Ripper, da Cisco, prevê mudanças drásticas para o setor.


O mercado de telecomunicações está em transição e deve sofrer mudanças significativas nos próximos anos e deve alterar definitivamente os modelos de negócios. A previsáo é do presidente da Cisco no Brasil, Pedro Ripper, que prevê cenários distintos para o setor, que poderão surgir em decorrência da crise financeira mundial, dos caminhos da regulamentação dos …

O mercado de telecomunicações está em transição e deve sofrer mudanças significativas nos próximos anos e deve alterar definitivamente os modelos de negócios. A previsáo é do presidente da Cisco no Brasil, Pedro Ripper, que prevê cenários distintos para o setor, que poderão surgir em decorrência da crise financeira mundial, dos caminhos da regulamentação dos novos serviços e até do perfil dos consumidores.

Segundo Ripper, a receita do setor está mudando de forma rápida, o que exigirá uma readaptação das operadoras, com ações ousadas, sob pena de perder receitas. "As operadoras precisam apostar em novos serviços, a exemplo do que aconteceu com a banda larga, e em parcerias com empresas inovadoras, mais ágeis, capazes de atender as necessidades dos consumidores", sugere.

Ao analisar as tendências do setor, a Cisco vê que o vídeo irá definir o perfil do tráfego da internet; a internet móvel terá milhões de novos serviços e bilhões de novos usuários; os novos modelos de software mais próximos da indústria de telecomunicações; a necessidade de novos modelos de negócios; e a internet nos próximos 10 anos será muito diferente do que se conhece hoje, mudando a forma de trabalho e diversão das pessoas.

Cenários

Ripper traçou dois cenários possíveis de futuro, baseados em metodologia usada por grandes empresas. Em um deles, o que chamou de "New Order", o consumidor está disposto a pagar um prêmio pela qualidade, mesmo que pequeno; a competição será entre players que, em alguns serviços, são parceiros. "Para participar desse cenário, as operadoras precisam se reinventar rapidamente e mudarem radicalmente seus modelos de negócios", prevê Ripper, que não escondeu sua torcida por este futuro.

O outro cenário, denominado de "Futurama", a Cisco prevê um consumidor que não está disposto a pagar a mais; a qualidade ficará restrita para poucos grupos; e a receita será distribuída entre poucos players. "Neste caso, teremos uma espécie de monopólio regulado", disse Ripper.

O presidente da Cisco no Brasil acha que a atual crise financeira pode influenciar o futuro do setor, sobretudo em decorrência do crédito menor e, consequentemente, da redução dos investimentos. "Isso poderá favorecer ao surgimento de mercado semelhante ao do cenário 'New Order', porque dará um tempo maior para a remodelação das operadoras", avalia Ripper.

Ele defendeu também novas ações na área de regulamentação, como a criação de normas para IPTV e o lançamento de editais de freqüências sem amarração de tecnologia. Além disso, recomenda o início imediato do debate sobre neutralidade de rede, de modo que o país possa tomar posturas que evitem a fuga de investimentos.

"O que não pode acontecer é as operadoras continuarem a investir na infra-estrutura, mas não participarem das receitas geradas", disse.

Internet

A Cisco também divulgou previsões sobre o tráfego da internet até 2012. De acordo com o Visual Networing Index (VNI), elaborado pela empresa, a América Latina terá a maior taxa de crescimento de tráfego da internet nos próximos cinco anos, de 61%, acima da taxa de crescimento total, prevista em 46%.

Segundo o estudo, esse crescimento maior na Amárica Latina se deve ao rápido aumento da penetração da internet nos lares e a chegada das conexões de alta velocidade no âmbito educativo e empresarial.

O total do estudo será apresentado da palestra do presidente da Cisco no Brasil, Pedro Ripper, marcada para amanhã, na 10ª Futurecom, que se realiza em São Paulo.

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