Risco para a saúde pelo uso do celular é debatido na Câmara


Não existem indícios concretos que relacionem o uso do celular ao aumento de tumores no cérebro, mas não é possível desprezar o risco. Esse foi o consenso que saiu da audiência pública sobre “As implicações do uso do telefone celular para a saúde”, realizada nesta terça-feira (18), na Comissão de Comunicação e Tecnologia da Câmara. A polêmica gerada diz respeito ao encaminhamento da questão.

Enquanto alguns pesquisadores e médicos recomendam a realização de campanhas públicas alertando sobre possíveis riscos do uso do celular, representantes do governo e outros pesquisadores preferem aguardar mais estudos sobre o tema, de forma a evitar histeria na população. Para o professor do Centro de Estudos de Telecomunicações da PUC do Rio, Glaucio Siqueira, o Brasil tem uma legislação moderna para o tema – a Lei 11.934/2009 -, que atende as recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Siqueira discorda de que o celular terá situação semelhante ao que foi o raio-X e o cigarro no passado, que deixaram de ser proibidos ou tivessem o uso regulamentado e acabaram gerando muitas mortes. Tese defendida pelo pesquisador da USP, Osório Meirelles. Segundo ele, já existem cinco mil registros sobre o tema na própria USP, no Instituto de Prevenção do Câncer e na Fundação Antonio Prudente, que podem ser usados para definir tendências.

Meirelles reconhece que não é possível prescindir do celular na atualidade, mas recomenda que o governo promova campanhas informativas dos males que o uso continuado, especialmente por crianças, pode causar à saúde da pessoa.

O chefe de Serviços de Neurologia do Hospital Federal de Ipanema, Júlio Thomé, por sua vez, recomenda o uso de fones de ouvidos e do recurso do viva voz para evitar a radiação. Ele admite que não haja comprovação científica do aumento de tumores cerebrais pelo uso continuado do celular, mas aponta que dos 324 estudos sobre o tema divulgados no mundo, em 181 deles estão presentes indícios dos males que o aparelho pode provocar no usuário.

Os representantes da Anvisa, Marcio Varani, e da Anatel, Marcos Oliveira, dizem que as agências seguem as recomendações da OMS. Os deputados Rodrigo Maia (DEM-RJ) e Júlio Campos (DEM-MT) se mostraram preocupados com as exposições. Ambos defenderam que o governo financie mais pesquisas sobre o tema.

OMS

A possibilidade da radiação de telefones celulares em causar câncer, foi reconhecida recentemente pela OMS. A agência listou o uso do telefone móvel como “possivelmente cancerígeno”, mesma categoria do chumbo, escapamento de motor de carro e clorofórmio. A informação foi publicada no site CNN Health. Antes do anúncio, a OMS havia garantido aos consumidores que a radiação não tinha sido relacionada a nenhum efeito nocivo à saúde.

Uma equipe de 31 cientistas de 14 países, incluindo Estados Unidos, tomou a decisão depois de analisar estudos revisados por especialistas sobre a segurança de telefones celulares. A equipe encontrou provas suficientes para classificar a exposição pessoal como “possivelmente cancerígena para os seres humanos.”

Anterior Publicidade móvel é discutida em evento da MMA em SP
Próximos Mercado de plataformas como serviço deve crescer 38% em 2011