Ricardo May: O empoderamento dos ISPS com a IPTV


A inovação no modelo de negócios da TV por assinatura no Brasil e a necessidade de ampliar a interatividade do telespectador com operadoras e produtores de conteúdo são dois bons argumentos para investimento em fibra.

Ricardo May- Presidente Cianet (foto: divulgação)
Ricardo May- Presidente Cianet (foto: divulgação)

A entrega de tecnologia de ponta é fundamental para que pequenos provedores de internet (ou ISPs, conforme a sigla em inglês) possam tentar competir com players maiores. Em telecomunicações, a fibra óptica já aparece como possibilidade real de implantação para empresas quem desejam ser mais competitivas. Por consequência, há a entrega de serviços de maior qualidade, além da atração, retenção e fidelização de clientes.

Há alguns anos, pequenas operadoras contavam apenas com serviços simples de conectividade, como rádio wi-fi, e perdiam mercado para quem tinha acesso à fibra. Com preços e condições mais flexíveis, pequenos ISPs começam a oferecer telefonia, conexão à internet e TV por assinatura a partir da mesma infraestrutura – utilizando, inclusive, FTTH (fiber-to-the-home), que leva a fibra para dentro da casa dos assinantes.

Dessa forma, enfrentar grandes operadoras já é uma realidade. Basta que sejam analisados os melhores cenários: como o bairro de uma capital onde a cobertura de grandes provedoras deixa a desejar. Afinal, mesmo players mais robustos, por vezes, possuem a última milha feita em cobre, o que baixa consideravelmente a qualidade do serviço.

Com valor agregado e possibilidade de upselling, pequenos e médios ISPs vislumbram crescimento. Um caminho para aqueles que já possuem grande parte da estrutura em fibra óptica – ou que estão dispostos a trocar pelo menos parte dela – é o investimento em TV via protocolo de internet (IPTV, na sigla em inglês). A inovação no modelo de negócios da TV por assinatura no Brasil e a necessidade de ampliar a interatividade do telespectador com operadoras e produtores de conteúdo são dois bons argumentos para tal investimento.

A tecnologia que utiliza a transmissão de dados via IP (internet protocol) para permitir uma operação de TV é diferencial no momento dos pequenos oferecerem serviços a novos consumidores. Ao possuírem uma solução robusta de middleware e oferecerem opções próprias ou de parceiros para headend e set-top-box, conforme dita o Manual do IPTV para operadoras, há um total empoderamento desse porte de empresa. Digo isso porque as possibilidades para operadoras são imensas e um dos principais retornos é o financeiro, pois há ampliação da receita ao identificar novos modelos de negócios.

A locadora virtual baseada no conceito de VoD (video on demand) e o T-commerce, que permite uma operação de comércio eletrônico pela TV, são alguns exemplos. Usuários podem alugar filmes diretamente nos servidores da operadora, bem como comprar produtos e serviços pelo controle remoto, integrando-se com meios de pagamento online.

Outros recursos tecnológicos que a IPTV oferece estão a TV sob demanda, que permite acessar e gravar programas e oferece liberdade de escolha do telespectador. O acesso por multi-telas é outro diferencial, indo muito além do aparelho de TV convencional – dispositivos móveis como tablets e smartphones podem suportar operações de IPTV.

A evolução da tecnologia proporcionada pelo IPTV vai além: por ser uma plataforma baseada na internet, é possível integrar-se com soluções de video-monitoramento corporativo, segurança de condomínios e residências e até do trânsito. A tecnologia, de forma customizada, permite que empresas utilizem como canal de treinamento, comunicação interna e publicidade, dentro do conceito de TV corporativa.

*Ricardo May é presidente da Cianet

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