US$ 8,00 e tornar viável a sua aquisição. Mesmo assim este preço ainda está longe do valor  do set top box zapper, que está na lista de preferência das operadoras de celular e dos radiodifusores, que custa cerca de US$ 20,00  enquanto o conversor completo com Ginga custa perto de US$40,00 (ou R$ 160,00). A ideia é fazer com que essa nova caixinha chegue ao preço de US$ 30,00 mesmo assim mais cara do que o conversor zapp, a caixa de noz vazia e sem cérebro.

André Barbosa, superintendente Executivo de Relacionamento Institucional da EBC, que está à frente na busca de alternativa para manter viva a chama da tecnologia Ginga, sabe que esse valor ainda é mais alto do que o conversor zapp, que quer ser distribuído para os cadastrados do Bolsa-Família nas grandes cidades brasileiras, já que foi prorrogado o calendário da migração para a TV digital brasileira.

E, para isso, além de fazer novas contas, apresenta também um novo projeto, o do uso do satélite como alternativa para massificar o acesso da TV digital à população de baixa renda, com o uso do Ginga. Vamos às contas e à proposta que será debatida no próximo dia 17:

- Inicialmente, estava prevista a distribuição do conversor para os integrantes do Bolsa Família de todo o Brasil. Seriam cerca de 17  milhões de famílias. Depois, foi ampliada essa distribuição  para todos os cadastrados, mas somente nas cidades onde haverá o desligamento da TV analógica (ou seja, 1,6 mil municípios com mais de 100 mil habitantes). E  nesse caso, seriam 5,8 milhões de conversores com o ginga, e 12 milhões com o Zapper, sem valor agregado.

A proposta que pretende defender a manutenção da tecnologia nacional prevê a entrega de todos os conversores light (para os cadastrados e os integrantes do programa), o que daria perto de 14 milhões de família. Mesmo assim, ficariam faltando de três a 4 milhões de famílias do planejamento inicial.

O satélite

E aí vem a ideia do satélite. Distribuir os conversores juntamente com a massificação da banda larga via satélite a ser feita pela Telebras. É uma ideia ousada, mas que vai precisar  muito diálogo  engenharia e vontade para poder ser apoiada. Primeiro, o satélite da Telebras não tem banda C, onde estão os canais terrestres de TV hoje analógicos que são recepcionados pelas antenas parabólicas (que ninguém na verdade sabe o seu exato tamanho de mercado, pois não há uma fonte confiável de referência).

Segundo, esse serviço nunca foi regulamentado, e por isso não tem previsão nem para a sua migração para o digital, nem quem são seus outorgados, o que precisaria ser resolvido. Terceiro, haveria uma mudança completa no conceito da digitalização da TV, pois é um programa para a TV terrestre, que também contaria com o satélite. Mas Barbosa se diz animado e confiante de que todas essas questões poderão ser resolvidas.

“Além do mais, o conversor seria um equipamento com  multiplataforma, com os demais softwares da Apple e outros instalados”, reflete.

A configuração do novo set top box deverá ser aprovada na reunião do dia 17, mas ela só será adotada se a reunião do Gired, que deve ocorrer provavelmente no dia 24 de fevereiro encampá-la.