Rede de sensores, rede LTE privativa, rede WiFI: a conectividade avança no campo


As barreiras da conectividade no campo brasileiro começam a ser derrubadas por soluções diversas oferecidas pela indústria, normalmente na forma de serviço. São redes de sensores com transmissão via rádio, redes WiFi e redes privativas LTE.

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No diagnóstico traçado pelo estudo contratado pelo BNDES sobre a realidade da Internet das Coisas no país, no caso da digitalização da agropecuária constatou-se que a maior barreira está na conectividade. Se as redes de telefonia móvel cobrem quase 5 mil municípios, elas ainda não chegam um número grande de distritos e muito menos ao campo propriamente dito.

Mas a barreira da comunicação no campo começa a ser superada com a oferta de soluções de conectividade que fogem da telefonia móvel tradicional: são rede de sensores com transmissão via rádio ou rede dedicada, redes WiFi e redes privativas LTE.

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Essas soluções foram apresentadas a cafeicultores do Cerrado Mineiro no Agrotic Café, evento sobre o uso da tecnologia no campo realizado pela Momento Editorial em Patrocínio, Minas Gerais, no dia 20.

A jovem Agrosmart, dona de vários prêmios e já presente em seis países da América Latina e África, desenvolveu uma rede de sensores que se comunicam uns com os outros via rádio ou outra rede — pode der uma rede que usa frequência não licenciada como as redes LPWA (Low Power Wide Area) ou mesmo uma rede LTE privativa —e são gerenciados por uma plataforma de serviços. Entre as aplicações oferecidas pela Agrosmart, na modalidade de serviços, está o controle da irrigação.

De acordo com Mariana Vasconcelos, CEO da companhia, a solução desenvolvida permite economizar até 40% de energia, reduzir até 60% do consumo de água e aumentar a eficiência da produção. No caso do exemplo citado por ela, de uma fazenda de 72 hectares localizada no Oeste da Bahia, conseguiu-se uma redução de 20% no consumo de energia, 20% de redução no consumo de água e R$ 2.900,00 de aumento de produtividade por talhão.

Ela explicou que a plataforma não trata apenas os dados dos pluviômetros colocados no solo, mas um conjunto de dados que envolvem imagens de satélite, dados de climas e que geram uma massa de informações que são analisadas por cientistas de dados e transformadas em relatórios para o cliente. “A nossa previsão do tempo com assertividade está em 72 horas”, informou.

Solução LTE

Desenvolvida para o mercado sucro-alcooleiro, que tem como característica plantações de áreas extensas e uso de um grande parque de máquinas como tratores e colheitadeiras, a solução da Trópico se baseia numa rede LTE privativa com uma estação radiobase e tantos terminais quanto forem as máquinas a serem conectadas.

O projeto, envolvendo o CPqD e com apoio do BNDES foi desenvolvido para a Usina San Martin que trabalha com mil máquinas e até o final de 2019 terá 2 mil máquinas conectadas. Mas já foi transportado para a á área de grãos e o segmento florestal. De acordo com Renato Coutinho, da Trópico, a solução desenvolvida pode ser aplicada em qualquer tipo de cultura.

Em sua apresentação, ele disse que um só site cobre 50 quilômetros e que, no caso da cultura do café, onde as lavouras são menos extensas do que as da cana de açucar mas de maior valor agregado, é possível adotar uma alternativa de forma cooperada para várias propriedades, o que baratearia o custo da solução de monitoramento e gestão de todos os dados relativos ao uso das máquinas e plantio e transmissão das informações para o centro de dados.

Coutinho lembrou ainda que a Trópico pode comercializar a solução como serviço, gerindo ela própria e seus parceiros a implantação, operação e manutenção do sistema. “Temos modelo de negócio muito flexível”, arrematou, lembrando que alguns dos grandes fabricantes de maquinário para agricultura já tem interface com a solução Trópico.

Entre a rede de sensorres e a rede privativa LTE estão as duas outras soluções apresentadas pela indústria. Uma rede WiFi da Americana Ragent, que usa drones equipados com rádios em situações onde o WiFi não garante a cobertura, e as máquinas agrícolas conectadas via satélite da Neger Telecom.

WiFi

A Ragent, fabricante de rádios, desenvolveu sua rede WiFi com rádios que fisicamente têm o tamanho da metade de uma caixa de sapato, com três frequências, para ambientes agrícolas. “Nos Estados Unidos, embora a rede móvel já cubra uma parte relevante do campo, outra parte é igual ao Brasil, não tem conectividade”, relatou Joeval Martins, diretor da Ragent no Brasil, onde a solução já está implantada em fazendas de eucaliptos, de cocos e de frutas, por por exemplo.

A solução da Neger Telecom foi desenvolvida, a partir da experiência com bloqueadores de celular para presídios, para prevenir roubos de maquinas agrícolas. Na verdade, o Metrosat nasceu como um rastreador via satélite. A partir daí, conta Eduardo Neger, sócio-diretor da empresa, verificou-se que era possível ir agregando algumas funções mais simples de monitoramento demandas pelo cliente. “Ele deve ser encarado como o primeiro estágio da digitalização no campo”, disse Neger. Até pelo seu preço. São R$ 600 pelo equipamento mais R$ 99 por mês pelo serviço.

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