Redes 5G entram em pauta com aumento do consumo de dados


Taxas de transmissão acima de 1 Gbps – que deverão chegar a 10 Gbps até 2020 -, maior eficiência espectral, arquiteturas em nuvem, heterogêneas e auto-organizadas, menor latência, menor consumo de energia tanto dos dispositivos como da infraestrutura e, ainda, alta capacidade do backhaul, baseado em tecnologias de rádio e fibra óptica. Essas são algumas das principais características – e também os desafios – das futuras redes móveis de 5.ª geração (5G), na visão de Fabrício Lira Figueiredo, gerente de Sistemas de Comunicação Sem Fio do CPqD, que falou sobre o assunto em sua palestra no I International Workshop on Challenges and Trends for Broadband Mobile Networks – Beyond LTE-Advanced, realizado na semana passada, em Campinas.
 

“O rápido crescimento do tráfego de dados móveis previsto até 2020, determinado principalmente pelas aplicações e serviços de vídeo, será o grande direcionador da evolução das redes para o 5G”, disse Figueiredo. Além de aplicações de vídeo avançadas, ele mencionou a internet das coisas como outro fator impulsionador do aumento do tráfego de dados, nos próximos anos. “As previsões indicam que, em 2020, serão dezenas de bilhões de dispositivos transmitindo informações sobre as redes móveis, em diversos segmentos e aplicações relacionados à internet das coisas, como M2M (machine-to-machine), por exemplo.”
 

O conceito de rede 5G ainda está em discussão e, segundo o gerente do CPqD, a formalização dos requisitos da tecnologia 5G pela União Internacional de Telecomunicações (ou ITU, na sigla em inglês) está prevista para 2015 – durante o evento World Radiocommunication Conference (WRC 2015). Com base nessa formalização, poderá ter início o processo de padronização da tecnologia no 3GPP (3rd Generation Partnership Project), o que está previsto para 2016 – e viabilizará o lançamento comercial dos primeiros produtos, a partir de 2020. “Para que as redes 5G se tornem realidade, diversos desafios tecnológicos precisarão ser superados, com o objetivo de permitir aumentos significativos na capacidade, no desempenho e na flexibilidade da rede”, observou.
 

Entre os novos conceitos em estudo, que poderão ajudar a vencer as limitações de capacidade – considerado um ponto crítico na evolução para o 5G -, Figueiredo destacou alguns exemplos de tecnologias que podem representar um caminho para a evolução do LTE Advanced (redes 4G): GFDM – Generalized Frequency Division Multiplexing, que oferece mais flexibilidade e eficiência espectral crescente; Redes Heterogêneas (HetNets), que combinam macro e small cells, e Self Organizing Networks (SON), baseadas em algoritmos responsáveis pela otimização automática da rede (handover, cobertura e balanceamento de carga).

O gerente do CPqD destacou ainda os esforços para que sejam incorporados como meta, para a próxima geração, a disponibilidade de aplicações de grande relevância para diversos países, como o atendimento de áreas rurais – a exemplo do que vem sendo feito com o desenvolvimento da tecnologia LTE na frequência de 450 MHz, recentemente padronizada no 3GPP. “Por meio da participação ativa no debate e definição do conceito das redes 5G e de seu processo de padronização, o CPqD pretende contribuir para que sejam incorporadas funcionalidades visando o atendimento de áreas rurais e remotas, que também apresentam demanda crescente por acesso banda larga, em países de grande extensão territorial e potencial econômico, como o Brasil”. (Da redação)
 

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