Roaming: os clientes da Vivo precisam de solução.


28/04/2006 –  Vem aí uma boa oportunidade para a Anatel resolver o problema de roaming dos clientes da Vivo. Na nova norma de alocação de freqüências para o SMP, que deve entrar em consulta pública no próximo mês, o regulador, já que existem freqüências disponíveis na faixa de 1,9 GHz (as do WLL), tem de …

28/04/2006 –  Vem aí uma boa oportunidade para a Anatel resolver o problema de roaming dos clientes da Vivo. Na nova norma de alocação de freqüências para o SMP, que deve entrar em consulta pública no próximo mês, o regulador, já que existem freqüências disponíveis na faixa de 1,9 GHz (as do WLL), tem de criar as condições para que a Vivo possa comprar freqüência para resolver o problema de roaming nacional, em Minas Gerais e Nordeste. Não é possível mais que seus clientes não possam se deslocar para essas regiões e não ter os serviços da operadora.

Se, no passado, um cliente Vivo que viajasse para Minas Gerais ou para o Nordeste conseguia ter roaming no modo analógico, mesmo se privando dos serviços digitais como o de mensagem eletrônica, hoje, em alguns lugares, seu celular fica literalmente mudo. Ou seja, sem serviço. As razões são compreensíveis. O sistema analógico foi drasticamente reduzido com a massiva substituição dos terminais analógicos por digitais e, ao longo do tempo, foi se degradando. Embora, por determinação regulamentar, as operadoras sejam obrigadas a garantir o roaming analógico, ninguém quer fazer investimentos em uma planta em final de vida útil.

É claro que a Vivo tem culpa nessa história. Cometeu um descuido estratégico, impensável para uma empresa com a maior base de assinantes do país. Não conseguiu, no passado, fechar a negociação para a compra da Telemig Celular, por considerar o valor alto; não avançou nos estudos para trocar de tecnologia, que exigiria, segundo analistas, investimento de US$ 1,5 bilhão em 2002; e não monitora, como deveria, a degradação acelerada do roaming analógico. E está pagando um preço alto por essa sucessão de erros. Vem perdendo market share – em quatro anos, caiu de 47% para 33% — e, de acordo com várias previsões, dificilmente chega ao final do próximo ano como maior operadora em número de assinantes. A aposta é de que será desbancada pela TIM.

Culpa da tecnologia?

Por mais que se declare uma empresa que já é de terceira geração, com oferta de serviços diferenciados, a Vivo, no roaming, enfrenta problemas característicos dos anos 90, quando não existia serviço automático e a operadora tinha que mandar um fax, para o local de destino da viagem de seu usuário, comunicando que ele estaria em roaming. Muitas vezes, o serviço era habilitado quando o viajante já tinha retornado à sua base. O assinante Vivo de hoje está vivendo dilema parecido. Ao viajar para o Nordeste, corre o risco de ficar muitas horas – quase um dia inteiro – sem serviço. E reclamar demanda tanto tempo, que é mais prático usar um orelhão.

As dificuldades da empresa no roaming nacional – e no internacional, já que 77% do mundo adota a tecnologia GSM – está fazendo com que perca competitividade especialmente no mercado corporativo. E entre os usuários que viajam com freqüência. “Não ter mobilidade é mortal”, diz um analista para quem a Vivo perdeu o timing de promover mudanças para se manter na liderança. E prevê que se a operadora não fizer logo uma correção de rumo, vai ver sua conta média mensal por assinante cair. “Sem roaming, acabará ficando com os clientes que não precisam de mobilidade nacional e internacional, que são os de contas menores”, raciocina.

A saída estratégica para a Vivo, de acordo com algumas análises, está na mudança para o UMTS, a evolução da família GSM, na terceira geração. Simplesmente por conta da hegemonia da família GSM no mundo. Se, no passado, a opção pelo CDMA lhe deu uma vantagem competitiva frente às operadoras que optaram pelo TDMA, que terminou descontinuado e deixou seus usuários sem opção de evolução, hoje esse caminho lhe impõe severas dificuldades, dizem esses analistas.

No caso do roaming, essa é uma verdade indiscutível. Os erros da empresa cabe a ela corrigi-los. Mas seu cliente não pode ser penalizado se há espectro disponível no país.Há os argumentos do mundo GSM, de que a destinação da freqüência do WLL para a telefonia móvel pode provocar interferência em outras faixas. Argumento que, para técnicos da Anatel, é combatido com a instalação de filtros nos sistemas.

Os concorrentes dirão ainda que esse cliente tem uma opção: mudar de operadora. Uma opção que tem preço: a falta de portabilidade numérica.

Muitos usuários não trocam de operadora, entre outros motivos, porque não querem perder o número. Portanto, a liberdade do cliente, oferecida pela competição, ainda não é total. Cabe à Anatel, na alocação de freqüências que vai promover, decidir de olho nos direitos do usuário.

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