Saída de Bava derruba ações da Oi


A saída de Zeinal Bava do comando da Oi repercutiu negativamente no mercado financeiro. A sua renúncia fez as ações ordinárias (OIBR3) da companhia apresentarem queda de 5%. As preferenciais (OIBR4) estão em queda de 6%, às 13h15 desta quarta-feira (8). Analistas de mercado ouvidos pelo Tele.Síntese, porém, não acreditam que a queda perdure e enxergam potencial para que ocorra, no curto prazo, ao menos uma retomada ao patamar acima dos 1,70 para a ordinárias e acima dos 1,60 para as preferenciais.

No médio e longo prazo, porém, o valor depende de consolidação envolvendo a Oi e a Tim e do nome do substituto de Bava.Atualmente, a vaga é interinamente ocupada por Bayard Gontijo. Circulam rumores, não confirmado, de que  Amos Genish, da GVT, estaria cotado. “Se for verdade, acho que vai ser muito bom, porque ele conduz a GVT de forma exemplar. Mas não sei se a Telefônica deixaria ele sair”, ressalta Alex Pardellas, analista de mercado da CGD Securities.

Para ele, a saída de Bava pode ser vista como indício de que a Oi realmente pensa em vender os ativos da PT em Portugal. “A venda não elimina a dívida, mas melhora bastante a relação dívida EBITDA”, destaca. A baixa atual, opina, reflete o pessimismo do mercado com mais uma mudança na direção da Oi. “A saída do Zeinal Bava é mais um processo de descontinuidade na empresa”, fala. 

Outro analista, que prefere não se identificar, concorda que a rotatividade no cargo é principal fator para o valor das ações hoje. “A companhia perde um líder em meio a uma reestruturação. Da última vez, a Oi ficou quase quatro meses com CEO interino e operações à deriva”, diz. A avaliação é de que sem Bava, a Oi fica mais fragilizada em uma possível consolidação, aumentando as chances de a empresa ser comprada em vez de ser a condutora de uma aquisição, mesmo que fatiada, da Tim.

O ItaúBBA emitiu um relatório no qual define a saída de Bava como esperada desde o evento do caso Rioforte envolvendo a Portugal Telecom, que causou um buraco de 897 milhões de euros na contabilidade da operadora portuguesa. A única questão em debate desde então, e segundo o relatório, era quem assumiria a Oi. A hipótese de Genish comandar a empresa é vista com incredulidade devido à expectativa de que Telefónica dê autonomia ao executivo para continuar seu trabalho na GVT. O banco também acredita que a Oi deve procurar um CEO com mais laços políticos e de perfil menos corporativo. Ainda assim, o cenário é negativo, e a previsão é de performance abaixo da média devido à falta de direção no momento em que se aventa uma consolidação e em que a Oi tenta um turnaround.

Já o BofA Merrill Lynch também soltou um relatório em que classifica a saída de Bava como “negativa, mas esperada”. As chances da consolidação ocorrer devem ajudar a empresa a manter o valor de suas ações no curto prazo, embora sejam previstas flutuações. O relatório diz ainda que as ações devem subir caso os rumores se confirmem e Genish seja chamado a presidir a Oi.

 

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